Entrevista. Francisco Guimarães. “O mote do livro foi a curiosidade”
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Se tivesse de ser entrevistado para o próprio livro, “Convocatória”, o tema a falar seria a curiosidade. Francisco Guimarães conta que a sua curiosidade vai muito para além do futebol e prova disso são as diferentes atividades onde está envolvido, para além do curso universitário que está a frequentar. Neste episódio conhecemos melhor o primeiro livro de Francisco e ficamos a saber que quarteto de livros leva a jogo.
Francisco Guimarães é embaixador para a integridade no desporto, comentador de futebol na Sport TV, cronista, orador e agora autor. Aos 15 anos foi o treinador de futebol mais novo de Portugal. Treinou clubes como o Linda-a-Velha, Estoril Praia, 1º de Dezembro e internacionalizou-se no Delhi United, na Índia. E ainda recebe os parabéns dos jogadores indianos que treinou. Nestes clubes, orientou muitas vezes jogadores mais velhos do que ele.
Neste episódio, que não girou só à volta das quatro linhas, conversámos com este leitor ávido, que publicou o livro “Convocatória – conversas para ir a jogo”, editado pela Casa das letras. O livro tem entrevistas a uma seleção nacional, 23 pessoas, de variadas áreas, divididas pelas posições de futebol. Como escreve Afonso Reis Cabral, num dos prefácios do livro, viver sem decidirmos o nosso onze parece um desperdício, e por isso, Francisco entrevistou personalidades como Albano Jerónimo, Laurinda Alves, Fernando Santos, Miguel Araújo, Miguel Sousa Tavares, José Mourinho e Afonso Cruz. Cada entrevista tem reflexões sobre um tema.
No livro, César Mourão falou das vantagens de ter sentido de humor, Mafalda Ribeiro chamou a atenção para a beleza que a vida nos traz, da resiliência e identidade. Carlos Fiolhais ajudou a perceber que a física não é muito diferente do futebol. Laurinda Alves trouxe a amabilidade e compreensão do outro para cima da mesa e Fernando Santos, o selecionador nacional, falou com uma fé inabalável.
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Fazer esta seleção foi “um grande desafio”, para Francisco Guimarães. Ao podcast Ponto Final, Parágrafo revela que tinha uma lista com cerca de 40 pessoas “partindo de vários princípios: primeiro, a admiração pessoal e profissional”, mas a esta última não lhe chegava. “A humanidade da pessoa também me interessava e, no fundo, era também isso que eu ia explorar no livro. Não só a parte mais técnica e específica, mas como eram temas — o livro fala sobre temas, que, na realidade são a vida de cada um de nós — precisava desse lado mais humano de cada uma das pessoas para além da competência técnica, porque o livro fala sobre a vida”. Esses foram os primeiros critérios, mas, como em qualquer projeto, Francisco também teve de lidar com a disponibilidade das pessoas. Por fim, teve de perceber se não havia incompatibilidade de temas “porque havia temas que se sobrepunham e havia pessoas que iam falar sobre o mesmo tema, então tive de optar”.
Foi por se interessar mais por perguntas do que por respostas que escreveste um livro nestes moldes, como até apontou o amigo Francisco Geraldes, no prefácio. “Acima de tudo”, explica o autor, “foi olhar para cada uma das pessoas e perceber o que cada uma delas me poderia dar. Primeiro foi um exercício muito egoísta. Depois foi perceber que o livro ia ter uma amplitude e abrangência tais que podia ser para qualquer pessoa. O livro fala daquilo que existe no coração do ser humano: desde a morte, à beleza, à relação com a adversidade, o sentido de equipa, uma quantidade enorme de temas, que interessa a cada uma das pessoas que existem na Humanidade”.
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Neste episódio falamos ainda de “Dia do mar”, de Sophia de Mello Breyner; “Cartas a um jovem poeta”, de Rilke; “A morte de Ivan Ilitch”, de Tolstoi; e de “Diário, 1941-1943” de Etty Hillesum.
Na gravação do episódio, Francisco dava-nos em primeira mão a novidade de que as entrevistas do livro passariam a estar também em podcast. Já há vários episódios disponíveis. Podem ouvir o episódio 1 com César Mourão, sobre adversidade, improviso e alegria — ingredientes para o sucesso; o episódio 2, com José Avillez; o episódio 3, com Carlos Moedas, o episódio 4, com Leonor Beleza; e o quinto, com o Padre Pedro Quintela.
Ponto Final, Parágrafo é um podcast sobre literatura, conduzido por Magda Cruz, na ESCS FM em parceria com a Comunidade Cultura e Arte. Já conta com 53 episódios principais em quatro temporadas. Pode ser ouvido em todas as plataformas de áudio.