Entrevista. Berta Dávila: “Nem sempre podemos dar como garantidos os nossos direitos, mesmo aqueles que parecem assegurados”

por Ana Monteiro Fernandes,    11 Março, 2026
Entrevista. Berta Dávila: “Nem sempre podemos dar como garantidos os nossos direitos, mesmo aqueles que parecem assegurados”
Berta Dávila / DR

O título original é “Os Seres Queridos” e, na versão portuguesa, o título é “Esse lugar”. Trata-se da segunda obra editada em Portugal da escritora galega Berta Dávila, pela Penguin, após o livro “A Ferida Imaginária”, pela Limoeiro Real. A autora foi duas vezes distinguida com o Prémio da Crítica Espanhola, sendo “Esse Lugar” vencedor do Prémio Xerais. Mas que lugar é esse afinal do qual o título nos fala? Primeiramente, leva-nos a pensar no espaço que cada palavra ocupa no meio de uma página, o que as palavras significam e como as contornamos ou adornamos: “Para mim, é um romance sobre a escolha, sobre a escolha de escrever, sobre as palavras com as quais escrevemos e como podemos contornar os lugares comuns quando escrevemos sobre um tema que está na agenda mediática. Começar com o preâmbulo tal como foi feito, coloca a escrita no seu lugar, avisa qual é o lugar a partir do qual se escreve este livro. Fá-lo de uma forma um tanto ao quanto paródica, de maneira a evitar soar autocondescendente, e esta foi uma boa forma de início.”, refere a autora.

Os temas mediáticos em questão são a depressão pós-parto, o aborto e Berta Dávila avisa que não é que falte ficção sobre estas temáticas, “nas suas versões mais cinematográficas, que proporcionam mais trama, mas que não me interessavam neste momento. Interessava-me mais a sensação de estranheza ou de desajuste na construção deste vínculos.” Resta dizer que a fuga aos lugares comuns quando se abordam estas questões foi bem conseguida através do pensamento sobre o lugar e significado de cada palavra, assim como sobre a reflexão do que significa, afinal, pintar uma palavra com uma definição.

Na entrevista que concedeu à Comunidade Cultura e Arte no festival Correntes d’Escritas, quando questionada sobre a realidade de mulheres que partiam de Portugal para abortarem em Espanha, mesmo que o aborto seja legal, a autora explicou como “uma coisa é o estatuto legal do aborto e outra é como isso se traduz na prática: a existência de uma verdadeira garantia de que se trata de um direito de acesso livre e gratuito para qualquer mulher”. E acrescenta que, “nem sempre podemos dar como garantidos os nossos direitos, mesmo aqueles que parecem já ter sido assegurados.” No lugar de autora e editora de livros em galego, falou também sobre o estado da língua que, “no ano passado, pela primeira vez, deixou de ser a língua maioritária na Galiza por muito pouco”, mas também da relação de proximidade que tem com a língua portuguesa. Revela que foi bastante importante para si descobrir, enquanto adolescente, que conseguia ler em português e como, ainda hoje, consegue ler livros que tiveram uma edição prévia no Brasil, ainda antes da edição em castelhano. Para si, o sotaque do norte de Portugal tem muita proximidade com o galego do sul da Galiza e não deixou de destacar o sotaque angolano também: “Quando ouço pessoas de Angola, por exemplo, reparo igualmente que têm uma pronúncia que é praticamente muito parecida com a galega, e é muito mais genuíno ouvi-los. Há esta sensação de pertencer a um espaço linguístico que é claramente comum”. 

O livro “Os Seres Queridos”, na edição portuguesa “Esse Lugar”, já foi escrito há algum tempo antes da edição portuguesa. Fazendo uma retrospectiva, como olha para este livro? Como acha que evoluiu em si? Como escritora, revê-se nele da mesma maneira?

Escrevi o livro já nos anos 2020, 2021, por isso, já passou muito tempo. Ainda me reconheço na obra enquanto escritora, mas também penso que não abrange tudo sobre o que me interessa escrever. É difícil quando um autor está ligado a um único livro, principalmente quando cresce e chega a outras línguas e, por isso, transforma-se no único livro para esses leitores. 

