Concursos para direções culturais são “falso gesto democrático”, refere o encenador Ricardo Pais

por Lusa,    14 Outubro, 2025
Concursos para direções culturais são “falso gesto democrático”, refere o encenador Ricardo Pais
Ricardo Pais / Fotografia de José Caldeira – TNSJ

O encenador Ricardo Pais classificou como “estupidez canina” e “falso gesto democrático” os concursos para direções na Cultura, embora veja com bons olhos a escolha de Vitor Hugo Pontes para liderar o Teatro Nacional São João, no Porto.

No Porto, à margem de um ensaio de imprensa de um dos espetáculos que fazem parte do programa “RP 80”, que celebra os 80 anos de Ricardo Pais, o ex-diretor do TNSJ afirmou que, embora o trabalho de Vítor Hugo Pontes seja “muito interessante e bom”, a fórmula do concurso para uma casa que é uma Entidade Pública Empresarial (EPE) é “duvidosa”.

“Eu acho os concursos uma estupidez canina. É um falso gesto democrático convidar pessoas para virem do estrangeiro para ganharem a miséria que se ganha aqui”, afirmou.

Para Ricardo Pais, o sistema atual serve para o Estado se demitir da responsabilidade de perceber, com quem sabe, como se escolhe um bom diretor.

“A escolha deveria ser uma escolha pré-selecionada, não devia ser qualquer pessoa que vem. Depois isto dá aquela coisa muito simpática, que é – e que deu um jeitaço durante a ‘ditadura costista’ – a gente considerar que estamos a ser imensamente democráticos, porque abrimos concurso”, defendeu.

Para o encenador, esta prática “não tem cabimento”, ainda mais “numa casa que passou anos a tentar ser autónoma, com modos próprios dos teatros”.

O ex-diretor do TNSJ criticou igualmente o que considera ser uma pancada “escandalosa” aplicada a anteriores responsáveis daquele teatro, referindo-se ao caso do presidente do conselho de administração do TNSJ, Pedro Sobrado.

“Claro que depois quando as coisas não correm bem, leva pancada quem está a chefiar estas coisas sem ter culpa nenhuma, como a pancada que levou o Pedro Sobrado recentemente e que foi absolutamente escandalosa”, criticou.

O coreógrafo e encenador Victor Hugo Pontes foi o nome escolhido no concurso internacional, lançado em abril, para assumir funções de diretor artístico do TNSJ para o quadriénio de 2025/2028, depois de o candidato selecionado no anterior, o realizador Tiago Guedes, ter retirado a candidatura, “invocando compromissos profissionais em 2025 que se revelaram inadiáveis e incompatíveis com o exercício das funções para que seria designado”.

Gostas do trabalho da Comunidade Cultura e Arte?

Podes apoiar a partir de 1€ por mês.