Exposição de fotografia retrata aves da Palestina e “persistência da vida na catástrofe”

por Lusa,    15 Janeiro, 2026
Exposição de fotografia retrata aves da Palestina e “persistência da vida na catástrofe”
Fotografia de Mohamad Shuaibi
PUB

Uma exposição que reúne fotografias de autores palestinianos centradas na observação das aves que todos os anos cruzam os céus da Palestina, e que simbolizam a esperança na liberdade, será inaugurada no dia 24 nas Mira Galerias, no Porto.

“Aves da Palestina – a persistência da vida na catástrofe” é o tema desta exposição que “apresenta fotografias tiradas por palestinianos que veem os pássaros como mensageiros da esperança”, que “sobrevoam o território sitiado para dizer que ainda é possível viver livre e rasgar com as asas os limites impostos pela ocupação”, anunciaram hoje os organizadores da mostra, em comunicado.

A exposição parte do papel da Palestina como um dos mais importantes corredores migratórios de aves do mundo, atravessado anualmente por milhões de exemplares que viajam entre África, Europa e Ásia, sobrevoando a Faixa Gaza, que classificam como “a ‘maior prisão a céu aberto’, sitiada por terra, mar e ar desde 2007 e agora alvo de um genocídio”, e a Cisjordânia, sob ocupação israelita e alvo de “’apartheid’ e limpeza étnica”.

“Apesar da violência, da opressão e das restrições impostas pela ocupação israelita, os palestinianos continuam a levantar a cabeça para admirar as aves que cruzam o céu e sonhar com liberdade”, explicam.

As imagens mostram aves que constroem ninhos nos buracos de edifícios bombardeados, nos telhados de postos de controlo e nos beirais de torres de vigia, que voam sobre muros de betão que fragmentam o território e empoleiram-se no arame farpado que segrega e confina a população palestiniana.

A exposição inclui o trabalho das gémeas Lara e Mandy Sirdah, que, em Gaza, continuaram a observar e fotografar aves durante o conflito, mesmo depois de terem sido expulsas de casa pelo exército israelita e deslocadas do norte para o sul da Faixa de Gaza, em novembro de 2023, mantendo o registo das espécies avistadas enquanto viviam em deslocação forçada.

Na Cisjordânia, os fotógrafos Mohamad Shuaibi, Saed Shomali e Bashar Jarayseh documentam aves num contexto marcado por restrições de mobilidade “impostas pela ocupação e a violência colonial israelita”, enquanto Sinaa Ababseh utiliza a fotografia de aves como forma de preservar a ligação à terra e valorizar a beleza e biodiversidade local.

A inauguração será seguida, às 18:00, de uma conversa com dois dos autores, Mohamad Shuaibi e Bashar Jarayseh.

Segundo a organização, a exposição procura refletir sobre o significado das aves migratórias para “um povo que vive sob ocupação, limpeza étnica, apartheid e genocídio”, sobre a proteção da vida rodeada “de morte e destruição”, e sobre “como se cuida do ambiente num dos territórios mais devastados do mundo”.

Para Mohamad Shuaibi, o objetivo deste trabalho é mostrar um outro lado menos visível da Palestina: “Não é só morte e bombardeamentos. Há pessoas que se interessam pela vida selvagem, mesmo quando são privadas de tudo. Há vida aqui. E nós amamos a vida”.

A exposição foi organizada com o apoio do Colectivo pela Libertação da Palestina, MIRA Galerias, Meeru, SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e da Associação Ambiental Pé Ante Pé.

Gostas do trabalho da Comunidade Cultura e Arte?

Podes apoiar a partir de 1€ por mês.