Logo no início do livro surge uma impressão de Lucía bastante interessante. Para ela, falar sobre a própria escrita é como uma criança que nasce morta e isso desfaz o prodígio. Para ela não é literatura, mas sim uma outra coisa, e detesta essa outra coisa. Para si, enquanto escritora, qual é a sua opinião? Falar sobre a escrita desfaz mesmo esse prodígio?

Não tenho uma opinião a favor ou contra, mas interessava-me muito começar este livro com uma espécie de auto-paródia reflexiva sobre o que queria escrever: isso foi muito importante no momento em que o escrevi e, por isso, o livro começa assim. Dei-me conta de que resisti muito tempo a escrever um livro sobre todas estas questões mas, por outro lado, também percebi que essa mesma ideia leva à atracção por um livro, por um projeto. Para mim, é um romance sobre a escolha, sobre a escolha de escrever, sobre as palavras com as quais escrevemos e como podemos contornar os lugares comuns quando escrevemos sobre um tema que está na agenda mediática. Começar com o preâmbulo tal como foi feito, coloca a escrita no seu lugar, avisa qual é o lugar a partir do qual se escreve este livro. Fá-lo de uma forma um tanto ao quanto paródica, de maneira a evitar soar autocondescendente, e esta foi uma boa forma de início. 

“‘Esse lugar’ é um romance sobre a escolha, sobre a escolha de escrever, sobre as palavras com as quais escrevemos e como podemos contornar os lugares comuns quando escrevemos sobre um tema que está na agenda mediática.”

Mas existe sempre uma tensão entre as palavras e o seu real significado, ou seja, a tendência de adornarmos as palavras e de contornarmos o seu significado. Há palavras que podem ser demasiado fortes para a literatura ou, por outro lado, demasiado banais? 

As palavras são sempre como uma mala, carregam muitas outras coisas dentro delas: o peso que têm em diferentes contextos, a forma como abusamos delas e a quantidade de vezes que essas palavras já circularam. Nunca é uma escolha neutra dizer uma ou outra palavra. Nesse sentido, também há neste romance uma escritora que se pergunta continuamente como é lida e como pode escrever as suas palavras e que coisas arrastam com elas. É nesta ficção que se vai construindo, também, a linguagem do livro, uma linguagem que também se nomeia a si própria e a esta protagonista.

Mas é importante para si, enquanto escritora, procurar as palavras certas? 

Sim, é importante pensar nas palavras que uso, mas nunca tenho a certeza de serem as certas. Não creio que sejam as verdadeiras ou as erradas, boas ou más. Mas acho que uma palavra no meio de uma frase tem um determinado efeito: escrever um romance é também não descurarmos a forma como uma palavra se encaixa no meio de uma página.

A depressão pós-parto pode afetar entre 10 e 15% das mães, mas acha que enquanto sociedade, apesar de se falar muito disto, ainda temos dificuldade com esta palavra? Esta palavra pode esbarrar contra a ideia de que o instinto maternal é sempre sagrado? 

Uma das características que reflectem bem o nosso tempo tem a ver com o facto de partilharmos muitos discursos sobre determinadas questões. Falamos muito sobre muitas coisas, e isso por vezes acaba por substituir a forma como nos relacionamos com essas coisas. Por vezes, até acreditamos que o facto de falarmos muito sobre alguns temas acaba por ter algum efeito que, na realidade, pode não existir. É algo que tem a ver com esta dinâmica de trocar relatos e discursos como se fossem coisas, como se substituíssem de alguma forma as acções; por vezes este tipo de relatos é desmobilizador. Nesse sentido, penso que a depressão pós-parto está geralmente representada na ficção, nas suas versões mais cinematográficas, que proporcionam mais trama, mas que não me interessava neste momento. Interessava-me mais a sensação de estranheza ou de desajuste na construção deste vínculos. 

