Entrevista. David Castello-Lopes: “Os portugueses estão mais integrados em França do que estavam nos anos 60 e 70, mas ainda há a imagem do português imigrante e pobrezinho”

por Dinis de Oliveira Fernandes,    2 Maio, 2026
Entrevista. David Castello-Lopes: “Os portugueses estão mais integrados em França do que estavam nos anos 60 e 70, mas ainda há a imagem do português imigrante e pobrezinho”
David Castello-Lopes / Fotografia de Rui André Soares – CCA

Luso‑francês, nascido e criado em Paris, o humorista e jornalista David Castello‑Lopes cresceu entre duas línguas, duas culturas e duas formas de olhar o mundo. Filho de um pai meio português e meio francês, Gérard Castello-Lopes, que trabalhava regularmente em Lisboa, e de uma mãe francesa, Danièle Castello-Lopes, que aprendeu português quando o conheceu, habituou‑se desde cedo a viver num ambiente “mesmo franco‑português”, como descreve. Hoje, divide‑se entre a rádio France Inter, o canal de televisão Arte, o jornal digital Konbini e os palcos, onde o humor e o jornalismo se cruzam na forma como constrói as suas crónicas e espetáculos.

Em conversa com a Comunidade Cultura e Arte, fala sobre identidade e estereótipos, sobre a forma como os portugueses continuam a ser vistos em França e na Suíça, sobre o impacto do crescimento da extrema‑direita no discurso público, sobre a comunidade francesa em Lisboa e sobre Délicieux, o espetáculo que está a apresentar em digressão e que deverá chegar a Portugal em 2027.

És luso‑francês. Trabalhas em rádio, televisão, imprensa escrita, online e palco. És humorista, mas também és jornalista. Como te defines?

Sou mais francês do que português, isto é uma realidade. Embora tenha ambas as nacionalidades, vivi toda a vida em França. Só vinha cá de férias, até ter 18 anos, quatro meses por ano. O meu pai já era metade português e metade francês. Era um bocadinho mais português do que francês e sempre trabalhou aqui [em Portugal].

A minha mãe era completamente francesa, mas aprendeu português quando conheceu o meu pai. Portanto, os meus dois pais falavam português, o que era um bocadinho importante para aprender a língua quando era miúdo. Sempre tive uma grande ligação a Portugal.

Costumava ser mais jornalista do que humorista, mas agora passou a ser um bocadinho ao contrário. No palco já não sou jornalista, mas nas crónicas que faço na rádio ainda tenho, às vezes, uma maneira um pouco jornalística de construir piadas.

“Os portugueses estão mais integrados do que estavam nos anos 60 e 70, mas ainda há esta imagem de um português imigrante e pobrezinho, mas não tão pobre como naquela altura. Nos anos 60 e 70 havia bairros de lata, Bidonville ao pé de Paris, cheios de portugueses.”

Nasceste em Paris e cresceste em França. Alguma vez te chamaram de português quando não estavas à espera?

Lembro‑me de uma coisa particular. Quando tinha 13 anos comecei a ter bigode. Um bocadinho antes dos franceses [risos]. Também havia franceses que tinham bigode com aquela idade, mas pelo facto de ser português, os meus colegas de turma faziam pouco de mim. Eu correspondia ao cliché da nacionalidade portuguesa. Isto aconteceu realmente [risos]. E era especialmente por ser português.

David Castello-Lopes / Fotografia de Rui André Soares – CCA

Tiveste avós portugueses e avós franceses, incluindo um avô francês que combateu na Segunda Guerra Mundial. Como era o ambiente em casa durante a tua infância?

Exatamente, um avô francês e judeu. Ele combateu na Segunda Guerra Mundial, em 1940. Foi soldado durante alguns meses. Entre a entrada de França na guerra e a derrota. Mas não combateu mesmo, acho que estava longe da frente de combate. O ambiente era um bocadinho mais francês, porque vivíamos em Paris, mas havia muito de Portugal, mesmo assim. As pessoas que tratavam de mim quando eu era miúdo eram mulheres portuguesas. O trabalho do meu pai sempre foi em Portugal, e vinha muitas vezes a Portugal para trabalhar. Ele era distribuidor de filmes em Lisboa e fotógrafo. Portanto, falava‑se muito de Portugal e os meus pais falavam bastante português. Estávamos sempre a combinar quando e como íamos para Portugal, porque íamos todas as férias. Havia um ambiente mesmo franco‑português.

Como é que descreves a diferença entre aquela vaga de portugueses que chegou nos anos 60 e 70 e a comunidade portuguesa que vês hoje em dia em França?

