Mais de cem propostas de teatro, música, dança e literatura no Teatro S. Luiz na temporada 2026-2027

por Lusa,    13 Julho, 2026
Mais de cem propostas de teatro, música, dança e literatura no Teatro S. Luiz na temporada 2026-2027
“Afro Saloyá” / Fotografia de Joanna Correia
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Mais de 100 propostas preenchem a temporada 2026-2027 do S. Luiz Teatro Municipal, em Lisboa, nomeadamente 55 momentos musicais, 26 espetáculos de teatro, oito de dança, cinco festivais e duas óperas, entre outros, anunciou hoje a sala de espetáculos.

Dezasseis projetos nas áreas do pensamento e da literatura, quatro intervenções no espaço público, uma performance e uma instalação constam também da próxima temporada do S. Luiz, numa programação a cumprir de setembro deste ano a julho de 2027, em que a direção artística do teatro, assumida por Miguel Loureiro, promete “desafiar convenções e cruzar fronteiras artísticas, num plano de criação organizado em múltiplas categorias”.

“No coração desta vasta e eclética programação, o São Luiz elege uma mão cheia de grandes momentos que servem de bússola para o que aí vem”, abrindo a ‘rentrée’ com jazz, na segunda edição do Picadeiro Fest2026, que reúne um “programa abrangente, em que se cruzam várias perspetivas e correntes da música atual, numa curadoria do músico João Pereira”.

Cristina Clara / Fotografia de Ana Viotti

De 09 a 13 de setembro, no Largo do Picadeiro e nas salas Bernardo Sassetti e Mário Viegas, o público terá espetáculos com As Batucadeiras das Olaias, o saxofonista Albert Cirera e o baterista Ramon Prats e os DUOT (Catalunha), que se juntam ao quarteto de cordas português ZARM Ensemble, num sexteto em que improvisarão em diálogo, sem hierarquias nem papéis fixos, lê-se na programação da nova temporada do S. Luiz.

O quarteto de Gonçalo Marques, Norberto Lobo, com “Solo”, e o trio luso-americano Rhizome, com Daniel Levin (violoncelo), Hernâni Faustino (contrabaixo) e Rodrigo Pinheiro (piano), figuram também no programa do Picadeiro Fest2026.

A programação de teatro abre no dia 16 de setembro, na sala Luis Miguel Cintra, com a peça “O pai”, de August Stindberg, numa encenação de Gonçalo Waddington, que se manterá em cena até dia 27.

“Caminho do céu”, de Juan Mayorga, numa criação de Rita Cabaço, em cena na sala Mário Viegas, de 30 de setembro a 11 de outubro, “Mal na Raiz”, a partir do mito de Antígona, com dramaturgia e encenação de Guilherme Gomes, de 14 a 18 de outubro, na sala Bernardo Sassetti, e em estreia nacional “Under the Shape of a Tree I Sat and Wept”, projeto teatral criado por artistas da Europa e de África, da autoria de Jeton Neziraj, com encenação de Blerta Neziraj e dramaturgia de Greg Homann, de 23 a 25 de outubro, na sala Luis Miguel Cintra, destacam-se entre outras opções em teatro.

Através de arquivos e testemunhos, em “Under the Shape of a Tree I Sat and Wept” (“Sob a sombra de uma árvore, sentei-me e chorei”, em tradução livre), um coletivo de artistas “explora o perdão como pedra angular da cura social e da coesão humana”, inspirando-se em dois “marcos históricos”: a Campanha de Reconciliação das Rixas de Sangue no Kosovo (1990) e a Comissão da Verdade e Reconciliação na África do Sul (1995), num espetáculo que reflete “sobre a forma como as sociedades e os indivíduos enfrentam traumas profundos e ciclos de violência”, lê-se na sinopse constante da programação.

“Afro Saloyá” / Fotografia de Joanna Correia

“Em silêncio”, um texto e encenação de Teresa Sobral, nos dias 24, 25, 30 e 31 de outubro e 01 de novembro, na sala Mário Viegas, parte de documentos e testemunhos de pessoas que viveram os 48 anos de ditadura em Portugal, convidando o público a fazer uma “viagem imersiva”, na época.

