40 anos do desastre do vaivém Challenger
A 28 de Janeiro de 1986, o vaivém espacial Challenger colapsaria apenas 73 segundos depois da sua descolagem, quando se dava início à missão STS-51-L do programa espacial da NASA. O acidente veio a chocar o mundo que, após uma série de missões espaciais bem-sucedidas, testemunharia de forma surpreendente aquele que ainda hoje é considerado como um dos mais graves acidentes ocorridos durante uma missão espacial. Por mais complexa que pudesse ter sido a causa, a tragédia deveu-se a algo mais simples do que se julgaria. Os o-rings (juntas tóricas), componentes de borracha que selavam as juntas entre os segmentos dos propulsores, perderiam elasticidade a baixas temperaturas, atrasando o processo de selagem e provocando uma fuga de gás a alta pressão. Essa mesma fuga de gás, resultaria numa explosão que seria a causa da destruição da nave e da consequente morte dos sete tripulantes. Porém, até se ter chegado à verdade dos factos, o processo não foi fácil, pois muita informação fora omitida tanto pela NASA como pela Morton Thiokol, a empresa responsável pelo fabrico dos propulsores das naves espaciais.
Missão STS-51-L
A missão STS-51-L da NASA (National Aeronautics and Space Administration) tinha como objetivos principais lançar o satélite TDRS-B para efeitos de comunicação espacial, o satélite Spartan para estudar o Cometa Halley, além de realizar aulas do espaço com a professora Christa McAuliffe, tendo sido a primeira missão espacial que levaria um tripulante sem qualquer tipo de formação profissional para missões espaciais, escolhido de forma minuciosa através de um programa chamado Teacher in Space que envolveu cerca de onze mil candidatos. Christa McAuliffe tornava-se assim na figura principal da missão espacial. Não só representava o cidadão comum, que poderia ir ao espaço no futuro, mas também os professores que inspiravam alunos, e as mães que não seriam impedidas de realizar eventuais idas ao espaço, servindo de inspiração para inúmeras crianças que assistiriam às suas aulas durante a missão. Para que pudesse estar devidamente preparada, passou mais de 100 horas de treino intensivo, tornando-se assim a primeira professora a participar numa missão espacial.

Para além de Christa McAuliffe, encontravam-se outros seis tripulantes na nave com experiência anterior em missões espaciais: Francis “Dick” Scobee (Comandante), Michael Smith (Piloto), Judith Resnik (engenheira de voo), Ellison Onizuka (especialista nos satélites TDRS), Ronald McNair (especialista de missões no SPARTAN-Halley), Gregory Jarvis (especialista de carga útil). À exceção de Christa McAuliffe, Michael Smith e Gregory Jarvis, todos estes tripulantes tinham uma vasta experiência em missões espaciais e uma preparação específica para aquilo que as missões espaciais exigiam. Estavam habituados aos desafios que eram exigidos quando descolavam da Terra até ao espaço, com uma forte experiência no que toca a voos do género e a missões dentro do mesmo quadrante. Em particular, a missão STS-51-L tinha um período estipulado de 6 dias, não sendo uma missão de todo complexa comparativamente a outras que a NASA já teria efectuado.
O vaivém Challenger tinha sido adquirido em 1981, tendo efetuado o seu primeiro voo em abril de 1983, sendo uma nave de grande porte com cerca de 113 toneladas. Quanto maior o peso das naves, mais energia é necessária para o colocar em órbita. Os propulsores de combustível sólido nas laterais permitiam uma descolagem mais rápida. Apesar da potência destes propulsores, existe uma grande desvantagem em caso de algo correr mal. Uma vez que são acionados, já não podem ser desligados como um motor normal. Caso existisse alguma falha, por mais pequenas que fossem essas hipóteses, tal seria catastrófico. Mas antes de Janeiro de 1986, o Challenger já teria completado nove missões espaciais, o que apontava que STS-51-L seria também uma missão igualmente bem sucedida.
