Carlos Moedas lembra que foi ele quem nomeou os ex-diretores do Aljube e TBA e rejeita “cartão partidário” como critério

por Lusa,    25 Março, 2026
Carlos Moedas lembra que foi ele quem nomeou os ex-diretores do Aljube e TBA e rejeita “cartão partidário” como critério
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O presidente da Câmara de Lisboa disse hoje que não tem em conta o cartão partidário quando avalia responsáveis para cargos, lembrando que em 2021 nomeou Rita Rato e Francisco Frazão, afastados recentemente das direções de equipamentos culturais municipais.

“Em 2021 eu nomeei Rita Rato para o Museu do Aljube, eu nunca fui perguntar à diretora se as pessoas que ela estava a contratar tinham ou não cartão partidário, quando avalio uma pessoa para determinada posição não estou a olhar para o cartão partidário”, afirmou Carlos Moedas, na reunião pública camarária de hoje.

O líder do executivo, eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL, foi questionado pelos vereadores da oposição sobre o recente afastamento de Rita Rato da direção do Museu do Aljube, substituída por nomeação direta de Anabela Valente, e de Francisco Frazão da direção artística do Teatro do Bairro Alto.

A oposição interrogou Carlos Moedas sobre as razões para o afastamento dos responsáveis e que estratégia tem para aqueles equipamentos culturais municipais, considerando que “numa democracia, o presidente de câmara não é o dono dos equipamentos culturais” de Lisboa e “deve explicações à cidade” pelas suas decisões.

O vereador do PCP, João Ferreira, perguntou ainda que avaliação fez o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) do trabalho daqueles diretores, apontando que “qualquer bom gestor da coisa pública” deve fazer uma avaliação “quando decide que chegou ao fim um ciclo”.

Em resposta, Carlos Moedas acusou o vereador do PCP de querer, “eventualmente, ter uma palavra a dizer nas decisões sobre as empresas municipais, sobre quem trabalha nessas empresas”.

“Tem consciência que fui eu que nomeei a Rita Rato para o Aljube, assim como o diretor do Teatro do Bairro Alto, e falar em saneamento político sobre pessoas que fui eu que nomeei e estiveram quatro anos em funções penso que é um bocadinho exagerado”, salientou o presidente da Câmara, justificando a decisão de não recondução com a “mudança de ciclo político”.

Já o vice-presidente da câmara, Gonçalo Reis, à semelhança do que afirmou na terça-feira em reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, defendeu que “na cultura não deve haver vias únicas ou vias totalitárias” e que há casos em que é adequado fazer concursos para os cargos e outros em que é adequado fazer escolhas diretas.

Quanto à estratégia para aqueles dois equipamentos, o vereador da Cultura, Diogo Moura (CDS-PP), disse que aguardam a apresentação das linhas orientadoras por parte dos novos diretores escolhidos e garantiu que o TBA “na sua essência, vai manter o mesmo tipo de programação.

Já da parte do BE, Ricardo Moreira falou mesmo em “asfixia democrática”, salientando que Carlos Moedas é o presidente com mais poderes das últimas décadas e “foge de dar explicações” sobre a não recondução de diretores de equipamentos municipais e também sobre a nomeação de uma militante do Chega, Mafalda Livermore, para o conselho de administração dos Serviços Sociais da CML.

Ricardo Moreira questionou o líder camarário que outras pessoas do Chega nomeou “em troca de votos na câmara”, aludindo ao caso de Mafalda Livermore, cuja nomeação Carlos Moedas justificou com a “competência” da responsável exonerada há poucas semanas, após uma reportagem da RTP denunciar arrendamento clandestino a imigrantes e queixas na Ordem dos Advogados.

Ainda sobre este caso, a vereadora Alexandra Leitão, do PS, perguntou a Moedas se mantém a afirmação de que escolheu Mafalda Livermore pela sua competência, enquanto Carlos Teixeira, vereador do Livre, quis saber quais os elementos do currículo que a destacaram para ser escolhida para aquela posição.

“Eu nomeei essa pessoa com o conhecimento que tinha na altura dessa pessoa, assim que tive as informações que foram públicas eu imediatamente exonerei essa pessoa. Se a pergunta é se eu tinha conhecimento, não tinha, e quando tive atuei”, foi a resposta de Carlos Moedas.

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