Consórcio da “Prescrição Cultural” propõe modelo para integrar a cultura nas políticas de saúde
A Universidade do Porto, líder do consórcio que integra a Universidade do Minho e a UTAD, museus, a Direção-Geral da Saúde, a Ordem dos Médicos e a CCDR Norte, vai apresentar no dia 2 de junho um modelo-piloto para integrar atividades artísticas e culturais nas políticas de saúde. “O objetivo é contribuirmos para a institucionalização da Prescrição Cultural nas políticas de saúde e bem-estar”, afirma Fátima Vieira, vice-reitora da Universidade do Porto.
O 3.º Encontro Internacional de Prescrição Cultural, que irá decorrer a 2 de junho na Universidade do Porto, vai propor um modelo-piloto para integrar a cultura nas políticas de saúde e bem-estar em Portugal, um contributo para a “Estratégia Nacional de Saúde e Cultura” que está a ser preparada pela Direção-Geral da Saúde. A proposta partirá da Universidade do Porto, que lidera o Consórcio da Prescrição Cultural, o qual integra a Universidade do Minho e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), museus municipais do Norte do país, a Direção-Geral da Saúde, a Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).
“O objetivo deste consórcio é definir um modelo que contribua para a institucionalização em todo o país de uma rede ativa entre universidades, museus, unidades de saúde, ordens profissionais e entidades públicas, para integrar a Prescrição Cultural nas políticas de saúde”, afirma Fátima Vieira, vice-reitora para a Cultura e Museus da Universidade do Porto. “Incluir a participação em atividades culturais e artísticas – como música, dança, teatro, escrita criativa ou visitas a museus – nos cuidados de saúde e bem-estar em Portugal será o núcleo da estratégia nacional que vamos propor, a qual terá de passar pela formação alargada de profissionais nas áreas da Saúde, Psicologia, Artes Plásticas, Museologia, História da Arte e Ciências da Educação”.
A Direção-Geral da Saúde já constituiu um grupo de trabalho dedicado à definição de uma estratégia nacional nesta área. Para essa estratégia, o Consórcio da Prescrição Cultural reivindica um modelo integrado que cubra todas as etapas do ciclo de prescrição cultural. “Esta visão que nos próximos anos será implementada na Região Norte irá consolidar um modelo de atuação que prove ser eficaz para a integração e sustentabilidade da Prescrição Cultural nas políticas de saúde”, afirma Fátima Vieira. “A prescrição cultural deve ser entendida como um recurso complementar a integrar no Serviço Nacional de Saúde (SNS), permitindo que profissionais desta área referenciem pessoas para atividades artísticas e culturais estruturadas, acompanhadas por mediadores e adaptadas às suas necessidades, com monitorização e produção de evidência científica”.
A Universidade do Porto já se antecipou na definição dos modelos de formação, estando de momento a garantir a segunda edição destas formações. Apostou na formação precoce de profissionais através da unidade curricular de “Prescrição Cultural”, dirigida a todos os estudantes que estejam inscritos no 2.º e 3.º ciclos de estudo de Psicologia, Saúde, Artes Plásticas, Museologia, História da Arte, Ciências da Educação, ou no 4.º ou 5.º ano de um curso de mestrado integrado da Universidade de Porto. A universidade já certificou em Prescrição Cultural grupos de profissionais de saúde, artistas e mediadores culturais.
A Prescrição Cultural teve origem no Reino Unido nos anos 1990, tendo integrado atividades culturais e sociais das comunidades na promoção da saúde. Atualmente esta prática está disseminada por toda a Europa e promove uma aliança crescente entre serviços de saúde, instituições culturais e comunidades locais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem destacado o papel das artes na promoção da saúde e do bem-estar, valorizando a interligação entre cultura, arte e saúde como contributos para uma vida mais plena, equilibrada e com maior qualidade.
Sessões, workshops e apresentações
O 3.º Encontro Internacional de Prescrição Cultural vai reunir académicos, políticos e profissionais que partilham o princípio de que a referenciação para práticas artísticas e culturais de natureza criativa, participativa e acompanhada tem um impacto positivo na saúde. O programa do dia 2 de junho, no Salão Nobre da Reitoria, inclui sessões, workshops e apresentações envolvendo médicos de Medicina Geral e Familiar, artistas certificados pela formação em Prescrição Cultural da Universidade do Porto, mediadores sociais e culturais e representantes de Unidades Locais de Saúde (ULS), psicólogos, entre outros.
O Encontro é aberto ao público com inscrição gratuita, a qual tem 1 de junho como data-limite. Os workshops irão decorrer na Casa Comum da Universidade do Porto.
Está em curso um projeto-piloto de Prescrição Cultural com estudantes da Universidade do Porto no âmbito do programa BambUP (Programa de Promoção da Saúde Mental da U.Porto), envolvendo artistas certificados em Prescrição Cultural. Será avaliado o impacto no bem-estar e as condições para a eficácia deste tipo de intervenções.
A formação em Prescrição Cultural da Universidade do Porto é constituída por dois módulos. O primeiro é de “Prescrição Cultural e Saúde Mental: Formação Integrada para Profissionais da Saúde e da Cultura”. O segundo módulo aborda a “Dinamização Cultural e Artística em Projetos de Prescrição Cultural, sendo dirigido a profissionais das artes e da cultura que tenham concluído o primeiro módulo.