O acidente
Setenta e três segundos. É este o tempo entre a descolagem do vaivém e o acidente que chocaria o mundo e todos aqueles que acompanhavam a descolagem. No local, os familiares dos tripulantes e outros curiosos que pela primeira vez assistiriam a uma descolagem de uma nave espacial, observavam o que de pior poderia ter acontecido. Na base espacial ouviu-se alguém dizer “tivemos uma avaria” e poucos segundos depois “explodiu”. O silêncio da NASA, ao não ter explicado de imediato o que tinha acontecido, levou a que muitos suspeitassem de diversas hipóteses. Avaria no motor, desmantelamento do tanque externo, incompetência da própria da NASA, foram algumas das coisas ditas nas horas seguintes. A notícia encheu as manchetes dos jornais e os noticiários televisivos de todo o mundo. A cabine da tripulação separar-se-ia e continuaria em trajetória balística. As evidências iniciais sugeriam que alguns tripulantes pudessem ter sobrevivido à desintegração. Ao embater no oceano Atlântico, as hipóteses de sobrevivência seriam mínimas. Os restos da nave foram resgatados do oceano no mês seguinte, com os corpos dos tripulantes já sem vida.
Previsões climatéricas apontavam para aguaceiros no dia 25 de Janeiro, o dia previsto para a descolagem do Challenger, e a possibilidade da chegada de uma massa de ar frio. Embora não tenha sido nada particularmente crítico, a NASA decidiu adiar para o dia 27 de Janeiro o lançamento. Nesse dia, as rajadas de vento eram intensas, e foi adiado para o dia seguinte, 28 de Janeiro. Contudo, as previsões de temperaturas baixas mantinham-se, e uma reunião entre os responsáveis foi necessária. No dia da descolagem, as temperaturas estavam extremamente baixas, valores que nunca teriam sido registados em descolagens anteriores. Aparentemente, tal preocuparia alguns dos engenheiros da Morton Thiokol, a companhia responsável pelos propulsores da NASA e que concebeu os O-rings (juntas tóricas) que vedavam os propulsores SRB (Solid Rocket Boosters). Sabia-se que este tipo de vedação se tenderia a desgastar com temperaturas mais altas e a expandir com o eventual aumento de pressão, havendo suspeitas de que pudesse acontecer uma catástrofe algum dia.
Na noite anterior ao lançamento do vaivém, uma reunião relâmpago foi feita estando por videoconferência entre os engenheiros da companhia do John F. Kennedy Space Center (KSC) na Florida, de onde partiria a missão, os responsáveis do Marshall Space Flight Center e a Morton Thiokol, empresa responsável pelo fabrico. Lawrence Mulloy, responsável pelo projeto dos SRB da NASA, não aceitou um eventual adiamento adicional de forma a que a Morton Thiokol pudesse ter certezas sobre o que aconteceria a baixas temperaturas. Contudo, os contratos da empresa obrigavam a que seguissem o calendário estipulado, embora a NASA tenha tido conhecimento, segundo os responsáveis da Morton Thiokol. Tudo apontava para um novo adiamento do voo, tendo em conta a chegada da massa de ar frio do Ártico. O risco era grande, uma simples falha poderia levar a uma catástrofe sem precedentes. Os dados foram considerados inconclusivos e Larry Mulloy mostrou uma enorme impaciência, achando que não se justificava outro adiamento da missão. Perante o clima tenso, um dos engenheiros responsáveis terá dito que não faria o lançamento naquelas condições. O director-geral, Joe Kilminster, propôs uma votação, em que apenas os gestores presentes na reunião tinham direito ao voto, ficando os engenheiros de parte. Perante um empate, o vice-presidente da engenharia acabou por concordar com Mulloy que a falha não seria algo de todo certo, no avanço da missão. A Morton Thiokol acabaria por recomendar o avanço da missão, mesmo com decisão tomada de forma não unânime e com opiniões críticas à decisão.
