Já se conhecem os quatro finalistas do Prémio Goncourt, um dos mais importantes prémios literários do mundo francófono
Natasha Appanah, Emmanuel Carrère, Caroline Lamarche e Laurent Mauvignier são os quatro escritores finalistas do Prémio Goncourt, hoje anunciados pela academia no ‘site’, com obras que abordam temas como morte e família.
A escritora mauriciana-francesa Natasha Appanah concorre com “La nuit au coeur”, um romance que entrelaça três histórias de mulheres vítimas de violência masculina – duas que morreram e uma que luta para sobreviver -, explorando os mecanismos de controle, medo e humilhação vividos por essas mulheres, a partir de casos que a autora conheceu e da sua tentativa de compreender a violência masculina sistémica e o feminicídio.
O francês Emmanuel Carrère foi escolhido pelo romance “Kolkhoze”, no qual revisita a morte da sua mãe, Hélène Carrère d’Encausse, uma conceituada historiadora com quem manteve uma relação complexa e distante, para explorar temas como morte, amor e escrita, mas também os legados familiares, a memória e a fidelidade narrativa.
A outra mulher finalista do prémio é a escritora belga, de língua francesa, Caroline Lamarche, com “Le Bel Obscur”, um romance que cruza duas histórias: a de um antepassado banido pela família no século XIX e a de uma mulher contemporânea que vive com um marido homossexual.
Com esta obra, a autora aborda temas como identidade, amor e marginalidade, explorando experiências raramente retratadas na literatura, como a vivência de mulheres de homens homossexuais.
O quarto finalista é o escritor francês Laurent Mauvignier, com “La Maison Vide”, uma saga familiar ambientada na década de 1970, que segue a história de uma família marcada por silêncios e segredos, tendo a figura da avó como fio condutor para revisitar várias gerações, abordando os rastos deixados pelas guerras e as relações de dominação da época.
Os quatro romances foram publicados entre agosto e setembro deste ano, não estando nenhum ainda editado em Portugal, embora o escritor Emmanuel Carrère tenha obras publicadas no mercado nacional, nomeadamente “O adversário”, “Limonov”, “O reino” e “Yoga”.
O vencedor do Prémio Goncourt será conhecido no dia 04 de novembro, durante uma cerimónia que terá lugar no restaurante Drouant, em Paris, a que se seguirá o anúncio do vencedor do Prémio Renaudot.
O Prémio Goncourt, fundado em 1903, distingue anualmente o melhor romance escrito em língua francesa, sendo considerado um dos mais importantes prémios literários do mundo francófono.
O Goncourt tem um prémio monetário meramente simbólico, já que o vencedor recebe um cheque de apenas dez euros, mas garante ao seu autor notoriedade, tiragens milionárias e traduções em dezenas de línguas.
No ano passado, o Goncourt foi atribuído ao escritor franco-argelino Kamel Daoud, pelo romance “Houris”, um relato ficcional dos massacres durante a “década negra” da Argélia (1992-2002).
