Ceuta
A Europa está sob ataque, mas os agressores não são os que estão na tua TV. Outras forças mexem no tabuleiro para te fazer pensar que o xeque-mate está aí. O mecanismo é simples, um golpe de espionagem à vista de todos.
Eis a receita: primeiro, instrumentaliza-se a miséria de todos os migrantes (na situação deles, todos faríamos o mesmo para salvar a pele da morte certa ou para alimentar os nossos filhos). Força-se um desembarque de dezenas de milhares de homens (todos homens, todos ao mesmo tempo, coisa que nunca aconteceria de forma orgânica).
Vai daí, e já temos as TVs cheias do típico fetiche de facho: migrantes a correr terra adentro, encaixando na perfeição na narrativa da invasão. (Agarra num mapa e nota que Ceuta nem sequer é na Europa, mas de que importam os factos nesta época?)
A Europa está a ser ameaçada por uma força externa, sim. Mas não é a força pobre.
Muitos são os indícios de que a suposta invasão de Ceuta (entretanto já revertida em grande medida) é uma retaliação israelo-americana contra a defesa patriótica dos valores espanhóis.
O plano é simples: agarrar nos teus medos, fingir que existe uma ameaça, derrubar a confiança da força europeia e miná-la a partir de dentro. Enquanto isso, as forças políticas da extrema-direita, que sonham com a desmantelação institucional de um continente inteiro, vão dar-te as promessas pelas quais anseias, mas que nunca serão cumpridas.
Um cidadão com medo é facilmente manipulável. Um cidadão com raiva, ainda mais. Conhece o teu inimigo.
