Ana Sá Lopes e Pedro Mexia apresentam “Melancolia de Classe”, novo livro de Cynthia Cruz, na livraria Snob em Lisboa
Cynthia Cruz, poeta, romancista e escritora de não-ficção, analisa neste ensaio, “Melancolia de Classe” (ed. Zigurate), como a escolha entre assimilação ou aniquilação teve um papel importante na vida de músicos, artistas, escritores e cineastas vindos da classe trabalhadora, “conjugando memórias pessoais, teoria cultural e uma assinalável veia polémica”, pode ler-se num comunicado da editora Zigurate, fundada pelo tradutor e editor Carlos Vaz Marques.
“O artista da classe trabalhadora está preso às suas origens, um espaço que não foi assimilado pelo mundo da classe média, pelo que o seu trabalho será muitas vezes visto como anacrónico. E, no entanto, este anacronismo é em si mesmo uma forma de resistência. Esta insistência no passado arrasta-o para o presente, criando uma falha no sistema. Isto tornou-se cada vez mais verdadeiro à medida que a sociedade se foi tornando cada vez mais homogénea, com as pessoas a comprarem as mesmas roupas na mesma mão cheia de cadeias de lojas, a verem as mesmas séries da Netflix, a ouvirem a mesma música.“, refere Cynthia Cruz em “Melancolia de Classe”.

A autora, que vive em Berlim mas que nasceu em Wiesbaden, na Alemanha, e cresceu no norte da Califórnia, vai ainda mais longe na sua análise e diz que tudo é “descartável, reciclável, com a repetição da mesma coisa na estação seguinte. Com uma visão de futuro, com um desdém por tudo o que é demasiado «da última estação», perdemos o nosso presente e perdemos o nosso passado.”
Sobre o progresso a autora escreve ainda neste seu novo livro que “o culto do progresso não é nada de novo, e é, na sua ideologia, inerentemente anti-classe trabalhadora. O progresso é uma ideologia da classe média, uma ideologia do statu quo. A sua ideia de progresso é superficial e anti-revolucionária. Em vez de derrubar o sistema politico, os liberais da classe média querem fazer mudanças cosméticas, e não sistémicas, no sistema — sem interromper ou sem se envolver com as estruturas de opressão. Vemos isto nos progressistas contemporâneos, cujas propostas de mudança são superficiais e não interrompem nem se envolvem com as estruturas de opressão.”
“Melancolia de Classe”, de Cynthia Cruz, chega às livrarias nacionais a 15 de Janeiro e será apresentado no mesmo dia em Lisboa, pelas 18h, na Livraria Snob, por Pedro Mexia, comentador, cronista e crítico literário, e por Ana Sá Lopes, jornalista do jornal Público.
