Festival Internacional de Cinema do Saara pede boicote ao filme “A Odisseia”, de Christopher Nolan

por Lusa,    3 Julho, 2026
Festival Internacional de Cinema do Saara pede boicote ao filme “A Odisseia”, de Christopher Nolan
“A Odisseia”, de Christopher Nolan
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O Festival Internacional de Cinema do Saara (FiSahara) apelou hoje ao boicote do muito aguardado filme “A Odisseia”, de Christopher Nolan, por ter sido parcialmente filmado no Saara Ocidental, território disputado e maioritariamente controlado por Marrocos.

“Quando Christopher Nolan percorrer a passadeira vermelha para a estreia, estará também a pisar o direito internacional, em particular o direito do povo sarauí ao seu território e aos seus recursos, que são explorados ilegalmente por Marrocos”, afirmou a diretora executiva do FiSahara, Maria Carrion, num comunicado.

O Saara Ocidental, antiga colónia espanhola até 1975, é considerado pelas Nações Unidas um território não autónomo. Há 50 anos que o território é palco de um conflito entre Marrocos e o movimento de libertação Frente Polisário, apoiado pela Argélia. Marrocos considera o Saara Ocidental parte integrante do seu território.

Adaptação da epopeia de Homero, “A Odisseia”, cuja estreia está prevista para este verão, a película foi parcialmente filmada em Dakhla, no Saara Ocidental. O elenco reúne vários nomes de destaque, entre os quais Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Zendaya e Charlize Theron.

No comunicado, o Festival Internacional de Cinema do Saara apela a “um boicote generalizado por parte do público, depois de Christopher Nolan ter escolhido a cidade de Dakhla […] como um dos locais de filmagem”.

No ano passado, o FiSahara já tinha instado Christopher Nolan a não utilizar as imagens filmadas em Dakhla.

Citado no comunicado divulgado hoje, o ator espanhol Javier Bardem, que produziu um documentário sobre o Saara Ocidental em 2012, afirmou incentivar Christopher Nolan “a informar-se sobre a história da repressão exercida pelo regime marroquino contra o povo sarauí”.

O FiSahara, que se realiza anualmente em campos de refugiados sarauís na Argélia, é um festival dedicado aos direitos humanos.

O evento organiza projeções de filmes e oficinas culturais e procura sensibilizar a comunidade internacional para o conflito no Saara Ocidental.

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