Jorge Panchoaga, premiado fotógrafo colombiano, tem exposição em Lisboa sobre memória, cultura e luta das comunidades afrodescendentes no seu país
A Narrativa inaugurou “Kalabongó”, do fotógrafo Jorge Panchoaga, no dia 7 de Novembro, em Lisboa. Com entrada livre, a exposição que revela o trabalho nomeado para o prémio Livro do Ano 2025 do Paris Photo estará patente até 20 de Dezembro, apresentando, pela primeira vez em Portugal, uma viagem visual pela memória, cultura e luta das comunidades afrodescendentes na Colômbia.
“Kalabongó” revela a história de Palenque, comunidade afrodescendente que lutou pela liberdade. Desenvolvido ao longo de quatro anos, o projecto articula a memória histórica com a justiça racial — uma causa partilhada por comunidades em todo o mundo, incluindo Portugal — mostrando a fotografia como um instrumento de testemunho e resistência.
A exposição transforma a galeria da Narrativa numa experiência imersiva e sensorial única: os visitantes poderão explorar o corpo de trabalho com uma lanterna, criando um diálogo íntimo entre o público e a fotografia.

Fotografia de resistência e liberdade
“Kalabongó”, de Jorge Panchoaga, revela a história e a cultura de San Basilio de Palenque, comunidade afrodescendente na costa colombiana que, desde 1599, lutou por liberdade e autonomia. As imagens nocturnas capturam a essência desta narrativa, onde a noite se torna “cúmplice da luz da liberdade”.
A exposição surge num momento de pressão social afirmativa, em que comunidades afrodescendentes se mobilizam por reconhecimento, direitos territoriais, justiça racial e visibilidade — um tema partilhado por outros países, onde se inclui Portugal. O trabalho de Panchoaga estabelece um diálogo entre memória histórica e reivindicações contemporâneas, mostrando como a arte pode ser um testemunho, documento político e espaço de resistência.
“Kalabongó” percorre a tradição e a vida quotidiana de Palenque, lembrando que a identidade cultural e a luta por justiça permanecem vivas, conectando passado e presente numa narrativa visual poderosa.

A exposição transforma a galeria da Narrativa num espaço sensorial único, onde cada fotografia exige um olhar atento. É concebida para ser explorada com uma lanterna, criando um diálogo íntimo entre o visitante e a obra, e sublinhando como a luz — elemento central no processo criativo de Panchoaga — molda a percepção, revelando detalhes ocultos e destacando texturas da memória e da história.
Ao percorrer o espaço, os visitantes tornam-se participantes activos, movendo-se entre sombras e focos de luz que evocam a intensidade das noites de Palenque. Cada gesto de iluminação transforma-se em revelação e reflexão, tornando a visita uma experiência imersiva, quase ritual, que exige atenção e sensibilidade.

