A comunicação social portuguesa parece atravessar um momento de grande indefinição

por Os truques da imprensa portuguesa,    3 Janeiro, 2019
A comunicação social portuguesa parece atravessar um momento de grande indefinição

Mário Machado não é “autor de algumas declarações polémicas”, como afirma o apresentador da TVI, Manuel Luís Goucha.

Mário Machado foi condenado e esteve preso uma década por crimes de discriminação racial, coação agravada, posse ilegal de arma, ofensa à integridade física qualificada e tentativa de extorsão. Esteve implicado na morte de Alcindo Monteiro, espancado até à morte no Bairro Alto.
Liderou os Hammerskins, um movimento skinhead de inspiração nazi. Foi o preso que mais tempo passou numa prisão de alta segurança, em Portugal, depois do 25 de Abril.

A TVI tem todo o direito de entrevistar Mário Machado e Mário Machado tem todo o direito de ser entrevistado pela TVI.

O que se exige é que essa entrevista seja, de facto, uma entrevista jornalística e não um veículo de normalização e validação do perfil político de Mário Machado e, muito menos, um mecanismo para a neutralização dos crimes de que foi acusado e condenado.

Também hoje, para além da entrevista em causa, a TVI decidiu fazer um Vox Pop com a pergunta: “Acha que precisamos de um novo Salazar?”
A comunicação social portuguesa parece atravessar um momento de grande indefinição em relação àquilo que pretende.

Esta crónica foi publicada originalmente no página oficial d’Os truques da imprensa portuguesa, tendo sido aqui reproduzida com a devida autorização.
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