Capa do livro / DR

Disse, numa entrevista, uma coisa muito interessante, que as mães constaram sempre na literatura e ficção em geral, e que têm sempre desempenhado o papel de mães na vida dos filhos e das filhas. Também acabou por dizer que falta às mães escreverem-se a elas próprias.

Durante estes últimos anos têm circulado muitos textos sobre a maternidade, principalmente agora, mas também antes. São narrativas que estão aí, que agora são muito mais visíveis, e que também li. 

Penso, porém, que a autoridade que se dá a essas vozes, ou a forma como as lemos, ou a maneira como todas essas narrativas sobre a maternidade dialogam entre si e não tanto com a literatura, tudo isso diz algo sobre o lugar que ocupam. Há esta expectativa de que um livro que conte esta experiência seja sempre o mesmo livro e, também, a expectativa de que fique confinado a um quarto para as mulheres falarem das suas coisas: não um quarto onde escritoras e escritores falem de literatura e troquem relatos sobre diferentes temas.

O livro também foca uma coisa muito interessante, embora o aborto seja legal, por vezes há o receio da mulher ser julgada ou olhada de lado pelo pessoal médico, o corpo clínico. Até medo de poder ser descoberta por amigos ou familiares no meio de uma clínica, por exemplo. Aqui em Portugal, embora o aborto seja legal, ainda há casos de mulheres que tiveram de encontrar uma solução fora do país, ou por falta de meios ou infraestruturas, ou porque encontraram médicos que são objetores de consciência, mesmo que seja obrigatório serem direcionadas para outros profissionais. Aqui o problema não está só na legalização, mas como essa legalização se traduz na prática. Em abril do ano passado, por exemplo, os dados alertavam que quase 3 mil mulheres foram de Portugal a Espanha para poderem abortar.

Também acontece na Galiza e em lugares de Espanha. Uma coisa é o estatuto legal do aborto e outra é como isso se traduz na prática: a existência de uma verdadeira garantia de que se trata de um direito de acesso livre e gratuito para qualquer mulher. Estamos a falar, além disso, de países como Portugal ou Espanha, onde existe um estatuto legal, mas no mundo contemporâneo há muitos países onde nem sequer isso acontece, onde há um retrocesso nestes direitos. Penso que isto é interessante e que nem sempre podemos dar como garantidos os nossos direitos, mesmo aqueles que parecem assegurados.

“As palavras são sempre como uma mala, carregam muitas outras coisas dentro delas: o peso que têm em diferentes contextos, a forma como abusamos delas e a quantidade de vezes que essas palavras já circularam. Nunca é uma escolha neutra dizer uma ou outra palavra.”

Houve algum tipo de preparação para este livro? Demorou muito tempo para ser concebido? 

O interesse em escrever este livro apareceu num romance anterior — não no imediatamente anterior a este, mas ainda antes. Nesse romance apercebi-me de que havia certos materiais no livro que desequilibravam aquela narrativa e que tinham a ver com a construção do vínculo entre uma mãe e um filho. Esses temas não cabiam naquele livro, porque era um livro sobre outras coisas, e acabaram por ganhar o seu próprio peso. Durante muito tempo foi como uma semente que ficou ali, enquanto procurava interiormente a forma como queria contá-lo e tentava também decidir se queria escrevê-lo ou não.

Além de prosa escreve poesia. O que é que a prosa dá que a poesia não dá, e o que é que a poesia dá que a prosa não dá?

Comecei por escrever poesia: foi a primeira coisa que publiquei, mas também deixei de publicar poesia há bastante tempo. O último livro de poemas é de 2013. Por isso, penso que o tipo de poesia que fazia acabou por encontrar o seu lugar no tipo de narrativa que escrevo. Penso que há bastante continuidade entre as duas coisas e assim se manteve ao longo do tempo.

Mas este gosto pela escrita já veio desde muito cedo?

A minha relação com a leitura, sobretudo quando era criança, e a descoberta de que escrever era uma maneira de contar coisas e de comunicar com os outros apareceu bastante cedo na infância, como suponho que acontece à maioria das crianças leitoras. Depois, tenho simplesmente a sensação de que continuei a fazê-lo e de que me foi sendo possível fazê-lo cada vez mais.

