Escritor Kamel Daoud, vencedor do prémio Goncourt, vem a Portugal

por Comunidade Cultura e Arte,    27 Maio, 2026
Escritor Kamel Daoud, vencedor do prémio Goncourt, vem a Portugal
Fotografia de Editions Gallimard

O escritor Kamel Daoud, prémio Goncourt, vai estar em Portugal no próximo dia 3 de Junho, quarta-feira, às 19 horas. O encontro decorrerá na Mediateca do Institut Français du Portugal.

Em conversa com Mathilde Vanackere, o autor franco-argelino de “Por Vezes É Preciso Trair”, publicado em Portugal pela Guerra e Paz, partilhará reflexões sobre literatura, liberdade de expressão, identidade, memória e os grandes desafios do mundo contemporâneo.

Capa do livro / DR

“Por Vezes É Preciso Trair”, de Kamel Daoud, é o potente grito de um ser humano que, nascido argelino e tendo na sua juventude militado no movimento islâmico, é hoje, devido às suas posições anti-identitárias, acusado de «apóstata» e «inimigo do Islão», e objecto de uma fatwa que exige a sua morte.

Daoud defende a liberdade, não sente culpa e clama de uma vez por todas pela «superação do dolorismo pós-colonial». Para Daoud, existe apenas uma regra: não hesitar em trair o «nós», ter a coragem de romper com o rebanho. Daoud deu esse passo e quer ser universal, mantendo-se árabe e francófono. Hoje, na Argélia, «a identidade árabe» é brandida como uma inquisição que exclui a diversidade e o mundo, e o mesmo se passa em muitas ex-colónias. Para Daoud, que deixou Orão e a Argélia em 2023, «o mar ou o deserto escaldante conferem à história um sentido mais vasto do que o nacionalismo».

Neste livro, a traição é sinónimo de libertação contra a imobilidade das certezas colectivas; e o epíteto de traidor torna-se num estandarte, numa atitude filosófica e existencial.

Kamel Daoud nasceu em 17 de Junho de 1970, em Mostaganem, na Argélia, e é um escritor e jornalista a viver actualmente em França. Daoud é o mais velho de seis irmãos de uma família muçulmana de língua árabe, tendo aderido na adolescência ao movimento islâmico, com o qual se desiludiu, passando a opor-se abertamente ao fervor religioso.

Estudou primeiro Matemática, depois Literatura Francesa, mas enveredou pelo jornalismo, colaborando com o Le Quotidien d’Oran, onde chegou a ser chefe de redacção durante oito anos.

Capa do livro / DR

Em 2013, publicou o seu primeiro e controverso romance, “Meursault, Contra-Investigação”, que, entre outros, recebeu o prémio Goncourt para romance de estreia, e, em 2024, foi novamente agraciado com o prémio Goncourt pelo seu não menos controverso romance “Huris”. A controvérsia em torno da sua obra literária valeu-lhe uma fatwa de «apóstata» e «inimigo do Islão» que exige a sua morte.

Acusado por estudiosos franceses de islamofobia depois do alerta que fez no Le Monde aquando de um caso de agressão sexual em Colónia, Daoud retirou-se temporariamente do jornalismo, retomando a actividade após o apoio de vários jornalistas e escritores que o defenderam.

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