Convento de Cristo, em Tomar, e Palácio da Ajuda, em Lisboa, foram os equipamentos culturais com maior peso nas entradas gratuitas

por Lusa,    1 Agosto, 2026
Convento de Cristo, em Tomar, e Palácio da Ajuda, em Lisboa, foram os equipamentos culturais com maior peso nas entradas gratuitas
©Palácio Nacional da Ajuda | Sala do Despachio do Palácio Nacional da Ajuda
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O Convento de Cristo, em Tomar, e o Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, foram os equipamentos culturais onde o programa Acesso 52 teve maior peso nas entradas gratuitas, representando 70,7% e 69,4% dessas visitas, revelam dados estatísticos oficiais.

Contactada pela agência Lusa sobre o número de entradas gratuitas nos 38 museus, monumentos e palácios geridos pela Museus e Monumentos de Portugal (MMP), a empresa pública que os tutela avançou um quadro estatístico que as contabiliza entre 01 de junho de 2025 e 31 de maio de 2026, período usado como referência por ter sido a partir dessa altura que foi aplicado “um novo sistema de bilhética que permite uma medição mais fiável”.

Em todas as instituições, o Acesso 52 nunca atinge os três quartos das entradas gratuitas, representando, na maioria dos casos, cerca de metade a dois terços dessas entradas, descendo a cerca de um terço em museus como o Nacional do Azulejo, em Lisboa, e a menos de um quarto das gratuitidades, no Mosteiro dos Jerónimos, não chegando a ser usado em instituições do interior como o Museu Rainha D. Leonor, em Beja, e da Terra de Miranda, em Miranda do Douro.

De acordo com a MMP, a totalidade das entradas gratuitas, em todas as modalidades, ascende a 1.697.223 nesse período, representando a medida Acesso 52, exclusiva para residentes, um total de 849.240 entradas, 50% das entradas gratuitas.

No mesmo período, ainda segundo os dados estatísticos, o total de entradas pagas e gratuitas ascende a 3.951.639 visitas.

O quadro estatístico a que a Lusa teve acesso compara a utilização do programa Acesso 52 pelos visitantes com o conjunto das modalidades de gratuitidade registadas nesses 12 meses entre 2025 e 2026, revelando que o Convento de Cristo registou 130.968 entradas gratuitas, das quais 92.602 corresponderam ao Acesso 52 (70,7%), seguindo-se o Palácio Nacional da Ajuda, com 58.573 entradas gratuitas, com 40.647 utilizações do programa (69,4%).

Entre os equipamentos onde o Acesso 52 teve maior expressão relativa figuram ainda o Palácio Nacional de Mafra, com 81.290 entradas gratuitas, das quais 52.416 através desta modalidade (64,5%), o Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, com 23.914 entradas gratuitas, incluindo 15.323 do Acesso 52 (64,1%), o Panteão Nacional, em Lisboa, com 39.516 entradas gratuitas, das quais 25.190 ao abrigo do programa (63,7%), e o Mosteiro de Alcobaça, que registou 92.612 entradas gratuitas, incluindo 57.614 do Acesso 52 (62,2%).

Seguem-se o Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, em Lisboa, e o Mosteiro da Batalha, ambos com um peso de 60% do Acesso 52, correspondendo, respetivamente, a 11.830 entradas em 19.705 gratuitidades, e a 84.855, em 141.362 visitas.

O Castelo de Guimarães registou 137.533 entradas gratuitas, das quais 79.043 através do programa (57,5%), o Museu de Arte Popular contabilizou 5.547 gratuitidades, incluindo 3.181 do Acesso 52 (57,3%), e o Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, em Évora, somou 17.226 entradas gratuitas, das quais 9.638 ao abrigo da medida Acesso 52 (56,0%).

Com valores próximos de metade das gratuitidades encontram-se a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, em Lisboa, com 6.992 entradas gratuitas, incluindo 3.776 do Acesso 52 (54,0%), o Museu Nacional da Resistência e Liberdade, em Peniche, com 90.945 entradas gratuitas, das quais 48.411 através da medida (53,2%), o Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, com 37.999 gratuitidades, incluindo 19.436 do Acesso 52 (51,1%).