“Escrever um romance é também não descurarmos a forma como uma palavra se encaixa no meio de uma página.”

Começou a fazer edição em 2021. Pela sua experiência, quais os principais desafios na publicação e edição de obras em galego? Por exemplo, como é que compara a edição de obras em galego com, por exemplo, outras línguas de Espanha, como o catalão? 

É difícil dizer quais são os principais desafios, já que penso que os desafios dependem sempre, em todos os aspetos da vida, das expectativas. Penso que a edição em galego, como acontece com a maioria das línguas minoritárias, atravessa simultaneamente várias fricções ou várias tensões. Por exemplo, existe a ideia de que há uma aspiração que se chama literatura normal ou normalizada, e que, portanto, se vê como algo positivo que a literatura galega produza bestsellers ou que produza um tipo de livro que também aparece noutros sistemas maiores e mais comerciais, como o inglês.

Mas, ao mesmo tempo, há uma questão que é o seu próprio tamanho, e também a possibilidade de abordar esse tamanho e a própria condição da literatura galega a partir das possibilidades que ela mesma oferece. E isso foi muito importante para mim na altura de fazer edição.

Por exemplo, no momento de fazer edição foi muito importante perceber que, num lugar como a Galiza, que tem três milhões de habitantes e não é muito extenso, é possível — para não ser ingénua — conhecer realmente os livreiros enquanto ecossistema. É algo que se pode abarcar pelo seu tamanho. Podemos até distribuir os nossos próprios livros.

Poderíamos fazer tiragens mais pequenas, o que nos permitiria arriscar com livros mais complicados. A expectativa de que não se vão vender milhares de exemplares também permite a uma editora galega pequena pensar que não há grande diferença entre publicar um livro muito comercial e publicar um livro muito literário, porque os números não farão com que o projeto editorial falhe. Penso que este espaço é muito interessante: editar livros a partir da própria condição do sistema literário galego e não tentar imitar um sistema literário grande como aspiração.

Berta Dávila / DR

Mas há, efectivamente, autores a escrever em galego com interesse? 

Sim, acho que sempre houve. Nesse sentido, não é muito diferente de há alguns anos, na verdade. Outra questão é o estado que a língua atravessa, o momento em que a língua começa a perder falantes. No ano passado, pela primeira vez, o galego deixou de ser a língua maioritária na Galiza por muito pouco, mas vê-se que é algo que evolui no sentido da perda de falantes. Isto também condiciona as expectativas dos autores que escrevem em galego e o próprio sistema literário.

O galego está, então, a perder terreno.

Sim, foi perdendo falantes paulatinamente. 

Acha que o governo tem desenvolvido boas acções para a preservação da língua? 

Penso que existe um discurso instalado sobre a língua como um bem cultural, um pouco museístico, de museu, de certa forma, que inibe um pouco as questões que têm a ver com a implementação de políticas linguísticas eficazes, que é o que, afinal, faz crescer uma língua.

Mas disse uma coisa interessante, numa entrevista, em que dizia que, se interpretei bem, acaba sempre por haver uma espécie de tensão entre uma língua que é natural de um território e a outra língua.

Sim, claro. Num território com duas línguas em conflito, com diferentes estatutos e posições distintas, a relação nunca pode ser neutra. São sempre relações que causam tensão. Isso também acontece na literatura. Nunca é uma escolha neutra.

“O tipo de poesia que fazia acabou por encontrar o seu lugar no tipo de narrativa que escrevo.”

A língua portuguesa é muito próxima do galego, uma vez que partilharam a mesma língua aquando da transição do latim para as respectivas línguas modernas. Qual é a sua relação com o português, ou o que acha quando ouve português? 

