Atriz Cleo Diára está hoje em Berlim para programa de talentos “Shooting Stars”

por Rui André Soares,    13 Fevereiro, 2026
Atriz Cleo Diára está hoje em Berlim para programa de talentos “Shooting Stars”
Atriz Cleo Diára / DR
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A atriz luso-cabo-verdiana Cleo Diára participa, a partir de hoje, num programa de talentos à margem do Festival de Cinema de Berlim, que é uma oportunidade para chegar ao mercado internacional.

“Um ator ou uma atriz cresce com a possibilidade do trabalho, ele se torna melhor trabalhando. Obviamente me interessa trabalhar com o maior número possível de pessoas, porque isso me dá possibilidade de crescer e melhorar naquilo que eu faço”, disse Cleo Diára em entrevista à agência Lusa.

A presença de Cleo Diára em Berlim insere-se no programa “Shooting Stars”, uma iniciativa que promove anualmente o trabalho de uma dezena de atores e atrizes do cinema europeu, pondo-os em contacto com profissionais da indústria cinematográfica.

“É uma apresentação nossa ao público e também uma oportunidade de conhecermos diretores de casting, produtores, estarmos por dentro da Berlinale e sermos apresentados ao mercado internacional”, explicou a atriz.

Cleo Diára nasceu em Cabo Verde e cresceu em Portugal. Formada na Escola Superior de Teatro e Cinema, é atriz de cinema, televisão e teatro, expressão na qual se estreou há mais de uma década.

Cofundou ainda, com Isabél Zuaa e Nádia Yracema, o coletivo Aurora Negra, que criou os espetáculos “Aurora Negra” (2020), “Cosmos” (2022) e “Missão da Missão” (2023).

Em 2025, Cleo Diára venceu o prémio de melhor atriz na secção ‘Un Certain Regard’ do Festival de Cinema de Cannes, pela interpretação em “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho.

O comité que escolheu os talentos “Shooting Stars” considera “O Riso e a Faca” – já premiado e exibido em vários festivais – como o momento de sucesso internacional do percurso de Cleo Diára, elogiando-a como uma atriz “feroz e feminina”, com uma “autenticidade impressionante”, lê-se em nota de imprensa.

“O prémio tem essa vertente de trazer reconhecimento e mais olhar sobre o nosso trabalho, mas a nossa vida continua igual”, afirmou a atriz, quando questionada sobre o impacto daquela distinção.

Sem expectativas demasiado elevadas sobre a presença no “Shooting Stars”, Cleo Diára lembra que, em representação, ninguém evolui sem trabalhar: “As oportunidades fazem um bom ator, então quero obviamente essa possibilidade de poder trabalhar com muitas outras pessoas”.

Cleo Diára é a primeira atriz negra portuguesa e cabo-verdiana selecionada para este programa europeu de talentos – em 2004 tinha sido escolhido o ator Ângelo Torres – e sobre essa escolha, pediu que sejam os decisores a responder.

“Essa reflexão social não pode ser constantemente colocada a nós. Essas perguntas têm de ser feitas a quem escolhe, a quem distribui. É uma questão injusta para nós. As nossas existências ficam marcadas por isso. A questão tem de ser pensada do outro lado”, defendeu.

Entre os projetos mais recentes nos quais esteve envolvida está o filme “Entroncamento”, de Pedro Cabeleira, que se estreia nos cinemas a 26 de março, e a série policial televisiva “Lisbon Noir” (Prime e TVI).

No teatro, este ano Cleo Diára voltará aos palcos na peça para a infância “O dia em que decidi encenar ‘O Principezinho’”, de Mário Coelho, estreada em 2025 e com novas apresentações ainda por anunciar.

O “Shooting Stars” é uma iniciativa do European Film Promotion, com apoio do programa Europa Criativa, da União Europeia, e vai decorrer até segunda-feira, em paralelo ao festival de Berlim.

Em anos anteriores, o “Shooting Stars” deu a conhecer, por exemplo, Vicente Wallenstein (2025), Alba Baptista (2021), Afonso Pimentel (2007), Nuno Lopes (2006), Ângelo Torres (2004), Diogo Infante e Ana Moreira (1999) e Beatriz Batarda (1998).

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