Exposição inédita na Gulbenkian mostra obra fotográfica de Todd Webb sobre Portugal
Uma exposição inédita do fotógrafo norte-americano Todd Webb, que reúne trabalhos realizados em Portugal entre 1970 e 1980, vai estar patente a partir de abril na Gulbenkian, em Lisboa.
Sob o tema “O Portugal de Todd Webb”, a obra do fotógrafo será apresentada pela primeira vez em Portugal e poderá ser visitada na Galeria do Piso Inferior, entre 10 de abril e 27 de julho, anunciou hoje a Fundação Calouste Gulbenkian, em comunicado.
Segundo a fundação, Todd Webb (1905-2000) foi um dos mais relevantes fotógrafos norte-americanos da 2.ª metade século XX, que se notabilizou por documentar a vida quotidiana e a arquitetura em cidades como Nova Iorque, Paris e no oeste americano.
Com curadoria de Jorge Calado, a mostra inclui um conjunto de 61 fotografias resultantes das três viagens que o artista realizou em Portugal, entre 1972 e 1982, e que foram recentemente doadas à Fundação Gulbenkian pelo Arquivo Todd Webb, a fim de integrar o acervo da Biblioteca de Arte da Fundação.
Pouco conhecido em Portugal, Todd Webb fotografava ruas e pessoas comuns, edifícios, espaços urbanos e comunidades, tendo-se afirmado como um atento observador da vida quotidiana, frequentemente visto como uma espécie de historiador com uma câmara.
Jorge Calado descreve-o como “um fotógrafo humanista, implicado na humanidade de tudo o que observava” e que, “como todos os grandes fotógrafos, fotografava-se a si próprio naquilo que via”.
Nas suas viagens por Portugal, Todd Webb registou ruas, mercados, portos e paisagens humanas “com a mesma sensibilidade que orientou o seu trabalho noutras paragens”, descreve e comunicado.
As provas fotográficas cobrem Portugal de Sul a Norte – Faro, Lagos, Lisboa (Alfama), São Martinho do Porto, Nazaré, Coimbra, Viana do Castelo, Braga – a maior parte titulada e assinada pelo artista, incluindo dez múltiplas provas de algumas imagens.
A exposição inclui ainda dois pequenos núcleos constituídos por 16 fotografias, “das relevantes séries de trabalhos” que Todd Webb realizou em Nova Iorque e em África, e que dão testemunho da sua versatilidade fotográfica.
As fotografias de África são a cores e resultaram de uma encomenda das Nações Unidas para fotografar os novos países africanos a sul do Saara, após o processo de descolonização no pós-guerra.
Nestes dois conjuntos, “a verticalidade a preto e branco da cidade de Nova Iorque, contrapõe-se à horizontalidade, a cores, da vastidão africana”, sublinha o curador.
Com produção da Biblioteca de Arte e Arquivos, foi editado um catálogo bilingue com a reprodução de todas as fotografias e ainda com textos de Jorge Calado, Betsy Evans Hunt, diretora executiva do Todd Webb Archive, e João Vieira, diretor da Biblioteca de Arte e Arquivos da Fundação Calouste Gulbenkian.
