Festival InArt regressa como plataforma de apresentação e encontro de artistas nacionais e internacionais
O InArt – Community Arts Festival é uma plataforma de apresentação e encontro que reúne artistas nacionais e internacionais em torno de práticas artísticas inclusivas e participativas. Nesta edição, o festival dá visibilidade a projectos que reflectem a diversidade de contextos, experiências e linguagens, colocando em diálogo diferentes abordagens à criação contemporânea. A programação inclui espectáculos, laboratórios, processos de criação e filmes.
Nothing to Hide no Teatro Meridional
Nothing to Hide levanta questões sobre uma nova estética do movimento, a inclusão e a acessibilidade, cuja relevância nos dias de hoje permanece incontornável. Desafia ideias pré-concebidas sobre corpo, ao mesmo tempo que cria um espaço de partilha entre os intérpretes e o público.
No âmbito do InArt – Community Arts Festival, Nothing to Hide será apresentado no Teatro Meridional, de 28 a 31 de Maio. Este espectáculo é resultado do projecto europeu Biokinetics, que reúne intérpretes com e sem deficiência, de Portugal, Itália e Grécia, provenientes de várias companhias de dança e teatro: a DAGIPOLI DANCE Co, a Fondazione Mantovani Castorina (FMC), a En Drasi Theatre Company e a Vo’Arte. Apoiado pelo programa de cooperação da Europa Criativa – União Europeia, o projecto junta artistas que desenvolvem uma linguagem cénica original que entrelaça dança, teatro e tecnologia.
Biokinetics explora o potencial artístico do movimento com próteses, inspirado nos princípios da mecânica dos sistemas biológicos. Desde o início, o objectivo prendeu-se com estudar a evolução da experiência da pessoa com deficiência ao longo da história da Humanidade, de forma a criar uma performance.
Longos meses de colaboração entre parceiros, desde Outubro de 2024, deram origem a Nothing to Hide, espectáculo de dança e teatro com música ao vivo. Provém das diferentes identidades artísticas, do trabalho de partilha e do diálogo, para encontrar pontos comuns e construir uma linguagem uníssona. O trabalho dos intérpretes foi sendo desenvolvido em residências artísticas em Atenas, Milão e Lisboa, bem como em grupo por país. Será apenas antes da estreia, em Milão, a 15 de Maio, que as várias peças do puzzle se encaixam.
O projecto Biokinetics afirma-se como um colectivo europeu, baseado na empatia, no diálogo e na partilha, que propõe uma Europa multicultural e inclusiva. Nothing to Hide, que resulta desta base e de uma co-direcção artística de Bruno Rodrigues (PT), Jiorgos Christakis (GR), Marco De Meo (IT) e Vlad Scolari (IT), distingue-se pela presença de uma abrangência plural de corpos e pela validação da ocupação do lugar do intérprete e do público.

O espectáculo será ainda acompanhado de uma exposição de fotografia e instalação, que pretende fazer um close-up a alguns dos temas ou pormenores que ao longo do processo criativo foram trabalhados. A exposição inclui imagens que revelam estruturas, mecanismos e ligações invisíveis que tornam evidente aquilo que sustenta o movimento, assim como imagens de esculturas inspiradas no tema base do projecto: a evolução da experiência da pessoa com deficiência na Humanidade desde os primeiros tempos até hoje. Também estará patente na exposição uma instalação vídeo que faz uma representação do corpo com deficiência ao longo da História.
A sessão de 30 de Maio contará com conversa no final, acompanhada de Língua Gestual Portuguesa. Mais detalhes e bilhetes aqui.
Olhos Bem Abertos nos Recreios da Amadora
O Festival InArt estará também presente nos Recreios da Amadora, no dia 6 de Junho. Será apresentado o espectáculo Olhos Bem Abertos, fruto da parceria entre a CERCIAMA e a CiM – Companhia de Dança.
Com coreografia de Carolina Duarte e Armando Luís, Olhos Bem Abertos é uma criação que explora a forma como o corpo reage ao controlo, à vigilância e à exposição constante. Os intérpretes constroem uma paisagem, física e sonora, sensível, onde o medo se mistura com os sonhos como mecanismo de sobrevivência, adaptação e resistência.
Antes da apresentação de Olhos Bem Abertos, serão exibidas três curtas-metragens cujas temáticas se enquadram no Festival e que complementam a programação performativa:
Elsewhere, de Alexa Velez (EUA) 4′
Uma curta-metragem experimental que explora a sensação de sonhar acordado. Ansiosa por escapar à realidade mundana dos subúrbios, a protagonista do filme recorre ao som e ao movimento para evocar o mundo natural.
Noppera-bo, de William Yong (CA) 5′
Noppera-bo é um fantasma sem rosto em japonês, uma criatura fantástica que semeia o medo. O Noppera-bo parece ter ressurgido na nossa época, em que o medo e a desconfiança são facilmente despertados. O coreógrafo Fujiwara e o realizador Yong trabalharam de forma imaginativa e intuitiva, transformando ideias em movimento e imagens surpreendentes.
RAW, de Hares Pascoal (PT) 5’
A bailarina Giselle Jardim interpreta a canção “Raw”, da banda Meute, nas ruas desertas de Lisboa a altas horas da noite.

Conteúdo patrocinado por Associação Vo’Arte.