Acho que os portugueses estão mais integrados do que estavam nos anos 60 e 70, mas ainda há esta imagem de um português imigrante e pobrezinho, mas não tão pobre como naquela altura. Nos anos 60 e 70 havia bairros de lata, Bidonville ao pé de Paris, cheios de portugueses. Agora também há portugueses em França que têm profissões para além da construção civil, ou do trabalho como empregadas e porteiros. E acho que isto mudou, sim, deve ter mudado a imagem que os portugueses têm.

Emigração portuguesa nos arredores de Paris anos 60 / DR

Quais é que tu dirias que são os estereótipos relacionados com Portugal ou com os portugueses que aparecem no teu trabalho?

São sempre os mesmos. Os portugueses são peludos, são todos porteiros ou pedreiros, e só comemos bacalhau. E muitas vezes, esta é uma das únicas palavras que os franceses conhecem em português, “bacalhau”. Mas não a pronunciam bem.

Tens uma crónica muito interessante na rádio France Inter que goza com a maneira como os franceses imitam o sotaque português. Como é que isso surgiu e como é que achas que foi recebido?

Surgiu porque sempre falei com muitos portugueses que falavam francês. Os amigos do meu pai falavam todos francês, porque eram de uma geração onde a segunda língua, num certo meio social, era o francês, não era o inglês. Por isso ouvi desde muito cedo portugueses a falarem francês, e tinha muito bem o sotaque na minha mente. Mas também sempre ouvi os franceses que tentaram fazer imitações do português e faziam muito mal. Foi algo que sempre tive na cabeça. Acabei por fazer esta crónica sobre o sotaque e foi muito bem recebida. Acho que foi uma das crónicas que fiz que teve mais êxito. Particularmente na comunidade luso-francesa. E também foi assim que o presidente da Câmara de Lisboa me conheceu. Porque ele é português, mas passou muito tempo em França e tem uma mulher que é francesa.

“A principal diferença entre os franceses que vivem em Portugal e os portugueses que vivem em França deve ser o dinheiro [risos]. Os franceses que vivem aqui são mais ricos, é uma intuição que tenho. Não se fala em gentrificação quando há portugueses que se instalam num bairro em Paris e fala-se de gentrificação aqui [em Lisboa].”

Alguma vez recebeste alguma mensagem de algum imigrante português que não tenha gostado ou que se tenha sentido ofendido?

Sim, algumas. Durante muito tempo não vi esta coisa que se via com muitas comunidades em França. Não via esta honra em ser-se português em França, ou esta vaidade, ou orgulho de se ser português em França. Mas em França agora também há portugueses que não querem que se diga mal de Portugal, ou que se faça piadas sobre Portugal.

Eu fui homenageado pela comunidade portuguesa em Paris, pelo vídeo que fiz há muitos anos sobre a origem dos pastéis de nata, mas também recebi mensagens negativas. Por exemplo, quando fiz uma crónica sobre o 25 de Abril, na rádio France Inter. Era sobre como não se fala muito da ditadura portuguesa em França. E houve pessoas que não gostaram porque fiz umas piadas sobre a PIDE.

A questão é, acabei por dizer que uma das razões que explicava o facto de os franceses não falarem muito da ditadura portuguesa, era por que o Salazar era um bocadinho menos malvado que os grandes blockbusters das ditaduras [risos], como o Hitler, o Pol Pot, o Stalin. E isto fez com que algumas pessoas não gostassem. Diziam que não é possível fazer escalas daquilo que é mau. Eu acho que é completamente possível, que é mais grave matar, não sei, 10 milhões de pessoas do que 5 mil, e é mais grave matar 5 mil do que 3, e é mais grave matar 3 do que 1. Mas pronto, eu sei que há pessoas, e não todas portuguesas, algumas francesas que não gostaram disso.

“Os portugueses ainda fazem na Suíça as mesmas profissões que faziam em França há 30 ou 40 anos. O imaginário do português dos anos 60 ainda persiste mais na Suíça porque é uma realidade que é ainda muito mais presente.”

Quando fazes piadas sobre Portugal, ou sobre os portugueses em França, quem é que tu procuras fazer rir? Os portugueses ou os franceses?

Mais os franceses. Portugueses há alguns, acho que há um milhão de portugueses em França. E há 68 milhões de franceses, portanto, os primeiros com quem eu tento falar são os franceses. Mas é sempre importante ter a consciência de que muitos franceses conhecem os portugueses, porque há muitos portugueses em França, especialmente em Paris e nas grandes cidades. Quando faço uma piada sobre portugueses em França, sei que vai ser ouvida pelos portugueses, o que não seria o caso noutros países. Penso que se fizesse a mesma coisa na Polónia ou nos EUA não haveria uma base para fazer piadas. Também trabalho muito na Suíça, e as piadas que faço sobre os portugueses na Suíça têm mais êxito ainda. Vejo isso muito no palco, porque os risos são maiores. Na parte francesa da Suíça, a proporção de portugueses é maior do que em França. Os portugueses ainda fazem na Suíça as mesmas profissões que faziam em França há 30 ou 40 anos. Trabalham todos nos hotéis, como porteiros e há uns 60 ou 70% deste pessoal nas cidades francófonas da Suíça que são portugueses. O imaginário do português dos anos 60 ainda persiste mais na Suíça porque é uma realidade que é ainda muito mais presente.

