Já se conhecem os quatro finalistas do Prémio Goncourt, um dos mais importantes prémios literários do mundo francófono

por Lusa,    28 Outubro, 2025
Já se conhecem os quatro finalistas do Prémio Goncourt, um dos mais importantes prémios literários do mundo francófono
Natasha Appanah / DR

Natasha Appanah, Emmanuel Carrère, Caroline Lamarche e Laurent Mauvignier são os quatro escritores finalistas do Prémio Goncourt, hoje anunciados pela academia no ‘site’, com obras que abordam temas como morte e família.

A escritora mauriciana-francesa Natasha Appanah concorre com “La nuit au coeur”, um romance que entrelaça três histórias de mulheres vítimas de violência masculina – duas que morreram e uma que luta para sobreviver -, explorando os mecanismos de controle, medo e humilhação vividos por essas mulheres, a partir de casos que a autora conheceu e da sua tentativa de compreender a violência masculina sistémica e o feminicídio.

O francês Emmanuel Carrère foi escolhido pelo romance “Kolkhoze”, no qual revisita a morte da sua mãe, Hélène Carrère d’Encausse, uma conceituada historiadora com quem manteve uma relação complexa e distante, para explorar temas como morte, amor e escrita, mas também os legados familiares, a memória e a fidelidade narrativa.

A outra mulher finalista do prémio é a escritora belga, de língua francesa, Caroline Lamarche, com “Le Bel Obscur”, um romance que cruza duas histórias: a de um antepassado banido pela família no século XIX e a de uma mulher contemporânea que vive com um marido homossexual.

Com esta obra, a autora aborda temas como identidade, amor e marginalidade, explorando experiências raramente retratadas na literatura, como a vivência de mulheres de homens homossexuais.

O quarto finalista é o escritor francês Laurent Mauvignier, com “La Maison Vide”, uma saga familiar ambientada na década de 1970, que segue a história de uma família marcada por silêncios e segredos, tendo a figura da avó como fio condutor para revisitar várias gerações, abordando os rastos deixados pelas guerras e as relações de dominação da época.

Os quatro romances foram publicados entre agosto e setembro deste ano, não estando nenhum ainda editado em Portugal, embora o escritor Emmanuel Carrère tenha obras publicadas no mercado nacional, nomeadamente “O adversário”, “Limonov”, “O reino” e “Yoga”.

O vencedor do Prémio Goncourt será conhecido no dia 04 de novembro, durante uma cerimónia que terá lugar no restaurante Drouant, em Paris, a que se seguirá o anúncio do vencedor do Prémio Renaudot.

O Prémio Goncourt, fundado em 1903, distingue anualmente o melhor romance escrito em língua francesa, sendo considerado um dos mais importantes prémios literários do mundo francófono.

O Goncourt tem um prémio monetário meramente simbólico, já que o vencedor recebe um cheque de apenas dez euros, mas garante ao seu autor notoriedade, tiragens milionárias e traduções em dezenas de línguas.

No ano passado, o Goncourt foi atribuído ao escritor franco-argelino Kamel Daoud, pelo romance “Houris”, um relato ficcional dos massacres durante a “década negra” da Argélia (1992-2002).

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