Entrevista. Rui Machado, diretor da Cinemateca Portuguesa: “O cinema de património pode ser uma solução para a crise nas salas de cinema”
Reencontro com Rui Machado — num dia de enorme pesar a João Canijo — retomando uma conversa em que se fecha o tema do estado atual da digitalização do património do cinema português e do valor do projeto FILMar para uma cinefilia em português. Pelo caminho, fala-se do cinema de património e da possibilidade de negócio que pode constituir para os exibidores. Como sucedeu ainda muito recentemente com o ciclo do João César Monteiro exibido pelo Paulo Branco, com várias sessões esgotadas. Ou até o apelo para as comunidades locais serem servidas por uma programação de cinema e curadoria eficaz.
Antes de mais queria agradecer a disponibilidade e voltar a falar consigo — mesmo num dia aziago sem o João Canijo —, após a nossa conversa no início do processo de digitalização.
É verdade. Enorme perda o Canijo, e ainda muito novo, na força da sua criação… Com uma obra muito marcante e com o estilo de cinema muito próprio, de autor. Podemos mesmo dizer que há um “cinema João Canijo”.
Agora é, mais do que nunca, inevitável um regresso a toda a sua obra.
A NOS, detentora de direitos de alguns dos seus filmes acabou de adquirir as novas matrizes digitais recentemente produzidas pela Cinemateca, porque creio que quer fazer um ciclo integral do Canijo. Não sei será para os seus canais, ou também para as salas de cinema. Mas há quanto tempo as pessoas não veem o Três Menos Eu? Muitas delas, tirando as poucas vezes que o filme passou aqui na Cinemateca. E isso é uma oportunidade que a digitalização pode disponibilizar.
O João Canijo trabalhava também muito bem com o arquivo.
Sim, o Fantasia Lusitana. Ainda tenho uma foto com ele e com o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa a vermos o filme no Palácio de Belém, uma vez que este filme passou lá na festa do livro, creio eu. Se calhar, em breve, iremos trabalhar na Cinemateca a obra do João Canijo, infelizmente já sem a sua presença…
Mas falemos então de digitalização. Na altura, era só o FILMar ou já era o PRR?
Tudo começou com os recursos próprios da Cinemateca, aos quais se juntaram primeiro as verbas vindo do mecanismo financeiro EEA Grants. Na altura, o processo atrasou-se por causa do Covid. Assinamos o protocolo, aqui mesmo, na Cinemateca, com a Ministra Graça Fonseca (Ministra da Cultura) uma semana ou duas antes do Covid rebentar. Mas foi uma grande caminhada. O que nós fizemos é de considerar. A quantidade de filmes que digitalizámos em tão pouco tempo. E procurando sempre envolver os interessados.

Foi, sem dúvida, uma grande caminhada na recuperação do património fílmico nacional. E era mesmo aí que queria começar: estamos mesmo na fase final do processo de digitalização, certo?
É isso. Já passamos a barreira dos 1000 filmes, afinal de contas a meta que tínhamos, neste caso para cumprir com a Medida PRR, sendo que a estes há a acrescentar os mais de 250 digitalizados, no âmbito do projeto FILMAR . Naturalmente cada realizador pensa que o seu filme é o filme. Isso acaba por atrasar um bocadinho o processo. Mas ainda continuamos. Estamos a digitalizar filmes de todos os universos, com especial ênfase o universo das longas-metragens.
O que falta digitalizar ainda é ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)?
Dentro do PRR temos até 31 de março para terminar a digitalização dos filmes em trabalho. E temos mais de 100 filmes ainda em trabalho — longas e curtas. Das longas, temos uns 30 a 40 filmes, mas vamos acabar até final de março. O resto são curtas metragens. Vai ficar mesmo muito pouco das longas metragens por digitalizar. Mas há uma coisa que também é importante dizer: a Cinemateca vai continuar a digitalizar, não teremos é os meios todos que temos agora, mas esta atividade de digitalização não acaba com os recurso vindos deste projeto.
“Queremos continuar a preservar o cinema português originalmente produzido em película, através da produção de novos materiais fílmicos.”