David Castello-Lopes / DR

E tens percebido alguma mudança no discurso público sobre imigrantes em França nos últimos anos? Os portugueses também são alvo de xenofobia?

Acho que sim, um bocadinho menos que os outros, porque são brancos, não é? Mas sim, um bocadinho. Eu sei também que o Rassemblement National [partido político francês de extrema-direita] tem bastante êxito na comunidade portuguesa em França. Há um racismo dos portugueses emigrantes em França contra os imigrantes da África do Norte e contra as pessoas descendentes de africanos. Acho que esses portugueses veem os descendentes de magrebinos e de africanos como uma categoria inferior a eles socialmente. E, por isso, não querem ser assimilados a eles. Penso que deve ser isto que eles veem, mas não sei bem. Vi que havia um racismo dos portugueses que deve ter crescido nestes últimos anos.

Achas que o crescimento do Rassemblement National mudou, de alguma forma, a liberdade que tens para falar sobre algum assunto? Achas que alguma coisa pode mudar no teu trabalho se ganharem as eleições?

Acho que há uma coisa que pode mudar no meu trabalho. O canal de televisão onde trabalho é público e a rádio também. A influência pode ser essa. Pode ser que as subvenções baixem. Isto é uma possibilidade. Se calhar há canais que vão desaparecer. A grande influência poderá ser essa para mim. No que diz respeito ao que eu digo, vi que há pessoas muito diferentes que gostam do meu trabalho. Vejo porque escrevem no Instagram. Vejo as bandeirinhas ao pé do nome e sei que há pessoas que gostam de mim e que nunca falariam uma com a outra. Isto é uma das coisas de que eu gosto.

“O Rassemblement National [partido político francês de extrema-direita] tem bastante êxito na comunidade portuguesa em França. Há um racismo dos portugueses emigrantes em França contra os imigrantes da África do Norte e contra as pessoas descendentes de africanos. Acho que esses portugueses veem os descendentes de magrebinos e de africanos como uma categoria inferior a eles socialmente. E, por isso, não querem ser assimilados a eles.”

Portanto, a tua comédia aproxima realidades que não se cruzariam de outra forma?

Sim, penso que sim. Penso também que os assuntos que escolho não são polémicos ou polarizadores. Acho que também temos de falar de assuntos que não são polarizantes. Eu fiz durante muito tempo uma série de vídeos no Canal Plus em França sobre as origens dos objetos. Há em Portugal aqueles pauzinhos falsos de caranguejo, o surimi?! As origens do Surimi [risos]. Não é um tema muito polarizador. E, por isso, acho que é uma das razões para que não haja polémica sobre os temas.

E o público que vejo quando estou em palco não é o público que consome os programas de rádio que eu faço, que é na France Inter, ou no Arte. É um tipo de pessoas diferente, pessoas bastante idosas [risos]. Mas no palco vejo que, e digo isto muitas vezes, são pessoas muito parecidas comigo fisicamente. Pessoas entre os 18 e 40 anos. Brancas e com barba [risos]. E vejo mulheres e homens. Se calhar 60% homens e 40% mulheres. Portanto, é equilibrado.

David Castello-Lopes / DR

Queria-te perguntar sobre os franceses em Lisboa e em Portugal. Especialmente a comunidade que se instalou no bairro de Campo do Ourique e que tem os filhos no liceu francês. Conheces esta comunidade?

A principal diferença entre os franceses que vivem em Portugal e os portugueses que vivem em França deve ser o dinheiro [risos]. Os franceses que vivem aqui são mais ricos, é uma intuição que tenho. Não se fala em gentrificação quando há portugueses que se instalam num bairro em Paris e fala-se de gentrificação aqui.

Tenho duas amigas que se instalaram em Lisboa. Uma que é metade portuguesa e que tem um marido turco. E acho que é uma dessas pessoas. E outro casal franco-russo, mas que se instalaram aqui por razões fiscais [risos]. Não fui testemunha da mudança há dez anos, mas acho que se acelerou muito desde a Covid. Ouvi dizer que o povo de Lisboa não gostava deles [risos], porque faziam com que as rendas aumentassem. Eu vi Lisboa mudar a partir de meados dos anos 2010.

Em 2015 comecei a ver que Lisboa estava a começar a ser parecida a outras capitais europeias modernas. Com os lounges, com a música mais forte, e com os tuk-tuks.

