H. G. Wells: o grande pioneiro da ficção científica

por José Malta,    21 Setembro, 2026
H. G. Wells: o grande pioneiro da ficção científica
H. G. Wells / Fotografia via Wikipédia
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A ficção científica é um dos géneros literários, cinematográficos e artísticos que reúne um vasto leque de seguidores e entusiastas. À medida que a nossa tecnologia evolui e os mistérios sobre o desconhecido começam a ser desvendados, sentimos necessidade de imaginar cenários futuristas e situações quase improváveis que possam vir a acontecer um dia. Em particular, o século XIX foi fortemente marcado por grandes avanços em diferentes domínios e pela consolidação da revolução industrial, que acabou por impulsionar uma busca intrínseca do ser humano por estes cenários. O aparecimento de novas descobertas e teorias nos mais variados ramos da ciência, as constantes invenções que impulsionavam a tecnologia e a possibilidade de, com estas, irmos mais além alimentaram o desejo de encontrarmos um futuro altamente dominado pela ciência e pela tecnologia avançadas. Todos estes avanços fizeram com que houvesse especulação sobre cenários futuristas, algo que se intensificou com o passar dos anos. Embora alguns tenham sido particularmente exagerados, é possível, ainda assim, estabelecer associações entre histórias de ficção científica publicadas anteriormente e o nosso mundo atual.

Daí que o termo ‘ficção científica’ seja apropriado ao género em questão. Ao ter um espaço temporal focado no futuro e uma narrativa meramente especulativa, a ciência não nos dá o poder de adivinhar o futuro com total precisão. Embora a compreensão do passado e do presente possa antever alguns cenários a curto-médio prazo, torna-se sempre muito difícil prever algo num futuro distante como aquele maioritariamente abordado na ficção científica. Também não é fácil determinar quem foi o criador da ficção científica enquanto género literário, visto que várias histórias futuristas surgiram ao longo da história da humanidade. Na idade contemporânea, encontramos autores como Júlio Verne e as suas magníficas histórias como ‘Viagem ao Centro da Terra’, ‘20 mil léguas submarinas’, ‘Da Terra à Lua’ ou até mesmo Mary Shelley, com o célebre ‘Frankenstein’ e também com ‘O Último Homem’, obras com inúmeras nuances que as distinguiram das restantes publicadas até à data.

Porém, houve quem conseguisse levar a ficção científica mais além, transcendendo todo um cenário de aventura, mistério e até mesmo de terror, para algo mais longe do nosso alcance. Vários autores inspiraram-se nos avanços científicos e tecnológicos que, para além de conseguirem mudar o nosso mundo, poderiam eventualmente colocar em causa a matriz humana no futuro, em cenários muito para lá do nosso imaginário de tão futuristas que eram. Encontramos várias obras que abordam histórias deste género, mantendo-se atuais em muitos dos temas retratados e continuando a servir de inspiração para outras obras de ficção científica e até para momentos de grande reflexão do ponto de vista ético e filosófico. Não podemos certamente esquecer H. G. Wells como um dos principais pioneiros da ficção científica que hoje conhecemos, que, embora inicialmente tenha sido reconhecido como género literário, hoje abrange diversas vertentes como cinema, televisão, e inúmeras formas de arte.

De pequeno comerciante a professor de ciências

Herbert George Wells nasceu em Bromley, Kent, nos arredores de Londres, a 21 de Setembro de 1866, no seio de uma família modesta, sendo o quarto filho de Joseph Wells, um jardineiro que também era comerciante e jogador de críquete, e de Sarah Neal, empregada doméstica. Quando tinha apenas sete anos, sofreu um acidente que o deixou imobilizado com uma perna partida. Para passar o tempo durante a sua recuperação, começou a ler livros da biblioteca local, trazidos pelo pai. Esse fator foi decisivo para que, desde tenra idade, começasse a imaginar outros mundos e vidas possíveis, o que estimulou sua paixão pela escrita. Mais tarde, ingressou na Academia Comercial de Thomas Morley para se tornar um profissional do comércio. O seu ensino tornava-se atabalhoado, e a sua formação resumia-se em saber fazer cálculos para comerciantes. Trabalhou ainda como aprendiz numa loja de tecidos, algo pelo qual nunca nutriu interesse nem ambição em seguir profissionalmente esse ofício.