Sim, o financiamento para a preservação é crucial. Preservação e digitalização. Não só o PRR, mas também o EEA Grants.
Falemos antes de digitalização, porque são dois conceitos diferentes. Apesar de estarmos a fazer uma cópia digital de um filme, a situação patrimonial desse filme melhora, porque é mais um elemento que fica para reforçar a situação patrimonial. Nós consideramos sempre que a digitalização está a ser feita apenas com um fim, que é, circulação. A digitalização para nós é para fins de acesso e difusão apenas. Preservação para nós passa por pegar nos materiais originais conservados na Cinemateca e produzir novos materiais fílmicos a partir desses materiais originais. Algo que estamos a fazer, em paralelo e com muito menos produção, porque naturalmente o nosso foco nos últimos quatro anos foi a digitalização, não escondemos. Mas conseguimos manter a trabalhar o nosso laboratório fotoquímico. Se falarmos de financiamento, eu não posso esconder que estes dois financiamentos foram vitais para termos o cinema português todo acessível. Nós já tínhamos começado a digitalizar cinema português, mas sempre na medida das nossas possibilidades. O máximo 10 filmes por ano. Uma coisa assim.
Isso foi mais ou menos em 2014?
Sim, começou aí. Com os filmes do Paulo Rocha: Os Verdes Anos (1963), Mudar de Vida (1966). Nessa altura, ainda não tínhamos scanners e por isso foram digitalizados na Tobis, ainda. Depois fizemos um acordo com a Cineric (laboratório de restauro e preservação de filmes, sediada em Nova Iorque, que nasce em Portugal através de uma colaboração com a Cinemateca), que, entretanto, aparece, instala um scanner na Cinemateca, podendo o arquivo digitalizar um filme por mês em média. O FILMar foi importante, porque foi o primeiro grande projeto, mas foram 900 mil euros, e depois o PRR foram quase 11 milhões.
Aliás, o laboratório do ANIM é muito bem visto lá fora, certo? Desde logo, o laboratório fotoquímico…
Sim. O nosso laboratório do departamento ANIM é há muito tempo visto como uma referência no mundo das cinematecas. A sua componente fotoquímica é ainda mais importante do que a componente digital do ponto de vista de impacto externo. Temos talvez um dos laboratórios mais bem equipados em toda a Europa, com técnicos muito especializados, embora ainda com uma situação laboral ainda altamente frágil. Algo que se tem de resolver, estando nós a trabalhar com a tutela para isso.
Sim, a preservação da película, que pode ser mantida durante séculos, deve ser uma prioridade.
Sem dúvida. Reforça aquilo que eu disse há pouco: digitalizar não é preservar. Nós queremos continuar a preservar o cinema português originalmente produzido em película, através da produção de novos materiais fílmicos.

Falemos um pouco de cinefilia. Um tema que eu trabalho e que me parece que o projeto FILMar, no fundo, para mim, — eu quero defender isto —, é também uma oportunidade de cinefilia. E aqui no caso também de uma cinefilia nacional, se poder de alguma forma reconfigurar e fazer uma revisitação através do acesso que existe. Enfim, esta é a ideia que eu defendo, mas se calhar um pouco de todos, não é?