Assim sendo, tudo avançaria. Milhares de espetadores e de crianças e adolescentes acompanhariam em directo o trajeto da professora Christa McAuliffe, que se tornaria numa referência para muitos. Deu-se a descolagem às 11 horas e 38 minutos do dia 28 de Janeiro de 1986. Os primeiros números indicavam que tudo estivesse a correr normalmente. Os motores funcionavam, a altitude estava a ser atingida de acordo com o esperado até ao primeiro minuto, onde terá sido detectada uma falha que culminaria com a destruição da nave treze segundos depois. Os mais leigos ainda se interrogavam se o efeito faria da explosão fazia parte da descolagem ou se seria mesmo um acidente. Pelas imagens da destruição, divulgadas dias mais tarde, foi possível ver um clarão anómalo (no fundo, uma chama) num dos propulsores, o que poderia ser uma das causas do desastre. Às cinco horas da tarde, o Presidente Ronald Reagan dirigia-se ao país, lamentando o terrível acidente e enaltecendo o importante papel dos sete tripulantes ao serviço da nação, que foram sete heróis que os Estados Unidos perderam naquele fatídico dia.
Incidentes anteriores a Challenger
Nem todas as missões espaciais foram bem-sucedidas e o fracasso é algo que existe antes do sucesso. Existe a ideia de que foi fácil ter colocado Yuri Gagarin no espaço pela primeira vez, ou Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins na Lua sem que impedimentos ou acidentes anteriores tivessem ocorrido. A NASA que estava desde 1961 habituada a levar astronautas ao Espaço, teve acidentes menores, mas nenhuma pessoa morrera durante uma missão espacial. Houve um acidente que vitimou mortalmente três astronautas durante um ensaio de lançamento da missão Apollo 1, em 1967, mas este ocorreu ainda em Terra.
Meses antes do último voo de Challenger, o vaivém Discovery não chegou a descolar devido a uma falha num dos computadores. Mas já havia problemas detectadas antes e de forma permanente. Das 19 missões anteriores a STS-51-L, apenas seis descolaram a tempo de acordo com os que estava estipulado. As restantes tiveram falhas técnicas e imprevistos que impossibilitaram a sua descolagem. Havia uma enorme insistência nos voos espaciais e nas missões, dado o forte investimento feito. Contudo, nada antes teria sido tão catastrófico como acidente do Challenger a 28 de Janeiro de 1986.

Do lado da União Soviética, a grande concorrente dos Estados Unidos na corrida ao Espaço, já tinha reportado vítimas mortais em missões como o caso da missão Soyuz 1 em 1967 que vitimou mortalmente um cosmonauta quando este se preparava para reentrar na atmosfera terrestre (note-se que astronauta é um termo utilizado pelos norte-americanos e cosmonauta pelos soviéticos) e da missão Soyuz 11 em 1971 onde três cosmonautas perderam a vida quando já se encontravam no espaço devido à depressurização da capsula onde se encontravam. Até à data, a NASA tinha no currículo zero mortes no decorrer das missões espaciais.
Já se verificaria em missões anteriores alguma erosão nas juntas dos propulsores, as chamadas juntas tóricas (o-rings) que eram feitas de borracha. A primeira vez que algo se verificou foi em 1981, na missão. A ideia era de que estas ficassem intactas e sem qualquer tipo de dano com as temperaturas altas. Existiam duas juntas à volta dos segmentos, para o caso de uma falhar a outra funcionar. Quando estas deixam de selar, passar a haver uma fuga no motor do propulsor que causa a desintegração da nave. Engenheiros da Morton Thiokol já tinham noção do problema e de que um eventual acidente pudesse vir a surgir mais tarde ou mais cedo. Num voo feito em 1985, num dia de frio extremo, engenheiros notaram que as juntas tóricas, sendo muito elásticas, tornar-se-iam rígidas com baixas temperaturas.
Uma equipa de engenheiros começou a fazer um estudo aprofundado da relação da temperatura com a rigidez das juntas. Percebeu-se logo de início que havia um problema. Algumas das juntas tinham ficado corrídas e desgastadas após as descolagens, o que não seria alo normal, podendo causar uma catástrofe. A utilização de novas juntas e as conclusões relativamente a este problema poderiam levar anos, não havendo espaço para resolver quando já várias missões espaciais estariam estipuladas. A decisão foi de que de acordo com os relatórios, nada impediria que as naves espaciais pudessem descolar, sendo dada ordem de que o Challenger poderia assim também.