Ainda rondando a metade das entradas gratuitas no programa está o Museu Nacional da Música, com 33.405 entradas gratuitas, das quais 16.893 no Acesso 52 (50,6%), o Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, com 17.455 gratuitidades, incluindo 8.812 (50,5%), e o Museu Nacional do Teatro e da Dança, em Lisboa, com 3.387 entradas gratuitas, das quais 1.696 da medida só para residentes (50,1%).

O Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, registou 71.345 entradas gratuitas, das quais 35.041 corresponderam ao Acesso 52 (49,1%).

Abaixo dos 50% situam-se, no mesmo quadro estatístico da MMP, o Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães, com 183.914 entradas gratuitas, incluindo 88.109 do Acesso 52 (47,9%), a Fortaleza de Sagres, com 66.940 gratuitidades, das quais 31.655 (47,3%), o Museu Nacional do Traje, em Lisboa, com 15.207 entradas gratuitas, incluindo 6.064 (39,9%), o Museu Nacional de Conímbriga, com 59.697 gratuitidades, das quais 23.731 da medida (39,8%).

Neste grupo, com o impacto do Acesso 52 abaixo de metade das entradas gratuitas, estão também o Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa, com 16.776 entradas gratuitas, incluindo 6.327 ao abrigo do programa (37,7%), o Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, com 14.743 gratuitidades, para 5.210 (35,3%), o Museu de Alberto Sampaio, em Guimarães, com 35.133 entradas gratuitas, das quais 12.318 (35,1%), no Acesso 52.

O impacto do Acesso 52 diminui ainda mais no Museu Nacional Grão Vasco, em Viseu, que registou 49.056 gratuitidades, das quais 16.964 (34,6%) da Acesso 52; no Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa, com 27.215 entradas gratuitas, incluindo 9.377 (34,5%) do mesmo programa, o Museu dos Biscainhos, em Braga, com 38.917 gratuitidades, das quais 10.363 (26,6%), e o Museu do Abade de Baçal, em Bragança, com 9.201 entradas gratuitas, incluindo 2.401 exclusivas a residentes (26,1%).

Entre os equipamentos onde o peso do programa foi mais reduzido destacam-se o Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, com 110.282 entradas gratuitas, das quais apenas 25.301 corresponderam ao Acesso 52 (22,9%), e o Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, em Braga, com 49.909 gratuitidades, incluindo 4.853 através da Acesso 52 (9,7%).

A Torre de Belém, em Lisboa, – que reabriu no final de maio após obras do Plano de Recuperação e Resiliência – registou 1.889 entradas gratuitas, das quais apenas 168 através desta modalidade do Acesso 52 (8,9%), o valor percentual mais baixo entre os equipamentos com utilização do programa.

O quadro estatístico contém ainda situações distintas entre os equipamentos onde o programa não registou qualquer utilização: os museus Rainha D. Leonor, em Beja, e da Terra de Miranda, em Miranda do Douro, contabilizaram, respetivamente, 4.764 e 3.806 entradas gratuitas, mas nenhuma através do Acesso 52.

Quanto aos museus da Cerâmica, nas Caldas da Rainha, Dr. Joaquim Manso, na Nazaré, de Lamego e o Museu Nacional de Arqueologia encontravam-se encerrados para obras ou reestruturação, durante o período analisado.

O Governo anunciou nas últimas semanas a revisão do programa Acesso 52, medida lançada em agosto de 2024 pela então ministra da Cultura Dalila Rodrigues, que desvinculou a gratuitidade da exclusividade dos domingos, passando os cidadãos nacionais e residentes estrangeiros a dispor daquele número de dias de acesso gratuito por ano civil, que podem ser utilizados em qualquer altura da semana à escolha do visitante, através de um registo digital associado ao NIF.

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