Eu acho que o património cinematográfico português e internacional, com a sua digitalização, pode, de facto, ser revisitado aos olhos de hoje, e pode também ser um agente, que pode ajudar a revitalizar o próprio circuito de exibição em sala. Mas ao mesmo não deve ser descurada a aposta no analógico. A Cinemateca tem mais de 100 anos de património fílmico produzido nesse suporte. Não é por acaso que hoje temos este ciclo à volta da projeção (Uma Cinemateca em chamas – Histórias de Projeção e Projecionistas). E não é por acaso que, numa fase em que estamos a digitalizar todo o cinema português, temos que focar o trabalho sobre o analógico. Ao mesmo tempo fazemos isso, também dizemos, mas atenção, não fechamos os olhos ao digital. Essas ideias foram escritas num num documento (Cinemateca em Contexto de Mudança) em que, pela primeira vez, a Cinemateca assume isso. Este património tem de ser digitalizado porque arrisca-se a deixar de ser visto pela maioria das pessoas. E passa ser visto apenas pelas pessoas que vêm aqui à Cinemateca ou a salas de cinema que ainda conseguem projetar uma cópia em película. Mas a Cinemateca é uma entidade nacional, não é só para o público aqui da Cinemateca. Foi por isso que percebemos que temos de investir. Ou seja, como dizia o anterior diretor da Cinemateca, José Manuel Costa, para o digital, a Cinemateca teria que fazer um novo ANIM, para aquilo que já tínhamos feito para o analógico. Nós temos cofres de excelência, projeção de excelência, um laboratório completamente equipado para trabalhar do ponto de vista analógico e tivemos que abrir a outra frente. Tivemos a inteligência e a resiliência , digo isto sem falsa modéstia, de tentar ir buscar financiamento e conseguimos. Hoje temos o património fílmico praticamente todo digitalizado, originando uma maior circulação e um maior conhecimento da sua riqueza, que é o mais importante.
“Esta era uma oportunidade histórica de revisitação da história do cinema português. Há filmes que já não são vistos pelo grande público — e até pelo pequeno público — desde que foram estreados na altura.”
Isso é algo que já se vê. O sucesso do Nimas, por exemplo…
O Nimas avançou com o ciclo do César Monteiro porque já havia este trabalho de digitalização feito. E os filmes passam a ser vistos noutros meios alternativos à sala, como na RTP, por exemplo, que tem exibido algumas das novas cópias resultantes desta digitalização feita pela Cinemateca. Nesse sentido, estou de acordo consigo, pois esta era uma oportunidade histórica de revisitação da história do cinema português. Há filmes que já não são vistos pelo grande público — e até pelo pequeno público — desde que foram estreados na altura.
A partir do momento, em que o cinema passou a ser digital, e a ter esse suporte doméstico (VHS, DVD, etc.), desde final os anos 80, e décadas seguintes, nunca mais esses filmes foram vistos em sala.
Claro. Nós dizemos sempre, como primeira porta de entrada de uma digitalização é a sala de cinema. Não desprezamos as plataformas, edições de DVD ou Blu-ray, Sim. Sim. Televisão. Mas o nosso primeiro foco é sala de cinema.
O meu filho viu na Cinemateca o cartaz do Fight Club (1999), um filme que viu já várias vezes em DVD, e ficou com o desejo de redescobrir a experiência de o ver em sala.
Foi sala cheia na Cinemateca nessa sessão! Numa cópia 35mm! Mas o acesso digital em sala permite revisitar filmes dos anos 50 ou dos anos 60 do século passado… Não é só isso o património – pode revisitar filmes dos anos 80! Dos anos 90!

Claro, isso já é património. De repente, a ideia de poder rever, mas agora em sala, é algo que pode mover esta nova geração. Os próprios anos 2000 começam a ser património — sobretudo para quem apenas viu estes filmes em suporte doméstico. Não acha?
Absolutamente. Há um exemplo que reflete isso tudo num filme que foi digitalizado ainda antes do FILMar. Um dos primeiros filmes que nós digitalizamos foi O Movimento das Coisas (1985), da Manuela Serra. Era praticamente desconhecido, com muito poucos exibições, mas através do novo DCP, e da ida ao Festival Lumière (em 2020), passou a ser visto por centenas de espectadores, muitos deles jovens, através de um distribuidor que apostou no filme. Essa é uma possibilidade de revisitação que o digital permite.
É isso a cinefilia digital. Mas para ver em sala. Essa é que é a grande descoberta.
Sinceramente acho que, e não falamos só do cinema português, o cinema de património mundial é até uma oportunidade de negócio para os distribuidores. Custa-me a entender como não se aposta mais neste segmento. Eu acho que o cinema de património pode ser uma solução para a crise que estamos a viver hoje nas salas de cinema. E pergunto: não seria melhor apostar numa cópia digital de um restauro de um dos grandes filmes da história do cinema, em vez de termos a 17.ª cópia do Fast and Furious ou alguma coisa do género? É verdade que isso implica algum investimento, comprar direitos, investir na comunicação, mas depois pode haver retorno nas salas de cinema para tentar rentabilizar.