Comissão Rogers: a investigação do desastre
Para investigação das causas do acidente, o presidente Ronald Reagan nomeou uma comissão que viria a ser presidida por William P. Rogers, antigo secretário de estado na administração de Richard Nixon, que viria a chama-se Comissão Rogers. A comissão viria ter como vice-presidente Neil Armstrong, ex-tripulante da Apollo 11, missão que colocou pela primeira ver o ser humano a pisar a Lua, tendo como membros pessoas como Sally Ride, primeira astronauta americana e ainda o general Donald Kutyna. O Science Advisor do Presidente da NASA, William R. Graham, que tinha sido aluno em Caltech, na Califórnia, resolveu ligar a um antigo professor seu: Richard Feynman, Nobel da Física de 1965, que viria também a ser membro da Comissão Rogers. Foi necessária uma investigação dura e detalhada dos documentos, uma vez que os depoimentos da NASA não eram coerentes. Até ter saído a notícia nos media de que a NASA sabia do problema e do risco dos propulsores há tempo suficiente para ter evitado que vidas de diversas pessoas ficassem em risco.

Tudo o que se passara meses antes entre a NASA e a Morton Thiokol havia saído cá para fora aos poucos, tornando-se algo do domínio público. Concluiu-se que o design da junta do SRB era defeituoso, especialmente porque os anéis de vedação eram altamente sensíveis à temperatura. O relatório não apontou apenas para uma falha técnica, destacou uma cultura na NASA que tinha normalizado os riscos e subestimado as preocupações com a segurança em busca de um calendário de voos ambicioso. Sally Ride terá passado informação sobre a resiliência das juntas tóricas com a diminuição da tempertaura ao General Kutyna. De forma a não comprometer Sally Ride, Kutyna falaria com Feynman em privado, expondo o problema de uma outra forma, sem dar grandes detalhes sobre a informação que lhe tinha sido facultada. É aqui que o génio que todos conheciam entra em acção, desvendando, em directo, o mistério que causaria o acidente.
Richard Feynman, conhecido pelo seu estilo excêntrico que ia muito para além das suas extraordinárias capacidades de raciocínio, comprovaria este feito em direto para a televisão, ao colocar um dos anéis em água gelada durante audições sobre o acidente, verificando a ausência de resiliência a baixa temperatura, sendo a razão que provocaria o acidente. À medida que efectuava a experiência, explicava de forma clara: “Peguei neste pequeno componente e coloquei em água gelada. Descobri que, quando aplicamos pressão durante uns momentos e a retiramos, ela não retorna à dimensão inicial. Por outras palavras, durante alguns segundos, ou até mais do que isso, não existe resiliência neste material quando está a uma temperatura de 32 °F (0 °C). Acredito que exista alguma significância para a resolução do nosso problema”. Através de uma simples experiência, Richard Feynman desvendou o mistério do Challenger e desmascarou todas as omissões que tinham sido feitas. Em junho de 1986, o caso foi finalmente concluído com o arrefecimento dos o-rings e a consequente ausência de elasticidade, como principal causa da catástrofe. As culpas foram atribuídas à NASA e à fabricante dos o-rings Morton Thiokol, cuja parceria remontava deste 1977.
As lições de Challenger
O episódio de Challenger e a sua projecção mundial levou a que a NASA viesse a tomar medidas drásticas nos anos seguintes. As missões espaciais só viriam a ser retomadas no fim de Setembro de 1988 com o vaivém Discovery, quase três anos após o desastre. A NASA fez mudanças profundas em segurança, engenharia e tomada de decisões, e o acidente se tornou um caso de estudo importante nas áreas de engenharia, gestão de riscos e ética científica. A Morton Thiokol continuou a parceria com uma diferente chefia, produzindo outros propulsores que se mantiveram nas missões seguintes. Foram ainda feitas mudanças nas políticas de segurança e nos protocolos. A NASA tornou-se mais transparente em relação aos seus processos e decisões, e começou a envolcver parceiros externos nas tomadas de decisões e nos projectos.
O lançamento do vaivém Discovery a 1988, veio mostrar um renascer das cinzas e uma luz de esperança de que ainda havia muito mais para dar, e que as missões espaciais seguintes teriam de tudo para ter sucesso. O Discovery fez um total de 86 missões num espaço de 15 anos, todas bem-sucedidas, embora algumas com percalços no seu decorrer. O fantasma de Challenger, que atormentou a NASA e o mundo, parecia estar finalmente ultrapassado, tendo em conta que, até ver, erros do mesmo género não se voltariam a repetir. O sucesso do Discovery acabaria por ser um renascer das cinzas daquele que foi até hoje o maior pesadelo das missões espaciais da NASA.