H. G. Wells conseguiu abandonar a sua carreira de comerciante, voltando a estudar e a trabalhar como professor estagiário e estudou na Midhurst Grammar School. Em 1884, conseguiu uma bolsa para estudar ciências na Normal School of Science, que viria a transformar-se no Royal College of Science integrando a estrutura do Imperial College London, hoje reconhecida como uma das mais prestigiadas universidades do mundo. É aqui que se torna aluno de Thomas Huxley, um dos principais defensores e divulgadores da teoria da origem das espécies e da seleção natural propostas por Charles Darwin. Huxley foi um dos grandes mentores científicos de H. G. Wells que viria a abandonar os estudos mais tarde devido a dificuldades financeiras. Continuou a dar aulas em diversas escolas e, em 1890, obteve a qualificação de professor pela Associate of the Royal College of Science (ARCS) em biologia, o que lhe permitiu exercer profissionalmente a sua atividade docente.

A carreira de escritor

Ainda como professor, H. G. Wells já tinha publicado um manual para o ensino de biologia, tendo tido em paralelo uma atividade de escrita esporádica em revistas e jornais através de artigos, ensaios e pequenas histórias com tendências notórias de vanguardismo. A ciência acabaria por inspirá-lo na escrita e na busca exclusiva por uma carreira de escritor. Segundo o próprio, era preciso compreender a ciência para haver uma visão científica da história e, por sua vez, compreender como poderia ser o futuro. Esta não deveria servir apenas para descobrir como funciona a natureza, também deveria ajudar a sociedade a pensar sobre inúmeras questões que envolvessem filosofia e ética, o que fez com que a sua obra fosse muito para além de simples aventuras excêntricas num ambiente futurista. 

Sem física moderna como as teorias quântica e da relatividade, sem a consituição do átomo totalmente desvendada, sem a estrutura do DNA e conhecimento dos mecanismos moleculares da hereditariedade, sem medicina avançada e moderna que pudesse aumentar a nossa longevidade, sem telescópios potentes e naves espaciais que nos conduzissem à exploração do espaço, e até mesmo sem computação avançada e inteligência artificial, H. G. Wells  posicionou-se na vanguarda da ficção científica moderna quando ainda estávamos no século XIX. O seu sucesso não se mede pelas vendas, nem pelos mais de cem livros publicados, mas pelo facto de as suas obras principais continuarem a ser lidas, traduzidas e reeditadas constantemente em todo o mundo, tendo servido de inspiração para muitas das obras de ficção científica que hoje conhecemos. 

A Máquina do Tempo (The Time Machine) – 1895

Publicada em 1895, quando H. G. Wells tinha apenas 28 anos, ‘A Máquina do Tempo’ é considerada por muitos a primeira grande obra da ficção científica moderna. A história parte da ideia de um cientista que constrói uma máquina capaz de viajar através do tempo. Leva o viajante até ao longínquo ano de 802 701, demasiado longínquo para que qualquer um dos leitores mortais consiga alguma vez testemunhá-lo. Nessa viagem, o viajante encontra duas espécies descendentes do ser humano, completamente distintas: os Eloi, seres mais pequenos que vivem numa sociedade aparentemente perfeita que prescinde do trabalho, e os Morlocks, seres que vivem num mundo subterrâneo e que estão fortemente associados à vertente laboral mais pesada. 

No fundo, é inspirada na evolução do ser humano num futuro muito distante, com base na teoria da evolução de Charles Darwin, sobre o modo como a evolução poderia afetar a humanidade no futuro. Com um substrato muito forte sobre as questões sociais que poderiam vir a surgir de forma gradual no futuro. Uma das grandes preocupações de H. G. Wells explícita em muitas das suas obras, era como o Homem iria enfrentar a influência da ciência no futuro, principalmente a nível social. Ao encontrar duas sociedades tão distintas, uma rica e sem problemas e outra pobre sucumbida pelo trabalho, é uma crítica ao que poderíamos encontrar no futuro, o que, de certo modo, hoje acabamos por encontrar.