É uma relação muito estreita. É, realmente, uma língua que me é muito próxima. Tenho a certeza de que isto acontece mais com os galegos em relação ao português do que com os portugueses em relação ao galego, o que é lógico. Mas, por exemplo, para mim foi muito importante, por volta dos 13 ou 14 anos, descobrir que podia ler em português sem dificuldade, que podia ler romances, e que também havia literatura no Brasil, assim como música e cinema, e que havia uma hegemonia, digamos, de uma língua muito poderosa que também era a minha.

Isto também é importante para falantes de uma língua pequena: de repente perceber que o teu idioma tem a sobrevivência garantida porque, na realidade, é gémeo de um idioma grande. Isso foi interessante e, também, uma via de acesso a muitos livros e a muita cultura. E continuo a fazê-lo agora. Às vezes, há romances de outras línguas que são traduzidos no Brasil antes de serem traduzidos para castelhano, e tenho a possibilidade de ler essa tradução antes dos falantes que só falam castelhano.

Voltando ao livro, há uma parte que achei muito interessante: quando acontece o aborto, acontece também a morte da avó. Ou seja, é aquela ideia do barco em que, se alguém novo vai entrar, outro tem de sair. Mas esse ser novo não chega, efetivamente, a entrar no barco. O que é que quis transmitir com este paralelo?

Apercebi-me, num dado momento, de que o princípio e o fim da vida eram os extremos com os quais podia fechar o livro. Isto pareceu-me interessante, porque também penso que este é um livro sobre os vínculos; é um livro que fala muito sobre como a experiência transformadora do vínculo maternal também a faz rever o seu vínculo, por exemplo, com a avó. Faz com que reveja em que medida leu essa mulher que a precedeu e como se relacionava ela com o resto das coisas.

Queria, de algum modo, que esse começo fosse uma superfície que permitisse também olhar para o final da vida, para os diferentes momentos da vida que têm certas semelhanças: como nos relacionamos com o início da vida daqueles que amamos e com o final da vida daqueles que também amamos.

Há também uma outra metáfora que achei interessante, principalmente agora, ou seja, esta ideia de que o amor materno também se pode transmitir, talvez não de forma automática, só por ser filho, mas também porque se gosta da personalidade daquela pessoa: a ideia de ver aquela personalidade a desabrochar.  

É a minha maneira de ver os vínculos afetivos em geral. Acho que é interessante a ideia de que falava no início: que o amor maternal é uma denominação muito grande, e dentro do amor maternal está o amor concreto e específico de uma mãe concreta e de um filho específico, que têm a sua própria maneira de se relacionar, que devem estabelecer os seus próprios pactos a partir de certo momento e que devem compreender quem são um para o outro e trabalhar esse vínculo.

Não se pode dar como garantido nenhum vínculo afetivo, penso eu, assim como o vínculo com os filhos. Essa ideia é importante para mim, em geral, e é o ponto de partida da protagonista: a ideia de que se esse vínculo não se produzir de forma magnética, isso não quer dizer que não possa ser construído à sua maneira.

“A Ferida Imaginária” foi o seu último livro. Também foca, de alguma maneira, as relações familiares.

Sim, é um livro diferente, porque é um livro com várias protagonistas cruzadas e vários contextos. O que me interessava nesse livro, para além de muitas outras questões — como a questão da ficção como forma de escape, de algum modo, da realidade, das diferentes formas de ficção e de como se relacionam com a memória — era também esta ideia de construir personagens que têm vínculos afectivos bastante defeituosos, mas que se mantêm. A ideia era investigar um pouco como acontecem essas relações fraternas, ou às vezes entre pais e filhos, que não funcionam totalmente bem e que vão sempre tropeçando pelo caminho.

Como pergunta final, o que acha das várias pronúncias da língua portuguesa? Diz-se que as influências são mais visíveis no norte de Portugal. 

O galego do sul da Galiza é parecido com o sotaque do norte de Portugal. Quando ouço pessoas de Angola, por exemplo, reparo igualmente que têm uma pronúncia que é praticamente muito parecida com a galega, e é muito mais genuíno ouvi-los. Há esta sensação de pertencer a um espaço linguístico que é claramente comum.

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