Vaivém Columbia: o último desastre
Depois de Challenger, e já no século XXI, grande parte pensaria que os desastres das missões espaciais fizesse parte do século passado e que erros anteriores serviriam de lição para o futuro. Contudo, um outro episódio viria a acontecer de forma surpreendente. A 1 de Fevereiro de 2003, outro acidente espacial chocaria o mundo, nomeadamente o vaivém Colombia. Porém, ao contrário de Challenger, em que o acidente aconteceria segundos após a descolagem, no caso de Colômbia, as circunstâncias seriam diferentes. A missão em questão, STS-107, estava focada em questões de exploração da microgravidade, de informação do nosso planeta, e também a nível de tecnologia ao estudar-se o sistema StarNav (Star Navigation). O vaivém tinha descolado a 16 de Janeiro do Kennedy Space Center, de onde Challenger também tinha descolado na sua última missão em 1986.
A investigação concluiu que, mais uma vez, a NASA poderia ter corrido num erro do qual já suspeitara. Durante a sua descolagem um pedaço do material isolante do tanque externo soltou.se e atingiu uma das asas. O impacto abriu uma fissura no sistema de proteção térmica. No retorno, as temperaturas encontravam-se bastante elevadas, tendo a estrutura interna sido destruída devido à fissura provocando a desintegração da nave, já em território norte-americano, e a morte de sete tripulantes. Situações semelhantes já teriam ocorrido, mas sem nunca pôr em causa a segurança dos tripulantes, até ao dia 1 de Fevereiro de 2003, tendo, à semelhança do aciedente. Os programas espaciais ficaram suspensos por cerca de 2 anos, resultando em mudanças drásticas nos protocolos de segurança. Começaram a ser feitas inspeções obrigatórias em órbita das placas de proteção térmica, e apostou-se nas técnicas de reparação das naves quando estas se encontram no espaço.
O sucesso das missões espaciais
Quando falamos de catástrofes como as de Challenger ou de Columbia, estamos a falar de desastres singulares que representam um pequeno número comparativamente às restantes que tiveram sucesso. Se contabilizarmos com as mais de 130 missões espaciais que a NASA organizou até hoje, apenas houve dois grandes desastres no seu decorrer. Esta relação comprova que as missões espaciais tiveram muito mais sucesso do que fracasso, e que poderiam ter ainda mais sucesso se alguns dos procedimentos tivessem sido encarados de outra forma. Hoje falamos de Challenger e de Columbia como grandes tragédias das missões espaciais, suficientemente graves para colocar em causa os protocolos de segurança, e rever drasticamente questões técnicas e éticas da NASA e dos fabricantes dos propulsores. Foi de facto muito duro ter que seguir com as missões seguintes com o receio de que algo se pudesse repetir, mas o espírito humano em querer ir mais além prevaleceu sobre todos os medos.
40 anos depois, continuamos a olhar para o céu com o fim de chegar mais longe e de alcançar aquilo que não conhecemos, com missões espaciais cada vez mais ambiciosas, mas com a ética, a segurança e a consciência da nossa responsabilidade. Segundo o calendário previsto para 2026, a NASA prepara-se este ano para voltar a explorar a Lua com a missão Artemis II, que pretende colocar em órbita a primeira mulher, o primeiro cidadão afro-americano e o primeiro cidadão não americano, mostrando assim que o céu continua ao alcance de todos. Com a Artemis III, em 2027, está previsto que voltemos a pisar o solo lunar pela primeira vez desde 1972, abrindo portas para um novo rumo das missões espaciais deste século. Se queremos continuar a chegar mais longe temos que caminhar juntos, assegurando que todos estaremos seguros no final. Porque só com a prevalência da vida humana é que a ciência continuará a avançar no bom caminho. E só assim certamente chegaremos cada vez mais longe a um céu que, embora ainda nos seja bastante desconhecido em muitas vertentes, tornar-se-á mais claro graças às missões espaciais que ainda virão.
