Exposição de fotografia retrata aves da Palestina e “persistência da vida na catástrofe”
Uma exposição que reúne fotografias de autores palestinianos centradas na observação das aves que todos os anos cruzam os céus da Palestina, e que simbolizam a esperança na liberdade, será inaugurada no dia 24 nas Mira Galerias, no Porto.
“Aves da Palestina – a persistência da vida na catástrofe” é o tema desta exposição que “apresenta fotografias tiradas por palestinianos que veem os pássaros como mensageiros da esperança”, que “sobrevoam o território sitiado para dizer que ainda é possível viver livre e rasgar com as asas os limites impostos pela ocupação”, anunciaram hoje os organizadores da mostra, em comunicado.
A exposição parte do papel da Palestina como um dos mais importantes corredores migratórios de aves do mundo, atravessado anualmente por milhões de exemplares que viajam entre África, Europa e Ásia, sobrevoando a Faixa Gaza, que classificam como “a ‘maior prisão a céu aberto’, sitiada por terra, mar e ar desde 2007 e agora alvo de um genocídio”, e a Cisjordânia, sob ocupação israelita e alvo de “’apartheid’ e limpeza étnica”.
“Apesar da violência, da opressão e das restrições impostas pela ocupação israelita, os palestinianos continuam a levantar a cabeça para admirar as aves que cruzam o céu e sonhar com liberdade”, explicam.
As imagens mostram aves que constroem ninhos nos buracos de edifícios bombardeados, nos telhados de postos de controlo e nos beirais de torres de vigia, que voam sobre muros de betão que fragmentam o território e empoleiram-se no arame farpado que segrega e confina a população palestiniana.
A exposição inclui o trabalho das gémeas Lara e Mandy Sirdah, que, em Gaza, continuaram a observar e fotografar aves durante o conflito, mesmo depois de terem sido expulsas de casa pelo exército israelita e deslocadas do norte para o sul da Faixa de Gaza, em novembro de 2023, mantendo o registo das espécies avistadas enquanto viviam em deslocação forçada.
Na Cisjordânia, os fotógrafos Mohamad Shuaibi, Saed Shomali e Bashar Jarayseh documentam aves num contexto marcado por restrições de mobilidade “impostas pela ocupação e a violência colonial israelita”, enquanto Sinaa Ababseh utiliza a fotografia de aves como forma de preservar a ligação à terra e valorizar a beleza e biodiversidade local.
A inauguração será seguida, às 18:00, de uma conversa com dois dos autores, Mohamad Shuaibi e Bashar Jarayseh.
Segundo a organização, a exposição procura refletir sobre o significado das aves migratórias para “um povo que vive sob ocupação, limpeza étnica, apartheid e genocídio”, sobre a proteção da vida rodeada “de morte e destruição”, e sobre “como se cuida do ambiente num dos territórios mais devastados do mundo”.
Para Mohamad Shuaibi, o objetivo deste trabalho é mostrar um outro lado menos visível da Palestina: “Não é só morte e bombardeamentos. Há pessoas que se interessam pela vida selvagem, mesmo quando são privadas de tudo. Há vida aqui. E nós amamos a vida”.
A exposição foi organizada com o apoio do Colectivo pela Libertação da Palestina, MIRA Galerias, Meeru, SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e da Associação Ambiental Pé Ante Pé.
