Como Máximo Ferreira nos mostra como “O Céu é o Máximo!”

por José Malta,    11 Agosto, 2025
Como Máximo Ferreira nos mostra como “O Céu é o Máximo!”
Fotografia via Facebook de Máximo Ferreira

“O Céu é o Máximo!” é o título da mais recente obra de divulgação científica de Máximo Ferreira, físico, astrónomo e coordenador do Centro de Ciência Viva de Constância. Publicada no âmbito da Colecção Ciência Aberta da Gradiva, o título acaba por fazer um trocadilho com o nome do autor, tal como explica Carlos Fiolhais, professor emérito da Universidade de Coimbra, na introdução ao livro. O céu é o máximo porque nele encontramos estrelas, planetas, galáxias e um infindável conjuntos de corpos celestes absolutamente estrondosos, mas é também o Máximo (com letra maiúscula) pois Máximo Ferreira tem sido nos últimos anos um dos maiores divulgadores da astronomia em Portugal, procurando captar a atenção do público por esta ciência fascinante e pelos mistérios que ainda nela se encontram por desvendar.

Nos primeiros dois capítulos, Máximo Ferreira introduz-nos “A Terra no Centro do Universo” e “O Sol no centro do Mundo”, mais concretamente a teoria Geocêntrica e Heliocêntrica, respectivamente, que geraram grandes disputas durante séculos, e que marcaram o modo como olhamos para o céu. Partindo dos princípios de Ptolomeu, até às evidências de Copérnico e Galileu e a luta de ambos na comprovação das suas teorias numa época de perseguição e de grande pressão por parte da Igreja Católica. No terceiro capítulo o autor introduz-nos as “Distâncias em Astronomia” e a unidade astronómica (UA) que representa a distância da Terra ao Sol, calculada por Edmond Halley, o astrónomo britânico que hoje é mais conhecido pelo célebre cometa, a partir dos trânsitos de Mercúrio e Vénus. O autor mostra-nos também que o ano-luz, que representa a distância que a luz percorre num espaço de um ano, acaba por ser uma unidade bem mais representativa da distância que as restantes estrelas se encontram da Terra, assim como o parsec.

Capa do livro / DR

Segue-se “Um Universo de Galáxias”, onde é retratado o modo como ao longo de muitos anos vários astrónomos se aperceberam que havia estrelas e nebulosas fora da Via Láctea. Porém, a evidência de outras Galáxias para além daquela onde nos encontramos, só viria a ser comprovada por Erwin Hubble no início do século XX, que também deduziu que o universo se encontrava em expansão através da análise espectral da luz recebida das mesmas, sendo que esta observação viria a fundamentar a teoria do Big Bang. Em “Formação e Evolução e Fim das Estrelas”, Máximo Ferreira explica-nos como são medidas as distâncias e o brilho das estrelas, que existem dois caminhos distintos no que toca à morte das estrelas. As com tamanho semelhante à do Sol, extinguem-se ao expandirem numa gigante vermelha e contraindo mais tarde numa anã branca. As com um tamanho muito superior à do Sol, têm um final mais violento, transformando-se numa supernova e em alguns casos num buraco negro. Conseguimos observar alguns destes corpos celestes a partir da Terra.

Em “Esfera Celeste” é nos introduzido o conceito desta esfera imaginária centrada no nosso planeta e que serve como plano de referência do nosso céu, bem como também noções básicas sobre os planos da Terra, a história das constelações que já vem desde a antiguidade e que nos são tão conhecidas como a Ursa Maior, a Ursa Menor (que tem na sua extremidade a tão célebre Estrela Polar que inidica o norte), a Cassiopeia, ou as constelações do zodíaco. O autor mostra-nos também como as estrelas que as compõe se encontram a distâncias muito diferentes, embora para o observador na Terra estejam aparentemente no mesmo plano. Aprendemos que o brilho das estrelas mais brilhantes das constelações são identificadas com letras gregas, sendo que a mais brilhante com a letra alfa (α), a segunda mais brilhante com a letra beta (β), e assim por diante. Segue-se “O Sistema Solar na Galáxia”, uma continuação do capítulo anterior onde é feita uma abordagem à formação do nosso sistema e dos seus constituintes, nomeadamente os diferentes planetas e a cintura de asteroides. São introduzidas as coordenadas horizontais e equatoriais, sendo que as primeiras dependem da hora da observação e da posição do observador, e as segundas são constantes ao longo do tempo e independentes da posição do observador. Com ambas conseguimos localizar as estrelas, os planetas, e as constelações que nos são tão familiares.

No oitavo capítulo, “O Céu e as estações do Ano” conseguimos perceber a variação da posição das estrelas e das constelações nos céus devido à translação da Terra, e que apenas algumas constelações são apenas visíveis num dos hemisférios durante o Verão ou no Inverno. Os objectos de Messier, catalogados com a letra M seguida de um número árabe, são também introduzidos, bem como o New Generation Catalogue (NGC) e o Index Catalogue (IC) que seguem uma lógica semelhante, havendo também outros símbolos que representam galáxias, enxames globulares, enxames abertos e enxames abertos envolvidos em nebulosas. O autor faz questão de nos convidar a enveredar nesta viagem pelo céu infindável, onde conseguimos encontrar objectos que vão para além da esfera celeste e que não são observados à vista desarmada. O caso das Plêiades (M45), um aglomerado de estrelas jovens, são uma excepção desses objectos que podem ser observados a olho nu a partir da Terra, pois grande parte dos enxames e aglomerados de estrelas e galáxias, encontram-se para lá da esfera celeste.

Por fim, o livro termina com “Constituição e Manuseamento de Binóculos e Pequenos Telescópios”, uma abordagem mais técnica de como conseguimos facilmente observar o céu com objectos que não têm necessariamente de ser sofisticados. O autor acaba por dar dicas de como se consegue observar facilmente o céu ajustando os binóculos ou, para os mais ambiciosos, utilizando devidamente telescópios refractores e reflectores, convidando o leitor a fazê-lo no Centro Ciência Viva de Constância. No fim do livro existem ainda quatro apêndices que incluem: a lista das 88 constelações que conhecemos; as 30 estrelas mais brilhantes, constelação a que pertencem, distância da Terra e magnitude; a lista dos objectos de Messier tratados no capítulo “O Céu e as Estações do Ano”; e ainda uma breve explicação de como podemos consultar a carta celeste, que acaba por ser uma representação plana da esfera celeste. 

Em “O Céu é o Máximo!”, Máximo Ferreira expõe-nos as noções básicas de astronomia com alguns pressupostos mais complexos, procurando mostrar-nos aquele que foi durante muitos anos (e continua a ser) o seu objecto de estudo, conferindo-nos uma viagem onde encontramos um pouco desse céu cujos limites são, por enquanto, desconhecidos. Com esta obra, Máximo Ferreira consegue facilmente mostrar-nos o céu como referência da matriz humana desde a antiguidade, graças à sua dimensão e ao fascínio por alguns mistérios que ainda estão por desvendar. O céu é um objecto científico que está ao acesso de todos, durante todas as noites, e faz-nos sentir que é possível ir sempre mais além cada vez que o observamos com alguma curiosidade e minúcia. É assim que Máximo Ferreira nos mostra o seu céu, um céu que é todos nós, que está ao alcance de todos, e onde ainda existe tanto por descobrir. E é por essas razões que o céu é mesmo o máximo!

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