É um tipo de negócio que não acompanhou esta mudança que temos agora.
No tempo dos nossos pais, as pessoas iam ao cinema. Claro que era outro tempo, havia menos alternativas culturais que hoje existem. Mas as salas de cinema, mesmo antes do tempo do 25 de Abril, e também depois, estavam cheias. E estavam cheias e com este cinema que hoje chamamos de património. Às vezes com versões censuradas, é verdade.
“O Estado tem mesmo que intervir para criar condições para que haja entidades locais que consigam programar cinema.”
Às vezes também, com condições de projeção que poderiam não ser as melhores.
Também o nível de exigência, se calhar, era menor. Hoje temos um público que tem obrigação de estar mais informado. Há imensas escolas e alunos de cinema. Como é que não se aproveita isso? Há um problema incontornável hoje: as plataformas são o grande concorrente da sala de cinema. Parecendo que não, o cinema torna-se caro para uma família de quatro pessoas, por exemplo. Tudo isto tem esse impacto. Mas eu acredito que o património (o português e internacional) pode ser um agente que pode ajudar a revitalizar o próprio circuito de exibição em Portugal.
Sim e até elementos de componente histórica e social que têm a ver com as épocas que nós não conhecemos. Por exemplo, o projeto FILMar tem vários filmes que são filmes de indústria, filmes etnográficos.
Claro, que provavelmente nunca foram vistos em sala de cinema.
E isso tem um valor de conhecimento inestimável de como era o nosso país naquela altura. Isso permite hoje uma reflexão e um diálogo que não existia antes.
Sim, isso é muito importante. É isso que nós procuramos. O FILMar tinha muito esse foco: não foi só digitalizar cinema, mas também dar a ver às comunidades e acima de tudo, descentralizar um bocadinho este conhecimento.
Sim, se calhar, criando novas curadorias que permitem situar os filmes no seu contexto.
Isso está tudo em discussão. Foi como se sabe criado um grupo de trabalho para discutir a problemática da exibição em Portugal. Acho que o Estado tem mesmo que intervir para criar condições para que haja entidades locais que consigam programar cinema. E não só através do património. A grande vantagem hoje, do ponto de vista técnico, com a digitalização, é que é tão difícil projetar o Aniki Bobó como O Gebo e a Sombra. Estou a falar da primeira longa e do último filme do Manoel de Oliveira. Houve um esforço de investimento nos cineteatros, pois estão quase todos equipados com projeção DCP. Agora falta o quê? Faltam os programadores de cinema locais.

Isso pode chegar de alguma forma algum tipo de apoio a cineclubes? Ou seja, possa haver um redescobrimento dos cineclubes regionais que podem mostrar cinema. No fundo, devíamos devolver o cinema aos cineteatros.
Acho que cada região é uma região. O facto de a programação de cinema estar misturada com a programação de outras artes, é muito importante, mas vai tirar força ao cinema. Uma sessão, por vezes, por mês, num cineteatro não é nada. Acho que o programa que feito paralelamente à digitalização, de investir nas salas dos cineteatros, não sei se foi a melhor ideia. Porque cria uma interdisciplinaridade tão grande em que a exibição de cinema acaba por ser prejudicada. O cinema é programado de vez em quando, em vez de ser todos os dias. O equipamento que foi colocado para exibir cinema não é rentabilizado. Isso é a primeira coisa. A segunda coisa é criar equipas que pensem localmente a programação. Mas há casos felizes: Viana do Castelo, Viseu, em que as câmaras que não têm know-how, juntam-se aos cineclubes e fazem uma parceria com o investimento local. Eu acho que isto tem que ser feito para todo o paísDeveria haver uma equipa local que pensasse cinema todos os dias. Agora, para isso é necessário investimento e orçamento. Porque, infelizmenteas receitas da sala de cinema podem não ser as suficientes para pagar as despesas de ter uma sala aberta e com programação diária.
