Quando a democracia está em causa, a neutralidade não é opção

por Ricardo Costa,    26 Janeiro, 2026
Quando a democracia está em causa, a neutralidade não é opção
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Na primeira volta destas eleições presidenciais, fiz uma escolha clara e assumida. Apoiei Luís Marques Mendes e tive a honra de ser seu mandatário pelo distrito de Braga. Fi-lo por convicção, por respeito pelo seu percurso e por acreditar que representava uma visão equilibrada, institucional e democrática para o país.

Os portugueses decidiram de outra forma. Luís Marques Mendes não passou à segunda volta. A democracia é isso mesmo. Aceita-se o veredicto das urnas e segue-se em frente, com responsabilidade.

E é exatamente por isso que, nesta segunda volta, a minha escolha é clara, inequívoca e pública.

No próximo dia 8 de fevereiro, o meu voto será em António José Seguro.

Não se trata de uma conversão ideológica nem de um alinhamento partidário. Trata-se de algo muito mais profundo e sério. Esta eleição não é entre a direita e a esquerda. É entre a democracia e o seu oposto.

Temos de decidir que país queremos ser.

Um país livre, plural, democrático, respeitador das instituições, defensor do Estado de Direito e dos direitos humanos.

Um país que protege os mais vulneráveis, que acolhe quem vem por bem, para trabalhar, contribuir e respeitar as regras comuns.

Um país fiel aos valores construídos com sacrifício, suor e lágrimas por gerações que lutaram para nos deixar uma democracia imperfeita, sim, mas livre.

Ou, pelo contrário, um país capturado pelo populismo, pelo extremismo, pela radicalização do discurso, pela normalização da discriminação e pela demagogia fácil.

Um país onde a desinformação deixa de ser exceção para se tornar método.

Um país onde se brinca com o medo, se divide para ganhar votos e se ataca tudo o que limita o poder pessoal.

Não tenho dúvidas de que esse caminho é um perigo real para a democracia portuguesa.

E a isso, a minha resposta será sempre a mesma: não.

Já o escrevi anteriormente aqui, na Comunidade Cultura e Arte, e repito sem hesitações: a neutralidade é cobardia bem vestida.

Especialmente quando os valores fundamentais estão em causa.

Nestas eleições, não sejamos cobardes. Não nos escondamos atrás de silêncios confortáveis nem de falsas equidistâncias. Manifestar uma posição clara não é um ato de radicalismo. É um ato de cidadania.

Quando existe uma ameaça real à democracia, tomar posição deixa de ser uma opção e passa a ser um dever cívico.

Eu faço o meu. De forma livre, consciente e responsável.

No dia 8 de fevereiro, voto por Portugal. Voto pela democracia. Voto em António José Seguro.

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