Jornalista Margarida David Cardoso publica livro que retrata vidas marcadas pela psicose
O livro será apresentado num debate a 4 de Março, pelas 18h30, na Sala de Âmbito Cultural Corte Inglés, em Lisboa. Uma conversa entre a autora, a psicóloga clínica Maria João Martins e José Caldas de Almeida, psiquiatra e antigo diretor nacional de Saúde Mental, com moderação de Filipa Melo.
“Aquilo que vi no escuro, Histórias sobre psicose”, de Margarida David Cardoso, “existe por causa da generosidade de meia centena de pessoas que deram o seu tempo e confiaram as suas histórias na esperança de que possam ser úteis para mais alguém“, refere a autora no prólogo, e chega agora às livrarias como um retrato de vidas marcadas pela psicose, pela perplexidade e pelo estigma: “porque a alteração do entendimento da realidade comum é, sobretudo, uma experiência de solidão extrema. E, até mesmo quando condena alguém a viver numa clínica psiquiátrica dentro de um estabelecimento prisional, significa dor e sofrimento mentais quase inconcebíveis.“, pode ler-se num comunicado da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

“Profissionais de saúde descrevem frequentemente a psicose como uma perda de contacto com a realidade partilhada. Uma imagem quase poética, difícil de concretizar. “É quando o mundo que é percepcionado por ti é extremamente diferente do que é percepcionado pelos outros.” A psiquiatra Inês Homem de Melo procura as imagens claras, as metáforas. Um dia, conversava com outros psiquiatras entre consultas: “Não será a psicose como sonhar acordado?” O matemático John Nash (1928–2015), Prémio Nobel, catedrático em Princeton e diagnosticado com esquizofrenia, falava nesses termos da sua experiência delirante: “É como viver um sonho. Quando eu sabia onde estava, estava lá em observação.” Ao lado de Inês, o psiquiatra Gustavo França arrisca uma definição mais intrincada: “A psicose é uma cisão entre a realidade interna e a realidade externa.” Uma cisão entre a realidade mental, privada, do pensamento, e a realidade do mundo mais objetivamente vivido e partilhado com os outros.”
Excerto do livro “Aquilo que vi no escuro, Histórias sobre psicose”, de Margarida David Cardoso.
Margarida David Cardoso é jornalista e começou em 2016 a trabalhar no Público. Em 2019, mudou-se para a redação do podcast Fumaça. Coordenou os livros “Verdes Anos: Retratos de Juventude” e “E depois da Revolução: Cinco Décadas de Democracia”, da Fundação Francisco Manuel dos Santos. É pós-graduada em Ação Humanitária, formada como técnica de apoio à vítima, e estudante de Psicologia.