Eu sou nostálgico de tudo. Prefiro sempre que as coisas fiquem como estão visualmente. Quando uma coisa muda, para mim, é sinónimo de que o tempo passa e é sinónimo da morte [risos]. E por isso, sim, eu gostaria que Lisboa ficasse exatamente como estava quando eu era miúdo. Mas isto é uma posição estética e neurótica, não é uma posição moral. Acho que os tuk-tuks são um bocadinho feios no centro de Lisboa. Hoje [a 23 de abril] estreia a exposição das fotografias do meu pai [Gérard Castello-Lopes] no Arquivo Fotográfico de Lisboa, que está no outro lado da rua [Rua da Palma]. E foram fotografias que eu escolhi. É por isso que estou em Lisboa, mas também para escrever o segundo volume do livro que estou a escrever.

Estás neste momento em tournée com o teu novo espetáculo, Délicieux. Dizes que é um espetáculo sobre o prazer. Isto significa o quê?

É mais sobre os pequenos prazeres. Não se fala de sexo ou fala-se muito pouco. Nem se fala de comida. É sobre os prazeres mais subtis, ou os prazeres maléficos. Às vezes quando alguém de quem não gostamos morre pode-nos dar prazer [risos]. Às vezes quando temos um amigo que tem mais sucesso do que nós e de repente tem um bocadinho de insucesso, dá-nos prazer [risos]. Não é toda a gente que pensa assim, mas penso que quase toda a gente se pode relacionar com isto.

“Durante muito tempo não vi esta coisa que se via com muitas comunidades em França. Não via esta honra em ser-se português em França, ou esta vaidade, ou orgulho de se ser português em França. Mas em França agora também há portugueses que não querem que se diga mal de Portugal, ou que se faça piadas sobre Portugal.”

Tens datas previstas para Portugal?

Ainda não, mas planeio fazer o espetáculo em Lisboa, penso que possa ser na segunda parte de 2027, daqui a um ano e meio mais ou menos.

Gostei especialmente da piada sobre o teu amigo Clement Beaune, que foi secretário de Estado e ministro do governo de Emmanuel Macron e é político do Renaissance. Como é que surgiu essa piada? Tiveste prazer quando ele saiu do governo?

Não sou um monstro, mas quer dizer… [risos]. Estava triste, mas uma parte de mim pensava que ele teve sempre tanto sucesso, tão cedo e sempre foi tão melhor que eu em tudo. Pronto, uma vez… [risos] não sei se é inteiramente mau ele sair do governo e perder as eleições. E claro, para dizer tudo isto sobre o Clement, falei com ele antes e ele aceitou a piada.

Achas que essas piadas se traduzem bem para o contexto de Portugal?

Não, as pessoas que vêm ver os meus espetáculos aqui em Lisboa são só os franceses. São aqueles franceses de Campo de Ourique e do Liceu Charles Lepierre, penso [risos]. Acho que da última vez havia amigos de família também. Mas, a maioria deles pude ver bem que eram franceses. No Authentique [espetáculo anterior, de 2024] toda a gente no público falava francês, mas nem todos falavam português, por isso é que faço o espetáculo em francês. Mas da última vez ainda traduzi algumas piadas para português.

David Castello-Lopes / DR

E achas que os franceses de Lisboa gostariam de piadas sobre portugueses? Achas que podia ser “um prazer malvado” deles?

Acho que não. As piadas que o público gosta são as piadas com as quais se pode relacionar. Podia fazer piadas sobre a vida dos franceses em Portugal ou em Lisboa, ou da maneira como os franceses são vistos pelos portugueses, por exemplo. Mas não conheço o assunto suficientemente bem para poder fazê-las.

Tens o objetivo de chegar também ao público português?

É difícil. É difícil porque é preciso fazer piadas em português. Para mim seria mais simples fazer piadas em inglês do que em português. Tenho mais vocabulário em inglês do que em português. O português é mais fácil para mim porque sempre falei desde miúdo, mas leio em inglês todos os dias da minha vida. Vejo os stand-up comedians ingleses, por isso acho que seria um bocadinho mais fácil do que fazer piadas em português.

Vês algum stand-up comedian português?

Sim, o Hugo Sousa [risos]. Conheci-o no Instagram há 3 ou 4 anos. Ele é muito engraçado, conheci-o com um bit sobre as pessoas que diziam que iam a Fátima a pé. É muito engraçado. Ele veio a Paris e não pude ir vê-lo, mas gostaria muito de conhecê-lo. E pronto, é um dos que eu gosto mais. Lembro-me também do Herman José de quando era miúdo nos anos 80. Lembro-me de um sketch que ele tinha sobre como se comia muita batata em Portugal. Ele até dizia que, com as cascas, se podia fazer chá de batata [risos].

Podemos, portanto, esperar Délicieux em Lisboa em 2027?

Sim, é só uma questão de organizarmos.

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