Joana Vasconcelos inaugura exposição “Venus” em Roma em diálogo com a moda de Valentino
A artista Joana Vasconcelos inaugura a 18 de janeiro a exposição “Venus”, em Roma, num projeto que cruza arte contemporânea e alta-costura, em diálogo com o legado do estilista Valentino, foi hoje anunciado.
Promovida pelo espaço cultural PM23, uma iniciativa da Fundação Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti, a exposição decorrerá até 31 de maio no Palácio Mignanelli, junto à Praça de Espanha, no coração da capital italiana, segundo um comunicado divulgado pelo ateliê da artista.
“Venus” reunirá obras icónicas e novas peças, criadas especialmente para os espaços, “propondo um percurso fluido onde arte e alta-costura dialogam em relação direta com a cidade e com a herança estética de Valentino Garavani”.
No centro da mostra irá destacar-se a peça “Valkyrie Venus”, uma obra monumental concebida especificamente para este projeto, que “integra diversos saberes coletivos e práticas artesanais, afirmando a criação artística como força partilhada, viva e transformadora”, descreve a produção.
Para além do PM23, o projeto estende-se ao espaço público romano através de várias instalações, entre as quais “I’ll Be Your Mirror”, “Solitaire” e “Drag Race”.
A instalação de “I’ll Be Your Mirror” marcou o início da primeira parte do projeto urbano em dezembro do ano passado, inaugurada na área envolvente do ‘hub’ cultural PM23.
Segundo a artista, citada no comunicado, a exposição “Venus” nasce de um diálogo entre o seu trabalho e o de Valentino Garavani, “assente numa visão comum da beleza como geradora de harmonia e como promessa de paz e justiça social”, valores que considera “urgentes” no mundo contemporâneo.
O Museu Picasso Málaga, em Espanha, vai acolher a partir de maio deste ano uma exposição da artista portuguesa com a sua trajetória que incluirá obras desde finais dos anos de 1990 até criações recentes, anunciou a instituição em dezembro.
Joana Vasconcelos, nascida em 1971, conta com uma carreira de mais de três décadas, que se caracteriza pela descontextualização de objetos do quotidiano e pela apropriação do artesanato tradicional, que adapta ao século XXI para questionar temas como o papel da mulher, a sociedade de consumo e a identidade cultural.
Vasconcelos representou oficialmente Portugal na Bienal de Arte de Veneza, em 2013, levando um cacilheiro transformado pela azulejaria ao recinto principal da mostra internacional contemporânea.
Foi a primeira artista mulher e a criadora mais jovem a apresentar o seu trabalho no Palácio de Versalhes (França), numa mostra individual que bateu recordes de visitantes, e tem levado a sua produção a instituições como o Museu Guggenheim Bilbao (Espanha), o Palácio Pitti e as Galerias Uffizi (Florença, Itália), entre outras.
No ano passado inaugurou as exposições “Drag Race – A Transgressão do Barroco”, no Museu de Artes Decorativas Portuguesas, em Lisboa, “Flamboyant”, em Madrid, Espanha, “Flowers of my desire”, em Ascona, Suíça, “Pavillon de Vin”, em Brasília.
Em 2024, entre outros projetos, a artista levou “O Castelo das Valquírias” à Alemanha, “Valkyrie Liberty” ao The Armory Show em Nova Iorque, e “O Jardim do Éden” ao Museu do Côa, em Vila Nova de Foz Côa, no distrito da Guarda.
Joana Vasconcelos, primeira artista a vencer o Prémio Novos Artistas Fundação EDP, em 2000, começou a expor na década de 1990, tendo o seu trabalho sido projetado internacionalmente em 2005, quando participou na Bienal de Veneza com a peça “A Noiva”, um lustre monumental composto por tampões de higiene íntima feminina.