‘A Máquina do Tempo’ inspirou muitas obras e diversas adaptações, como três filmes realizados em 1960, 1978 (produção televisiva) e 2002, sendo este último dirigido por Simon Wells, bisneto do autor, e contando com Guy Pearce e Jeremy Irons em papéis de relevo. As viagens no tempo sempre foram um desejo que a humanidade teve face a diversos cenários, com o fim de perceber aquilo que foi o nosso passado de forma mais detalhada e também a curiosidade por saber como seria o futuro. Tanto assim é, que as viagens no tempo serviram de fonte de inspiração para outros filmes e séries, partindo muito da ideia tratada nesta obra de H. G. Wells, levando a outras questões que nos colocariam também em causa.

A Ilha de Dr. Moreau (The Island of Doctor Moreau) – 1896

‘A Ilha de Dr. Moreau’ conta a história de um médico que vive isolado numa ilha, sendo obcecado pela criação de novos seres por meio de sucessivas cirurgias em diferentes animais, criando criaturas monstruosas com comportamentos semelhantes aos do ser humano. Narrada por Edward Prendick, um homem que sobrevive num naufrágio e é levado para uma ilha, esta tornou-se numa das obras mais ilustres de H. G. Wells. Tendo um ponto de partida semelhante ao de Frankenstein de Mary Shelley, esta torna-se quase numa história de terror onde questões sobre a vivissecção, a bioética e a nossa capacidade de alterar espécies, podendo criar aberrações no futuro, são os temas-chave desta história. De algum modo, acaba por tratar uma manipulação anatómica, visto que no ano em que foi publicado ainda estávamos longe de imaginar o que poderia vir a ser a manipulação genética que é possível graças à ciência de hoje.

O livro deu origem a filmes com o mesmo nome, como o de 1977, bastante fiel à história retratada, e um outro realizado em 1996, cem anos após a sua publicação, que conta com Marlon Brando como Dr. Moreau, Val Kilmer como o assistente Montgomery e David Thewlis como negociador das Nações Unidas que chega à ilha isolada do Dr. Moreau no Oceano Índico. Embora o filme tenha sido considerado um fracasso por diversas razões, este aborda uma versão mais voltada para a engenharia e a manipulação genética do que a anatómica descrita no livro em si, fazendo uma atualização da obra para os tempos mais modernos.

O Homem Invisível (The Invisible Man) – 1897

Em ‘O Homem Invisível’, H. G. Wells relata as experiências de um cientista de seu nome Griffin, que através das suas experiências de ótica consegue alterar o índice de refração do ser humano, de forma a que a luz não consiga ser refletida, refratada ou até mesmo absorvida. Griffin chega a uma pequena aldeia coberto por roupas e ligaduras na cara, pensando tratar-se de alguém desfigurado. Começa por pensar que a invisibilidade lhe dará liberdade em vários domínios, ao conseguir fazer ações sem que ninguém dê conta. Mas apercebe-se rapidamente de que este seu poder pode levá-lo ao isolamento, o que pode suscitar questões sobre como a sua invisibilidade o pode afetar mentalmente.

Apesar de face à ciência que temos ao dispor ser uma impossibilidade conseguir tornar o nosso corpo totalmente invisível, imune a qualquer tipo de interação com a luz, a obra remete-nos para cenários que conseguem colocar a em causa condição humana, até porque Griffin não consegue estar emocionalmente preparado para a sua descoberta. A obra contou com diversas adaptações, como o filme homónimo de 1933, que conta com o ator Claude Rains como Jack Griffin, que dá corpo ao Homem Invisível, e diversas séries de televisão também inspiradas na obra e com o mesmo título. Em 2020, foi adaptado para um contexto mais moderno, num filme mais no estilo de thriller e terror, contando com Elisabeth Moss como vítima de perseguição de um antigo namorado, que se torna invisível. 

