Agências de viagens criticam “total desprezo” pela relação da Cultura com o Turismo
O presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) criticou hoje o que considera ser “um total desprezo” em Portugal pelos temas da Cultura e a relação entre esta e o Turismo.
“Não posso deixar de denunciar o total desprezo a que estão votados os temas relacionados com a Cultura, e com a relação entre a Cultura e o Turismo, em Portugal”, afirmou Pedro Costa Ferreira, em Macau, no 50.º Congresso Nacional da associação, que decorre até quinta-feira.
Diz o responsável que, “conceptualmente”, o país continua a tentar proteger os museus e monumentos das pessoas.
“Não podem estar mais enganados. Os museus e monumentos são, sempre foram, das pessoas, e começo a pensar que têm é de ser protegidos de uma tutela indigente, absolutamente ignorante e totalmente incapaz de atuar”, disse perante uma plateia de mais de 1.000 profissionais ligados ao Turismo, mas também à Cultura.
“Os operadores turísticos que trazem grupos organizados, que representam mais-valia económica, que incluem guias que não dizem que o Castelo de S. Jorge foi construído por Luis de Camões, e que trazem mais território turístico, menos pressão turística e menos sazonalidade, continuam a ser tratados pela tutela da Cultura como delinquentes organizados”, criticou.
Na plateia, em Macau, estava também o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, que, em setembro, já tinha abordado o tema.
Em 29 de setembro, Pedro Machado disse considerar, num debate promovido pela Associação de Promotores de Espectáculos, Festivais e Eventos (APEFE), em Lisboa, os conteúdos culturais como essenciais na articulação com o turismo, como uma forma de diferenciar, valorizando a oferta, o destino turístico Portugal.
“Em primeiro lugar, na parte daquilo que é da minha responsabilidade, da interpretação que temos hoje sobre o papel da Cultura – que muitas vezes discutimos –, os conteúdos são essenciais. Não é só a narrativa, digo os conteúdos de forma ‘lato sensu’ [sentido lato], aquilo que podemos produzir para captar e, sobretudo, para diferenciar aquilo que é a proposta de valor que Portugal tem”, disse Pedro Machado nessa altura.
“O que é que diferencia Portugal num mundo tão global, tão competitivo? A sua singularidade. Onde é que está a sua singularidade? Na sua diferenciação. Onde é que está a sua diferenciação? Património, Cultura, História, etc. Por definição, sim, esse é ‘leitmotiv’ [motivo principal]”, acrescentou ainda o governante em setembro, quando questionado sobre a articulação entre Cultura e Turismo.
Hoje, o presidente da APAVT lamentou ainda que em Portugal se continue, “infelizmente, a preferir filas de duas horas, ao frio, à chuva, e sem casas de banho, do que entradas organizadas nos museus e monumentos, e grupos a aprender a verdadeira História e a cultura do nosso país”.
A agência Lusa viajou para Macau a convite da APAVT.
