Atenas pede a Londres que demonstre coragem para devolver frisos do Partenon guardados no Museu Britânico
Atenas pediu na quinta-feira a Londres que demonstre “coragem” e “vontade política” para devolver os frisos do Partenon guardados no Museu Britânico, uma pressão adicional numa altura em que as discussões sobre esta disputa histórica parecem estagnadas.
A disputa em torno destes vestígios antigos, expostos no famoso museu londrino há mais de dois séculos, prejudica as relações entre os dois países.
Num artigo de opinião no jornal The Guardian, publicado enquanto o Museu Britânico expõe a Tapeçaria de Bayeux, num empréstimo inédito de França, o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, rejeita a ideia de que uma solução semelhante possa ser aplicada aos 75 metros de frisos do Partenon e defende uma “reunificação” em Atenas.
“O que é preciso hoje é vontade política e coragem para dar o passo decisivo, reunir as esculturas e transformar uma disputa histórica num ato único de amizade cultural”, realçou.
Mitsotakis recordou que o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que sucedeu a Keir Starmer em Downing Street, em julho, se tinha anteriormente manifestado a favor da devolução dos frisos à Grécia “sem condições”.
No entanto, o líder trabalhista recuou nesta posição desde que chegou ao poder, declarando ao Financial Times, em agosto, que a questão cabia exclusivamente ao Museu Britânico.
Iniciadas em 2021, as negociações entre a Grécia e a instituição britânica chegaram a um impasse devido à frustração de Atenas com a falta de progressos concretos, informou o The Telegraph na noite de quarta-feira.
Contactado pela AFP, um porta-voz do museu apenas reafirmou que a sua “posição e abertura a um acordo se mantinham inalteradas”.
Num artigo de opinião, o chefe do governo grego, um fervoroso defensor do regresso destes tesouros arqueológicos, declarou-se surpreendido com as recentes declarações do diretor do Museu Britânico, Nicholas Cullinan.
Em entrevista ao Financial Times, Cullinan sugeriu que se tomasse como exemplo o empréstimo da Tapeçaria de Bayeux por parte da França para “avançar” na questão dos frisos do Partenon.
“Não creio” que isso possa “servir de modelo”, reagiu Mitsotakis.
O governante grego sublinhou ainda que “ninguém ponderaria seriamente cortar ao meio o que resta da Tapeçaria de Bayeux e expor uma metade em Londres e a outra em Bayeux”, lamentando que tenha sido “exatamente isso que aconteceu com as esculturas do Partenon”.
No Reino Unido, estas obras-primas são mais conhecidas por “Mármores de Elgin” (Elgin Marbles), em referência a Lord Elgin, o embaixador britânico junto do Império Otomano que as mandou retirar do templo no início do século XIX.
Esta denominação é contestada por Atenas, que classifica o episódio como saque.
Londres afirma que as esculturas foram “adquiridas legalmente” por Lord Elgin, que mais tarde as vendeu ao Museu Britânico.
Desde 2009 que o Museu da Acrópole dispõe de uma galeria dedicada no seu último piso, onde os quatro lados do Partenon são reconstituídos em tamanho real.
Concebido especificamente para albergar os frisos originais, o espaço precisa, por enquanto, de se contentar em exibir réplicas (moldagens) no lugar das peças em falta.
Na prática, a restituição é impossível neste momento, uma vez que uma lei britânica de 1963 impede o museu de realizar devoluções de obras. Em 2024, o governo britânico reiterou que não iria alterar a lei.