A Guerra dos Mundos (The War of the Worlds) – 1898

‘A Guerra dos Mundos’, descreve uma invasão de seres extraterrestres vindos de Marte que aterram no sul de Inglaterra. Os invasores marcianos utilizam máquinas de combate robustas com três pernas chamadas tripods, contando com um arsenal bélico muito mais avançado do que aquele desenvolvido pelos humanos até à data. A inspiração em Marte, como planeta de onde surgiriam tais criaturas invasoras, deveu-se ao facto de este ser um planeta bastante próximo e conhecido, havendo já especulações sobre a possível existência de água e de outras formas de vida. No fundo, acaba por haver uma crítica intrínseca ao colonialismo e o império britânico e como seria se este fosse atacado por um império ainda maior e pudesse ser dominado pelo mesmo.

O fascinante da história é que estes seres marcianos não precisavam de ser destruídos por exércitos altamente preparados e armas altamente destrutivas. Com o tempo, estes seres acabariam por não resistir às condições terrestres, nomeadamente às bactérias e outros pequenos organismos, cujos corpos não dispunham de mecanismos de defesa eficazes. Nesta história, para além de colocar em causa o que aconteceria se fossemos invadidos por seres com tecnologia mais desenvolvida do que a dos seres humanos, H. G. Wells acaba por colocar uma argumentação biológica quanto ao facto de espécies extraterrestres poderem não ter imunidade ou mecanismos de defesa adequados contra os microrganismos terrestres, algo que remete para a sobrevivência dos mais aptos descrita na ‘Origem das Espécies’ de Charles Darwin, que tanto inspirou H. G. Wells.

Uma famosa brincadeira com a obra aconteceu em 1938, quando o jovem locutor Orson Welles, da rádio CBS, ainda longe de ser um dos mais bem-sucedidos realizadores da história do cinema, narrou os acontecimentos descritos no livro, levando os ouvintes a acreditar que se tratava mesmo de uma invasão alienígena, criando um alarmismo excessivo por parte dos media. Na sétima arte, A Guerra dos Mundos rendeu filmes como o de 1953 e o de 2005, realizado por Steven Spielberg, com Tom Cruise no papel principal, que retrata uma invasão alienígena nos tempos modernos e o modo como ela afetaria uma família americana. Por isso, ‘A Guerra dos Mundos’ é considerada por muitos a grande obra de H. G. Wells, pois é a primeira a descrever uma invasão de seres extraterrestres, o que colocaria a existência da espécie humana em causa.

Obras no século XX

Apesar das maiores obras de H. G. Wells terem sido publicadas no século XIX, muitas outras foram publicadas durante o século seguinte, continuando a marcar o seu legado.  Em 1901, publica ‘Os Primeiros Homens na Lua’ (The First Men in the Moon), sobre dois homens que viajam até à Lua e encontram uma civilização subterrânea a que chama selenitas. Ainda publica outras obras conhecidas como ‘Antecipações’ (Antecipations, 1902), ‘O Alimento dos Deuses’ (The Food of the Gods and How It Came to Earth, 1904), ‘Uma Utopia Moderna’ (A Modern Utopia, 1905), ou ainda ‘A Guerra Nos Ares’ (The War in the Air, 1908) na qual descreve uma guerra no futuro guerra dominada por aeronaves, isto ainda antes do desencadeamento das duas grandes guerras mundiais. Publica ainda Tono-Bungay (1909) e ‘O Mundo Libertado’ (The World Set Free, 1914), onde são retratadas armas nucleares que pudessem desencadear uma guerra, quase antevendo as bombas atómicas que mais tarde arrasariam com Hiroshima e Nagasaki no Japão.

A eclosão da Primeira Grande Guerra inspira-o na publicação de ‘Esboço da História do Mundo’ (The Outline of History, 1920), uma obra onde trata a história da Terra e do ser humano, recorrendo a conhecimentos de história e ciência. Publicou ainda ‘Homens como Deuses’ (Men Like Gods, 1923), ‘A Forma das Coisas que Hão de Vir’ (The Shape of Things to Come, 1933), e já no final da sua vida, publica ‘A Mente No Fim da Capacidade’ (Mind at the End of Its Tether, 1945), onde de forma pessimista e após o decorrer de duas guerras mundiais, H. G. Wells mostra-se relutante face a um eventual avanço positivo da ciência e da tecnologia em prol da humanidade. Foram mais de cem as obras que publicou ao longo de toda a sua carreira, reunindo histórias, contos e ensaios.

