Festival Iminente diz que há “solução real” para as seis pessoas que vivem em escola que vai acolher festival

por Lusa,    16 Julho, 2026
Festival Iminente diz que há “solução real” para as seis pessoas que vivem em escola que vai acolher festival
Festival Iminente / Fotografia de ©Nash Does Work
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O organização do Festival Iminente, marcado para setembro numa escola abandonada em Lisboa, anunciou hoje ter sido encontrada uma “solução real” para as seis pessoas que habitam aquele espaço devoluto, algo confirmado à Lusa pela Câmara da capital.

“Ontem [quarta-feira], algumas das pessoas que vivem naquele espaço visitaram a habitação que lhes foi proposta pelos serviços sociais da Câmara Municipal de Lisboa, a cinco minutos a pé da escola; as restantes visitam-na na próxima segunda-feira”, refere a organização do Iminente, num comunicado divulgado hoje à tarde nas redes sociais.

Segundo a organização, trata-se de “unidades habitacionais individuais e dignas, num primeiro passo para integrarem o programa ‘housing first’ [modelo de intervenção social que passa pela atribuição de uma habitação permanente a uma pessoa que viva em situação de sem-abrigo, sem contrapartidas, como por exemplo a obrigação de reabilitação ou tratamento de adições], ou seja até terem a sua casa definitiva com condições que o edifício da escola nunca teve”.

Num esclarecimento enviado à Lusa, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) assegurou que “acompanha de forma continuada” o caso de quem permanece a dormir na antiga Escola Afonso Domingues, no âmbito da estratégia municipal para as pessoas em situação de sem-abrigo, referindo que “cada pessoa é acompanhada de forma individualizada”.

Sem detalhar, a CML garantiu que foi apresentada “uma proposta concreta de integração numa resposta de alojamento apoiado na comunidade, que disponibiliza unidades habitacionais e assegura acompanhamento técnico regular por equipas especializadas”, para proporcionar condições de estabilidade habitacional, promovendo simultaneamente percursos de autonomia e inclusão social.

Em setembro do ano passado, ficou a saber-se que o Iminente regressaria este ano, com uma edição a acontecer na antiga Escola Industrial Afonso Domingues, que marca dez anos de “intervenção artística, criação coletiva e ativação cultural de espaços com história”.

A escola, que acolhe o festival este ano e no próximo, foi oficialmente extinta em 2010, porque está situada no caminho do projeto da Terceira Travessia sobre o Tejo, entre Chelas e Barreiro, que permitiria a passagem do comboio de alta velocidade.

Com o passar dos anos, o espaço foi sendo ocupado por pessoas em situação de sem-abrigo, embora não tenha condições de habitabilidade.

Ainda de acordo com a organização do Iminente, atualmente viviam no espaço seis pessoas, que “estão a decidir livremente se aceitam” a solução que lhes foi apresentada pela autarquia.

“Se não o quiserem, são livres para se manterem onde estão. O espaço é grande e permite a coexistência. O evento está, aliás, desenhado para acontecer sem ocupar os espaços onde estas pessoas vivem”, lê-se no comunicado.

Até ao momento, são conhecidas apenas as datas da próxima edição do festival, tendo o programa ficado “intencionalmente por anunciar, à espera que existisse uma solução real” para as pessoas que habitam no espaço.

A organização refere que “tem sido prioridade máxima encontrar um lugar digno” para as pessoas, recordando: “As questões da habitação, da marginalização e do abandono urbano são questões que sempre discutimos no festival e fora dele, e que continuaremos a discutir com militância”.

“Em setembro estaremos na Escola Afonso Domingues, a dar visibilidade a este a outros temas que atravessam a cultura urbana e Lisboa, como sempre fizemos”, remata.

O Festival Iminente, que junta música e artes plásticas, realizou-se pela primeira vez no Jardim Municipal de Oeiras, em 2016, cidade à qual regressou no ano seguinte. Após duas edições em Oeiras, em 2018, o Iminente mudou-se para Lisboa, para o Panorâmico de Monsanto, onde voltou a realizar-se em 2019.

Em 2020, a pandemia da covid-19 transformou o festival na Oficina Iminente, uma residência artística que decorreu no Panorâmico de Monsanto, com o público a fazer parte do processo criativo.

Em 2021 e 2022, o festival voltou ao formato original, num espaço ao ar livre na zona da Matinha. Em 2023, fez um ‘take over’ do Terreiro do Paço e, em 2024, dos jardins do Palácio Pimenta – Museu de Lisboa, duas edições com entrada gratuita.

O festival não se realizou em 2025.

Além de concertos e das instalações artísticas, a programação do Iminente costuma incluir conversas, performances, gastronomia, lojas de projetos independentes e associações e a apresentação dos resultados de ‘workshops’ comunitários, realizados em bairros de Lisboa.

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