Mais de 40 mil pessoas já assinaram a petição “Contra o ódio e a agressão gratuita na internet”

por Comunidade Cultura e Arte,    30 Novembro, 2020
Mais de 40 mil pessoas já assinaram a petição “Contra o ódio e a agressão gratuita na internet”
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Para ser levada a discussão na Assembleia da República, uma petição necessita de 4.000 assinaturas.

Tal como prometido, em grande entrevista ao Jornal das 8, da TVI, Cristina Ferreira acaba de lançar uma petição para levar o debate em torno do ódio e da
agressão gratuita na internet e redes sociais à Assembleia da República. Esta iniciativa surge no âmbito da publicação do livro Pra Cima de Puta, que, tendo sido lançado há pouco mais de uma semana, vai já na 3.a edição. Cristina Ferreira anunciou também que doará os direitos de autor – tal como tinha feito já com o livro anterior, Falar (Inglês) é Fácil (Contraponto, 2018) – a entidades dedicadas a este problema.

Com um título provocatório e com conteúdo verdadeiramente chocante, este novo livro de Cristina Ferreira é um convite da autora ao debate, à discussão pública da violência gratuita na Internet e nas redes sociais e respetivas consequências. O livro inclui uma forte – e potencialmente perturbadora – componente gráfica a acompanhar o texto de Cristina Ferreira. E também alguns contributos: um prefácio do escritor Valter Hugo Mãe e textos, em capítulo próprio, da jurista Dulce Rocha, da filósofa Joana Rita Sousa, do médico psiquiatra Júlio Machado Vaz, da socióloga Maria José da Silveira Núncio e do médico pedopsiquiatra Pedro Strecht.

O livro apresentado pela autora

Na Internet e nas redes sociais, a maldade grassa, o fel destila. Assusta-me perceber que há gente que se alimenta disso, que julga e agride os outros com facilidade e sem pudor.
Este livro é sobre a violência e sobre a necessidade urgente de mudar. Com ele, pretendo confrontar-nos com a impunidade das agressões que, nas redes sociais, se dirigem não interessa a quem ou com que consequências.

Muitos considerarão que este título e o que aqui mostro constituem mais uma provocação. É verdade, este livro é uma provocação, uma chamada de atenção. Mas é também um testemunho que acredito que posso deixar. É uma parte da História e da história das pessoas que, impunemente, optam por agredir. Esta maledicência, esta imensa maldade, num mundo que precisa tanto do oposto, surge porquê? O que leva o ser humano a escrever este tipo de comentários? Um dia, daqui a muito tempo, alguém pegará neste livro e conseguirá entender como eram as redes sociais nesta década do século XXI. Talvez encontre algumas pistas.

O que aqui mostro pretende ser uma abertura de caminho para uma análise sociológica que é preciso fazer. Não é para terem pena de mim ou da minha família. É para percebermos que mulheres e homens atacam ferozmente. Na maioria das vezes, sem conhecimento de causa, por inveja pura e simples ou por qualquer outro sentimento que os especialistas saberão identificar melhor do que eu.

Quero que este debate se faça. Sou uma profissional da área da comunicação e chego a muita gente. Quero usar essa influência para tentar criar reflexão e discussão em torno de algo que não me afeta só a mim, de algo que me parece que faz de nós, enquanto sociedade, gente menor do que poderíamos ser.

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