Para além da ficção científica

Para além das obras de ficção científica que mantêm H. G. Wells como uma figura viva no nosso tempo, tornou-se também numa referência em diversos domínios. Foi membro da Sociedade Fabiana, uma organização que procurava uma transição pacífica para o socialismo através de reformas graduais, em contraste com uma revolução de carácter marxista que fosse demasiado radical. Promotor da paz e dos princípios éticos e humanísticos, visíveis em muitas das suas obras, deu palestras por todo o mundo nas décadas de 20 e 30 do século XX. Viu as suas obras censuradas e queimadas na Alemanha e na Áustria durante o regime nazi, devido às suas posições políticas e aos temas abordados.

A nível pessoal, casou-se com a sua prima Isabel Mary Wells em 1891, mas separou-se de forma controversa para se casar com uma antiga aluna, Amy Catherine Robbins, em 1895. Este seu segundo casamento foi duradouro e deu origem a dois filhos, George e Frank Richard Wells. No entanto, o próprio H. G. Wells defendia o “amor livre” e era adepto de relacionamentos abertos. Teve vários casos extraconjugais abertamente, incluindo um com Margaret Sanger, com a escritora Amber Reeves, da qual nasceu a sua filha Anna-Jane, e uma relação de dez anos com a escritora Rebecca West da qual teve um filho, Anthony.

Um legado que nos inspira

H. G. Wells, que viria a falecer em Londres a 13 de Agosto de 1946, não deixaria só as suas obras para a eternidade, nem ficaria rotulado como um dos grandes pioneiros da ficção científica. Deixaria também um legado humano que inspiraria muitos outros escritores de ficção científica que nos são bem familiares. Obras como a célebre Trilogia ‘Fundação’ ou ‘Eu Robot’ de Isaac Asimov, ‘2001: Odisseia no Espaço’ de Arthur C. Clarke, ‘Solaris’ de Stanislaw Lem, ‘Crónicas Marcianas’ de Ray Bradbury ou até mesmo distopias como ‘1984’ de George Orwell ou ‘Admirável Mundo Novo’ de Aldous Huxley (curiosamente, neto do grande mentor de H. G. Wells), foram todas beber um pouco das ideias de H. G. Wells ao descrever novos cenários futuristas com personagens peculiares, beneficiando também da evolução tecnológica e das descobertas científicas que estes autores testemunharam na sua época. Filmes como a bem conhecida saga ‘Star Wars’, séries de televisão como ‘Star Trek’, álbuns de música como ‘Ziggy Stardust and The Spiders from Mars’ de David Bowie, foram inspirados direta ou indiretamente nas obras de Wells e de muitos sucessores que entretanto surgiram. Outros tantos artistas inspiraram-se nestes trabalhos e transformaram-nos em pósteres, desenhos, e bandas desenhadas, sempre com a ficção científica como tema central, transformando-a também num movimento artístico como qualquer outro.

Num mundo altamente dominado pela ciência e pela tecnologia, como o nosso mundo atual, são poucos os que ainda conseguem criar cenários de ficção científica relativamente plausíveis e com uma precisão de futuro razoável, adicionando o seu nome a uma pirâmide na qual encontramos H. G. Wells na sua base. A ficção científica não nos colocou só a imaginar cenários futuristas e excêntricos, mas também a interessarmo-nos mais pela ciência e a percebermos como poderíamos chegar mais longe através da mesma. Os alertas de que seria necessário manter os princípios éticos, de modo a encontrarmos cenários que preservassem a condição humana e a natureza no seu todo, foram tidos em conta e devem ser pilares no nosso percurso enquanto espécie. Chegaremos longe com a ciência e a tecnologia ao nosso lado e com a aposta e o investimento por parte das instituições nesse mesmo sentido. Mas só chegaremos ao sítio certo se preservarmos os princípios éticos e humanísticos que a permitam usar corretamente e de forma responsável, para que tanto a humanidade como a vida no seu todo sejam salvaguardadas no futuro.

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