‘Chef’ brasileira Bel Coelho apresenta o seu novo livro em Lisboa na livraria da Travessa
A ‘chef’ brasileira Bel Coelho, autora do livro “Floresta na Boca: Amazónia – pessoas, paisagens e alimentos” apresenta segunda-feira a sua obra, em Lisboa, “um diário de viagem” que pretende contribuir para a conservação da biodiversidade e cultura alimentar.
“O ‘Floresta na Boca’ é um registo importante dos nossos ingredientes nativos”, disse à Lusa a ‘chef’ Bel Coelho, acrescentando que o projeto, que compreende um livro e um documentário, constitui um repertório com ingredientes que permitem contribuir para a conservação da biodiversidade e da cultura alimentar.

Com prefácio da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva, este livro de 192 páginas – recentemente lançado na 30.ª Conferência da ONU sobre Mudança do Clima – é o primeiro de uma série que percorre os biomas brasileiros e constitui um “diário de viagem” da autora, em que lança o seu olhar a três elementos fundamentais: pessoas, paisagens e alimentos.
Tudo isto “para tentar entender esse território [Amazónia] que, a despeito da enorme projeção mundial, é muito desconhecido”, lê-se no livro bilingue (português e inglês) da editora Fósforo.
Nesta viagem, Bel Coelho foi acompanhada de uma equipa multidisciplinar, da qual fazem parte a ilustradora e diretora de arte Marina Aranha, o ecólogo Jerônimo Villas-Bôas, a jornalista Janaina Fidalgo e as fotógrafas Carol Quintanilha e Lari Lopez.
Dividido em três capítulos – Baixo Tocantins, Xingu e Tapajós -, que correspondem aos principais rios percorridos na expedição -, o livro, apoiado pelo Instituto Arapyaú, tem um glossário com 62 ingredientes e reflete a riqueza ecológica e sociocultural do bioma por meio dos sistemas alimentares.
Bel Coelho, destaca a importância de ingredientes nativos, como o açaí, o cacau, a mandioca e a castanha-do-brasil, dá voz aos protagonistas da região e apresentada 10 receitas – três criações da sua autoria e sete de mulheres que fizeram parte da viagem pelo Pará.
No seguimento de uma pesquisa da ‘chef’, com mais de 15 anos, sobre ingredientes nativos e o desejo de fazer um menu “todo dedicado aos biomas brasileiros”, a obra regista ensinamentos de uma expedição de 2025 pelo estado do Pará e constitui a primeira viagem de um projeto, que tenciona continuar, nos próximos anos, em Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.
Bel Coelho, ativista de uma alimentação saudável e acessível a todos os brasileiros, é ‘chef’ dos restaurantes paulistanos Cuia e Clandestina, este último que venceu em 2025 o título do melhor restaurante de comida brasileira em São Paulo, segundo os votos do júri d’O Melhor de São Paulo; e conquistou, também, no mesmo ano, o primeiro selo Bib Gourmand da Michelin, que reconhece os melhores restaurantes ‘preço-qualidade’.
A ‘chef’ salienta que a grande lição que retirou foi sobre como as pessoas, que vivem da floresta e contribuem para a conservação, atuam. E refere que agem “sempre em comunidade”. E isso é, segundo Bel Coelho, uma aprendizagem gigantesca e “talvez a grande solução para as questões ambientais que enfrentamos”.
“O poder do Ter ainda limita o potencial do Ser” refere a ministra do Ambiente do Brasil no prefácio. “[Mas] cada vez que uma comunidade se reúne para celebrar seus saberes ancestrais e os transforma em sustento para a vida, ganhamos mais força para persistir”, conclui.
“Numa época de desmantelamentos, incêndios e garimpos ilegais em que os pacotes de ultra processados se acotovelam nas prateleiras dos supermercados, a autora ressalta a importância da comida de verdade”, escreve, ainda, Drauzio Varella, médico e escritor brasileiro.
O livro é apresentado segunda-feira, às 19:00, na livraria da Travessa, em Lisboa, numa conversa entre a autora e o ecólogo Jerônimo Villas-Bôas, com mediação da jornalista Alexandra Prado Coelho.
Os direitos autorais da publicação serão destinados integralmente às organizações de base comunitária que contribuíram para a elaboração do livro.