“As ilhas desconhecidas”, de Raúl Brandão, numa versão teatral e encenação de Sara Gonçalves, de 10 a 20 de dezembro, na sala Luis Miguel Cintra, consta também das propostas de teatro.

A esta programação juntam-se ainda “Afro Saloyá”, “um espetáculo-concerto-pop-ritualístico e uma artista afro saloia”, criado e interpretado por Isabél Zuaa, que não chegou a ser estreado em Guimarães mas que estará na sala Mário Viegas de 20 a 24 de janeiro de 2027, assim como “Quem matou Allan Poe?”, com direção artística e encenação de Carla Maciel, de 11 a 20 de dezembro.

No plano internacional, o coreógrafo britânico Akram Khan regressará a Lisboa com a última produção da companhia, “Thira: Night of Rememering”, nos dias 05 a 07 de fevereiro de 2027, na sala Luis Miguel Cintra, num espetáculo que junta “bailarinas de Bharatanatyam e de dança contemporânea numa colaboração criativa que cruza culturas e perspetivas híbridas”, acrescenta a programação do S. Luiz.

Do programa completo do S. Luiz constam ainda atuações da Orquestra de Câmara Portuguesa (05 de outubro), de Cristina Clara (03 novembro), Surma (19 novembro), Miguel Araújo (25 novembro), Orquestra Sinfónica Juvenil (27 de novembro), Banda da Armada (29 de novembro), do pianista e compositor holandês Joep Beving (26 de janeiro) e dos Três Tristes Tigres (no dia seguinte), entre outros.

“Oresteia de Ésquilo” , com tradução e dramaturgia de José Pedro Serra, com encenação de Bruno Bravo, numa coprodução do S. Luiz com a companhia Primeiros Sintomas, de 24 de fevereiro a 20 de março, a performance “Ki.Ne.Ma.Tik”, pela Karnart, de 06 a 0 de abril, a ópera “Diálogos das Carmelitas”, de Francis Poulenc, pela Orquestra Académica Metropolitana, nos dias 22 e 24 de abril, são também opções no S. Luiz.

A próxima temporada encerrará com o Teatro Praga a estrear “Para uma Breve História do Fogo”, de André e. Teodósio e José Maria Vieira Mendes, de 30 de junho a 11 de julho, no segundo espetáculo de um ciclo da companhia dedicado aos cinco elementos, “num momento de urgência planetária”.

“Numa abordagem de escuta e não de afirmação, cada elemento assume o papel de narrador e protagonista, restando aos seres humanos o papel de convidados”, conclui a programação do S. Luiz sobre a peça, que conta com o ator Miguel Guilherme no elenco.

Na apresentação da próxima temporada, o S. Luiz destaca “novos passos na forma como cuida da acessibilidade ao Teatro”. Para tal, convidou o músico, ator e fotógrafo “cego” Aliu Sane Baio, para consultor de Acessibilidade no Teatro São Luiz, para ajudar a identificar necessidades da instituição e de quem a visita, no sentido de melhorar a oferta ao público “com deficiência, necessidades específicas ou mobilidade condicionada”.

Num trabalho conjunto com o Teatro Variedades-Capitólio, o São Luiz avança para uma parceria com o projeto VEM, um serviço de mobilidade assistida para que a falta de apoio ou companhia não seja motivo para ficar em casa.

“Com a ajuda de guias formados, o projeto ‘dá o braço’ a quem precisa de um acompanhamento seguro para ir ao teatro e desfrutar da cultura com total autonomia”, numa “solução ideal para pessoas seniores, com deficiência visual ou mobilidade condicionada que desejam continuar a frequentar salas de espetáculo com maior segurança e dignidade”, num serviço gratuito em que o transporte fica a cargo do espetador”, avança o S. Luiz.

O programa completo da temporada por ser consultado no ‘site’ do teatro na Internet.

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