Festival de Cinema de Berlim vai manter a diretora artística Tricia Tuttle enquanto analisa “recomendações”

por Lusa,    4 Março, 2026
Festival de Cinema de Berlim vai manter a diretora artística Tricia Tuttle enquanto analisa “recomendações”
Fotografia de Udall Evans – via Festival de Cinema de Berlim

A diretora artística do Festival de Cinema de Berlim, Tricia Tuttle, vai manter-se no cargo, mas vão ser analisadas “recomendações” sobre o seu contrato de trabalho e o futuro da ‘Berlinale’, revelou hoje a organização.

A informação foi revelada num curto comunicado, na página oficial do festival, na sequência de uma reunião do Conselho Fiscal da empresa KBB, sobre o futuro da Berlinale.

“Partilhamos da convicção de que o festival está no bom caminho e que pode continuar a crescer e a melhorar, sob a liderança de Tricia Tuttle. Recebemos também recomendações, em vez de condições, relacionadas com a continuidade do contrato de trabalho de Tuttle”, lê-se no comunicado.

Segundo a organização, caberá agora ao festival analisar e eventualmente implementar essas mesmas recomendações.

A última edição do festival de cinema de Berlim e a sua diretora artística, Tricia Tuttle, estiveram no centro de uma polémica, por causa de Israel e Gaza, o que motivou o governo alemão a convocar uma reunião do conselho de supervisão da empresa KBB, que é responsável pela realização do festival.

Em causa estão declarações proferidas pelo realizador sírio-palestiniano Abdallah Alkhatib, em fevereiro, na cerimónia de encerramento do festival de Berlim, acusando o governo alemão de ser “cúmplice do genocídio em Gaza” ao apoiar Israel.

“Recordaremos todos aqueles que estiveram ao nosso lado e vamos lembrar-nos de todos os que estiveram contra nós, contra o nosso direito de viver com dignidade, ou que optaram pelo silêncio”, disse o realizador, premiado pelo filme “Chronicles from the siege”.

O ministro alemão do Ambiente, Carsten Schneider, abandonou de imediato a cerimónia e considerou aquelas declarações uma “ameaça implícita”.

Na semana passada, o jornal Bild dava como certa a demissão de Tricia Tuttle e publicou uma fotografia na qual a diretora artística surgia ao lado de elementos da equipa do filme “Chronicles from the siege”, que empunhavam bandeiras da Palestina.

Desde o fim da ‘Berlinale’ e do anúncio da reunião sobre o futuro de Tuttle, mais de 1.600 pessoas ligadas à indústria cinematográfica dentro e fora da Alemanha assinaram uma carta aberta em defesa da independência institucional do festival e da sua direção artística.

“A Berlinale é mais do que uma passadeira vermelha ou uma série de manchetes. É um espaço onde se cruzam perspetivas, se questionam narrativas e onde as tensões sociais são abordadas. É aqui que o discurso se desenrola – no coração do cinema”, lê-se na carta aberta.

A 76.ª edição do Festival de Berlim começou debaixo de polémica pelas declarações do realizador Wim Wenders – que presidiu ao júri -, que considera que os cineastas devem manter-se à margem da política.

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