“Coração Sem Medo”, de Itamar Vieira Junior, apresentado nas Correntes de Escritas

por Mário Rufino,    1 Março, 2026
“Coração Sem Medo”, de Itamar Vieira Junior, apresentado nas Correntes de Escritas
Itamar Vieira Junior / DR
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O festival literário da Póvoa de Varzim recebeu a apresentação do último livro de Itamar Vieira Júnior.
“Coração sem Medo” (D. Quixote) fecha a trilogia começada com “Torto Arado”

A sala dos atos, no Cine-Teatro Garrett, encheu para ouvir Maria do Rosário Pedreira, editora em Portugal do escritor brasileiro, relembrar que o sucesso de Itamar Vieira Júnior começou em Portugal, com a edição de “Torto Arado”. Agora, está traduzido em mais de 30 línguas e é reconhecido no Brasil.
Depois do livro premiado com o Prémio Leya, veio “Salvar o Fogo”.

“Coração sem Medo”, livro também sobre a culpa, fecha a trilogia. Itamar Vieira Júnior recordou que tudo começou nas Correntes d`Escritas. Saiu do anonimato para falar neste festival, que o recebia, novamente. Nessa altura, nem editora no Brasil tinha. Segundo o autor, a história de “Coração sem Medo”, não existiria sem “Torto Arado”.

DR

Na escrita do primeiro romance da trilogia, percebeu que a história não terminaria ali. Era o começo de um projeto maior. Rita Preta descende de personagens de Água Negra, onde decorre a ação de “Torto Arado”. Ela é uma mulher com vida difícil, que faz parte da classe baixa, herdeira da diáspora africana no Brasil, mas que namora, se diverte, e leva a vida para a frente. Ela vê a sua vida transformada num pesadelo quando Cid, o filho mais velho, foge de casa depois de discutirem.

De início, a mãe pensa que é um desentendimento passageiro, mas depois vê que é mais grave do que pensara. A sua procura do filho irá pôr em risco emprego, namoro e até a própria vida. A personagem precisa de afastar o medo para descobrir a verdade. A procura estende-se a necrotérios e cadeias. Segundo o autor, é uma história que faz parte do quotidiano dos brasileiros, em que jovens negros desaparecem misteriosamente. A trilogia é, desta forma, fechada com um novo olhar sobre a realidade brasileira.

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