Entrevista. Isabel Baía Marques: “Não conheço nenhuma mulher neste ramo de textos inspiradores”

por Magda Cruz,    5 Julho, 2020
Entrevista. Isabel Baía Marques: “Não conheço nenhuma mulher neste ramo de textos inspiradores” 
Fotografia de Isabel Baía Marques
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As mulheres não se medem aos palmos nem ao número de voltas ao sol. Isabel Baía Marques lança um novo livro por estes dias e em entrevista ao Ponto Final, Parágrafo revela uma parte da vida até agora escondida: a de artista, na música. 

No 33.º episódio do podcast Ponto Final, Parágrafo a convidada é a escritora de 33 anos Isabel Baía Marques. No podcast de literatura da ESCS FM, em parceria com a CCA, produzido pela Magda Cruz, Isabel fala de três livros que marcaram a sua vida, bem como do livro de estreia, “Juro amar-me”, e do novo livro “Voar Depois de Cair”.

Confere a entrevista completa, em podcast, conduzida pela Magda Cruz:

Ainda não tinha 30 anos quando um caos, como descreveu, afetou praticamente todas as áreas da sua vida. Nessa altura era diretora de recursos humanos numa multinacional. No livro primeiro livro, explica que sentiu o corpo adoecer juntamente com a mente. Muito antes disso, já tinha experienciado estados emocionais intensos.

Foi o diário que foi mantendo que deu corpo ao primeiro livro, “Juro amar-me”, que contém cerca de 130 textos com foco na superação de medo, inseguranças e liberdade. Estudou durante sete anos três níveis de Reiki, uma forma de medicina alternativa, e mais tarde formou-se em Coaching (pessoal e profissional). Trabalhou ainda num escritório de um viveiro, junto da natureza – e escreve sobre tudo isto no livro. 

É agora psicoterapeuta, mas mais cedo na vida tirou um curso profissional em Publicidade e Marketing e um mestrado em Psicologia Social e das Organizações. 

Para além disto, é também artista. Desde 2003 que está no mundo do rap como W-Magic. “Não posso dizer que já fui artista porque continuo com a música em mim e continuo a fazer coisas para mim. Apenas não lanço para fora.” Partilhou palco com Capicua no Super Bock Super Rock de 2016, produziu músicas como “Telhados de vidro” e  “Contando Estrelas Como Um Cego, mas diz ter tido o seu boom com a música “Máscara”.

Há cinco anos, lançou o álbum “Bicho do Mato”, que conta com a participação de Valete, Diogo Piçarra, a fadista Bárbara Santos, entre outros. Já aí contava com três poemas escritos e declamados por Isabel, mesmo sem contar com as letras das músicas. “Está em stand-by essa parte da minha vida. Comecei a escrever pela poesia e levou-me ao rap no sentido de ser próximo com a poesia. Eu gostava de escrever letras grandes e da rima.” 

Isabel conta que foi fazendo o seu caminho nunca pensando na W-Magic e na música como futuro profissional porque não se identificava muito com o ser artista profissional. “Engloba muitas coisas com as quais não me identifico. É uma vida mais noturna, vá, e não me identifico muito com a fama à volta disso.” 

Mesmo antes de ser começar a escrever, já se via mais como autora e não música. “Eu sentia que não estava a dar de mim ao público-alvo certo. Basta ouvir as minhas músicas, as minhas letras, para perceber que sai completamente do panorama do rap.” Isabel diz que o seu rap é mais alternativo, mais poético e que sentiu que do muito reconhecimento que foi tendo não estava a par com o que a artista dava de si – “coisa que não acontece agora com os livros”, ri. 

Isabel Baía Marques está focada na escrita e não devemos esperar novidades da parte da W-Magic. “Sofri uma mudança tão grande e radical, que é o que está no livro, que deixei de me identificar com essa personagem, o que é engraçado”, conta Isabel ao falar da W-Magic. “Parece que houve uma transformação. Acabo por ser a mesma pessoa, mas deixei de ser a W-Magic para ser a Isabel B. Marques”, conta.

Ressalvando que não deixa de ser a mesma arte, escrita para música/ interpretação e escrita de livros, Isabel conta que se distingue como escritora por escrever textos. O primeiro livro continha 130 textos, o novo livro traz ainda mais de 200. “Acho que há uma grande procura de textos. Livros de histórias há muitos e estamos numa era de stress, numa era muito rápida, e as pessoas (…) lêem um texto, ou dois ou três. É mais agradável.”

Fotografia de Isabel Baía Marques

Outra vertente em que Isabel aposta é que a escrita seja compatível com as redes sociais. O primeiro livro começava com texto corrido e as restantes páginas já misturavam poesia, sem a necessidade de rimar. O novo livro, “Voar depois de cair”, já vem num modelo mais partilhável ainda: “Estamos numa era moderna em que há muita partilha, já que as pessoas gostam de partilhar os textos, as frases. Acho que ainda há muito pouco em Portugal neste registo. Para além de serem textos inspiradores. Temos alguns autores, um ou dois, que têm textos de amor, mas inspiradores há poucos.” 

Para além de achar que a oferta neste tipo de leituras é escassa, é também dominada por homens: “Não conheço nenhuma mulher neste ramo de textos inspiradores.” 

Como “especialista em relacionamentos, amor-próprio, autoestima e motivação”, neste novo livro Isabel procurou entrar mais no campo do amor e juntar todas estas áreas que adora. “Juntar tudo, para mim, é a cereja em cima do bolo”. 

Isabel trouxe para o podcast os livros “Jurei Mudar”, do lisboeta Bruno Teles Grilo; “A Vida é um Milagre”, de Karen Henson Jones; e “A resposta está em mim”, do americano Neale Donald Walsch.Houve tempo para alguns versos de “Tabacaria”, do heterónimo Álvaro de Campos. 

A segunda temporada do podcast está a chegar ao fim, mas podes continuar a acompanhar nas redes sociais, ouvir as entrevistas a escritores, editores, poetas, jornalistas e outros amantes da literatura. 

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