Ou seja, a digitalização facilita essa, digamos, regionalização.
Acho que estamos perante uma oportunidade de conhecer melhor o cinema português, para que ele chegue a mais gente, ajudando a revitalizar as salas de cinema, e retirar aquele mito que o cinema português é chato ou erudito. As pessoas nem o conhecem. Dizer, por exemplo, que o Manoel Oliveira só fazia filmes difíceis ou longos é não conhecer a obra de Manoel Oliveira.
“Há um problema incontornável hoje: as plataformas são o grande concorrente da sala de cinema. Parecendo que não, o cinema torna-se caro para uma família de quatro pessoas.”
E para quando um grande ciclo integral do Manoel de Oliveira?
Nós já fizemos vários ciclos. Nesta fase prefereria é que os filmes circulassem pelo país. Mas, aí a responsabilidade maior já não é da Cinemateca, tem a ver com os titulares dos direitos. A obra do Manoel de Oliveira é relativamente complexa. Parte da obra está com a empresa Luxbox. A Nitrato comprou os direitos do Aniki Bobó (1942), da cópia agora restaurada (e exibida em Veneza e San Sebastian). Outra parte está com NOS. Mas o facto de não termos filmes de Manoel de Oliveira nas salas de cinema do país já não tem a ver com a dificuldade de se terem boas cópias digitais, mas sim, uma questão de programação das salas.
Uma estratégia como faz o Paulo Branco, no Nimas, e o Pedro Borges, no Ideal?
Sim, são dois bons exemplos, mas há mais no país. O Trindade ou o Batalha, no Porto, mas o país precisa de mais cinemas que passem este tipo de cinemaFico um pouco desiludido com o facto da obra de Manoel de Oliveira não ser mais vista e programada nas salas de cinema em Portugal. A obra do Oliveira tem um problema, que é a sua dimensão. Tem uma obra muito maior do que a do César Monteiro, por exemplo e será difícil uma sala de cinema programar uma retrospetiva integral. Mas outras formas de programar. Na Cinemateca Vamos exibindo os seus filmes e dos outros realizadores portugueses e, como é público, vamos ter um grande ciclo em torno da obra produzida por Paulo Branco e onde vamos de certeza mostrar Manoel de Oliveira.
E quando será?
À partida começará em setembro e continuará nos próximos anos. Devido à dimensão do seu trabalho, decidimos com ele uma cadência de títulos à volta dos 10 por mês. E vamos procurar mostrar as produções nacionais e internacionais.
A partir do momento em que temos todo o cinema português digitalizado, qual deverá ser o passo seguinte?
Estamos a fazer duas coisas: primeiro, contactar os titulares de direitos para a cedência das novas cópias digitais, ficando a Cinemateca apenas com algumas responsabilidades, como a programação da nossa sala; em segundo lugar, nos casos em que os titulares de direitos não estejam em condições de avançar com a circulação dos filmes, trabalhar numa coleção de distribuição. O que é isso? Procurar que os filmes sejam vistos o mais possível. No site da Cinemateca estão lá todos os filmes, cujos direitos já podem estar na Cinemateca: o Paulo Rocha, o Manuel Guimarães, o chamado pacote Tobis, ou todos os filmes que os titulares de direitos nos confiaram esse papel de distribuição. Pode fazer sentido fazer pequenas coleções. Mas sentimos que devemos trabalhar este cinema todo. Talvez de maneiras distintas, mas procurar não deixar nenhum para trás.
Falou das plataformas, para quando uma na Cinemateca?
Além de termos a Cinemateca Digital, já é público que iremos ter uma plataforma da Cinemateca. Será uma plataforma streaming para património. Acima de tudo, para a nossa coleção de distribuição. Paga-se uma mensalidade e as pessoas têm acesso à coleção. Queríamos ver até se tínhamos essa plataforma ainda em 2026. Até para celebrar os 30 anos do ANIM.
Esta entrevista foi editada às 17h30 do dia 19 de Fevereiro para alterar algumas informações nas respostas.
