Gonçalo Câmara apresenta o seu livro de poesia “entre o deserto e a montanha”

por Magda Cruz,    18 Setembro, 2019
Gonçalo Câmara apresenta o seu livro de poesia “entre o deserto e a montanha”
Gonçalo Câmara em frente ao À Margem, onde apresenta o seu livro dia 19 de setembro deste ano (Fotografia de Magda Cruz / CCA)
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Na rádio, Gonçalo Câmara passa poemas – algumas vezes até de sua autoria. Nas redes sociais, partilha a poesia que escreve. Dia 19 de setembro, a prateleira digital que tem vindo a compor passa a ser física, quando apresentar o seu primeiro livro de poesia escrita em viagem: “entre o deserto e a montanha”. Para o autor, é mais que um livro de poesia. É o compilar de quatro anos de viagens, publicada pela jovem editora Emporium.

Na primeira vez em que falámos, no podcast Ponto Final, Parágrafo, (da ESCS FM e em parceria com a CCA), contou-nos algo que aprendeu com o grupo de comédia inglês Monty Python: as pessoas vivem em dois modos – o modo fechado e o aberto. No primeiro, estão aqueles que não prestam muita atenção ao que as rodeia e que têm trabalhos mais automáticos, que não exigem muita criatividade. No segundo, estão as pessoas que absorvem todos os estímulos do mundo, que pensam fora da caixa e cujos trabalhos só têm a ganhar com o pensamento criativo.

Capa do livro

Gonçalo Câmara encaixa-se no segundo grupo. Autor do livro de crónicas “Já Dizia o Outro: Não conheço, mas sei quem é”, da Editorial Minerva; radialista na Smooth FM e na M80, vive quase permanentemente em modo aberto. Deixa-se influenciar por aquilo que o mundo lhe mete à frente, salta fronteiras e faz-se acompanhar do seu caderno de capa castanha, onde põe no papel as experiências vividas em viagem.

Em breve, apresenta ao mundo o seu primeiro livro de poesia e por isso encontrámo-nos num sítio que lhe é muito especial: a esplanada do restaurante À Margem, junto do Tejo, em Belém. Passado o Padrão dos Descobrimentos e pisando as palavras do poema “Pelo Tejo vai-se para o Mundo”, de Alberto Caeiro, escritas ao longo do caminho, sentamo-nos onde dia 19 de setembro irá apresentar o livro “entre o deserto e a montanha”.

Gonçalo Câmara conta que o seu livro “respira e se lê num ápice”. Trata-se de um livro de poemas escritos em viagem – a não confundir com poesia de viagem – onde poemas mais extensos se misturam com versos soltos, para que o leitor tenha um bom ritmo de leitura. O que é que distingue este livro de outros? “Primeiro, são poucos os livros que têm este tipo de poemas, esta estrutura poética muito curta. Depois, é algo onde cabe tudo, estão ali várias vozes: tanto de coração partido, como de coração aberto; sobre a morte e sobre a vida; num poema não tenho medo da morte, noutro temo-a. É um livro de estados de espírito”, explica Gonçalo.

No primeiro encontro com a CCA, disse que a poesia não tinha regras. E este livro de poesia não quebra a regra: “Essa mescla de estados que não segue uma linha pode ser diferenciador num livro de poesia. E é um livro em que me dou a conhecer e à minha forma de pensar – que pode ser a tua ou talvez não penses como eu e ainda bem”, conta o autor. Questionar-se e fazer questionar. Esse não é o único pormenor pensado com cuidado. Da capa leve e limpa ao título que ocupa pouco espaço na fronte do livro, tudo foi cuidadosamente pensado.

“entre o deserto e a montanha” – um título em minúsculas 

Para escolher o título, Gonçalo não encontrou grande dificuldade. “O deserto e a montanha são dois extremos. Entre um e outro há a minha poesia. Até porque fizeram parte visual das minhas viagens.” Questões, crenças, inquietações, em “entre o deserto e a montanha cabe tudo isso”; enumera o poeta. “É uma travessia onde te questionas, onde pensas. Neste caso em viagem, mas podia ser no dia-a-dia.” Tanto título como poemas, nada tem maiúsculas. Porquê? “Quero que tudo seja pequeno porque acho que é assim que acho que nos devemos entender: pequenos, sem grandes exageros”. 

John Cleese, um dos fundadores dos Monty Python, diz que a criatividade não surge do talento, mas sim de um conjunto perfeito de condições que levam a termos boas ideias. Essa esfera, para Gonçalo, constrói-se em viagem. Se quisermos, essa esfera é o mundo. Em quatro anos de viagem muita coisa aconteceu – e em vários países, como o Chile ou Argentina, – o que reina no livro é a contemplação e os povos que observa: “Este livro só vale porque existe gente à minha volta. O que me inspira são as pessoas com quem estou: uma só pessoa, um grupo ou eu mesmo”, conta Gonçalo. Aliás, é quando viaja sozinho que escreve mais sobre aquilo que vê, como aconteceu na Colômbia.

Revê aqui a conversa de Gonçalo Câmara com a Magda Cruz, sobre literatura e os livros que marcaram o autor:

Sendo um livro com poemas escritos em sete países, como Sri Lanka, Quirguistão, Turquemenistão – é perfeito estarem gravadas no pavimento as palavras “Para além do Tejo há a América /E a fortuna daqueles que a encontram”, de um dos pseudónimos de Pessoa. A “fortuna” de Gonçalo pode muito bem estar nas 175 páginas do seu novo livro e “o bom da poesia é todo o momento ser bom para ler poesia.” E onde cada poema foi escrito? Isso fica para o autor.

A apresentação do livro é dia 19 de setembro, às 18h30 na Esplanada do restaurante À Margem, na Doca do Bom Sucesso, onde Belém olha de frente para o rio Tejo.

O Ponto Final, Parágrafo é um programa da ESCS FM, rádio da Escola Superior de Comunicação Social, feito em parceria com a Comunidade Cultura e Arte.

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