Hong Kong pondera banir o documentário sobre o ativista Joshua Wong, líder estudantil que está preso há seis anos

por Lusa,    22 Setembro, 2026
Hong Kong pondera banir o documentário sobre o ativista Joshua Wong, líder estudantil que está preso há seis anos
“Joshua: Teenager vs. Superpower”
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O Governo de Hong Kong está a ponderar medidas legais para banir um documentário sobre o ativista Joshua Wong que foi o mais visto na versão regional da plataforma Netflix.

A ameaça contra a produção ‘Joshua: Teenager vs. Superpower’ (Joshua: um adolescente contra a superpotência) surgiu após críticas na imprensa local alinhada com Pequim.

De acordo com o portal de notícias Hong Kong Free Press, o Departamento de Segurança alertou que qualquer obra transmitida na região deve cumprir rigorosamente o ordenamento jurídico, com especial ênfase nas normas de salvaguarda do Estado em vigor.

A autoridade salientou que a polícia intervirá perante alegadas infrações e instou a população a distanciar-se de condutas que comprometam a soberania nacional.

A polémica surgiu após um artigo crítico do jornal Wen Wei Po, alinhado com Pequim, que acusou o filme de distorcer acontecimentos para exaltar a figura de Joshua Wong.

O ativista declarou-se culpado, em 02 de setembro, de conspiração para conluio com forças estrangeiras — um crime previsto na lei de segurança nacional imposta por Pequim em 2020, passível de prisão perpétua.

Realizado pelo cineasta norte-americano Joe Piscatella e premiado no Festival de Sundance, a longa-metragem continua disponível no catálogo da Netflix, e a apresentação promocional acumula centenas de milhares de visualizações na plataforma YouTube.

A obra examina as origens e o percurso político de Wong, atualmente com 29 anos, que está preso há seis anos depois de já ter sido condenado por subversão.

O líder estudantil ganhou destaque público aos 15 anos à frente do grupo “Scholarism”, cuja mobilização obrigou à retirada do currículo de educação patriótica em 2012, antes de se tornar um ícone da “Revolução dos Guarda-Chuvas” durante os protestos de 2014, que exigiam o sufrágio universal livre e direto.

Em 2016, o dissidente cofundou o partido político Demosisto para defender a autodeterminação democrática do território, mas acabou por ser repetidamente desqualificado de concorrer ao parlamento.

Wong ganhou grande projeção internacional ao depor perante comissões do Congresso dos Estados Unidos e ao reunir-se com líderes europeus — esforços destinados a promover sanções diplomáticas e leis de apoio à autonomia de Hong Kong que resultaram na sua nomeação para o Prémio Nobel da Paz.

Depois de mobilizar a sociedade nos protestos antigovernamentais de 2019, foi acusado de organizar de forma ilegal primárias para selecionar os candidatos da oposição ao parlamento .

As autoridades já tomaram medidas judiciais, em 2024, para proibir o hino da oposição “Glória a Hong Kong” e remover da plataforma Disney+ episódios de “Os Simpsons” que continham sátiras sobre a repressão dos protestos em Tiananmen, em 1989.

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