Gisela João regressa ao Coliseu do Porto em janeiro do próximo ano

por Lusa,    31 Julho, 2025
Gisela João regressa ao Coliseu do Porto em janeiro do próximo ano
Fotografia de Manuel Abelho
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A fadista Gisela João, com uma carreira de mais uma década, atua no Coliseu do Porto, no próximo dia 23 de janeiro, anunciou hoje a sua discográfica.

O alinhamento do espetáculo terá como base o seu mais recente álbum, “Inquieta”, além de “coisas que anda a fazer” e outras que ainda não revelou, disse a fadista à agência Lusa.

Em fevereiro último, Gisela João editou “Inquieta”, o seu quarto álbum, em defesa da liberdade, no qual revisitou o repertório de José Afonso (1929-1987), com temas como “Vejam Bem”, “A Morte Saiu à Rua”, “Que Amor Não me Engana”, “Os Bravos”, “Balada de Outono”, “Canção de Embalar”, e também “E Depois do Adeus” (José Niza/José Calvário), de Paulo de Carvalho, a canção que serviu de primeira senha às tropas para desencadear o movimento de derrube da ditadura fascista, em 25 de Abril de 1974.

Em declarações à agência Lusa, antes da edição deste álbum, a fadista afirmou: “A minha intenção com este disco é maior que a data em si, é maior que isso tudo, é lembrar as pessoas que a nossa Liberdade”, a liberdade “de cada um de nós”, impõe “cuidar da Liberdade” que “é nossa e do nosso vizinho”, que a Liberdade “tem um impacto de forma direta na vida e na liberdade das outras pessoas.”

Gisela João defendeu a necessidade de “uma luta constante” e de “uma defesa muito concreta da Liberdade que é um direito por nascença.”

“O direito de qualquer um que nasce à Liberdade, à Liberdade de se ser o que se quer ser, e de se ser quem se deseja e quem se sonha”, argumentou.

“Há ali [naquelas canções do álbum] – nem, sei explicar como – qualquer coisa que me faz sentir muito portuguesa, como no fado”, disse Gisela João à Lusa, acrescentando que, quando as ouve, parece que está a fazer um mantra consigo própria: “Uma cantilena em repetição que me vai acalmando a alma.”

Nascida em Barcelos, Gisela João deu-se a conhecer ao grande público em 2013 com o álbum homónimo no qual gravou, entre outras, uma nova versão de “A Casa da Mariquinhas” (Capicua/Alberto Janes), assim como do fado “Sou Tua” (Domingos Gonçalves da Costa/Casimiro Ramos), do repertório de Fernanda Maria, entre outras fadistas como Flora Silva e Anita Guerreiro, e ainda “Bailarico Saloio”, do Cancioneiro Popular.

Em 2023, passada a crise financeira e os cortes dos anos da ‘troika’, que inspiraram a sua primeira versão d’”A Casa da Mariquinhas”, Gisela João regressou a este clássico com Capicua, para encontrar “O Hostel da Mariquinhas”, desta vez em plena crise da habitação: “Só é pena o português não ganhar para o T3, e ter de mudar p’ra lá da Conchichina.”

Gisela João venceu alguns concursos infantis na região de Barcelos, onde começou a cantar na Adega Lusitana, já na adolescência. Em 2000, mudou-se para o Porto para estudar design de moda, mas a música levou a melhor e continuou a cantar.

Mais tarde, em Lisboa, conquistou, um a um, os palcos do fado, culminando na edição do seu primeiro álbum em nome próprio. Antes gravara com a banda Atlantihda, em que o fado, como música de expressão urbana, se conjugava com outra influências de raiz tradicional.

Pelo meio editou os álbuns “Nua” (2016) e “AuRora” (2021).

No início deste ano, quando da edição de “Inquieta”, questionada sobre a responsabilidade de interpretar as canções de autores como José Afonso, a fadista disse que quando começa a cantar é como se não estivesse ali.

“O que está ali é o poema. E quem me dera poder levar as pessoas para o lugar para onde vou quando estou a cantar.”

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