Série “Novas Narrativas de Caça” dá voz ao talento e às histórias dos afrondescendentes

por Lusa,    13 Maio, 2026
Série “Novas Narrativas de Caça” dá voz ao talento e às histórias dos afrondescendentes
Fotografia de Many Takes / Galo Bravo

A série “Novas Narrativas de Caça”, que se estreia na quinta-feira na plataforma de ‘streaming’ da RTP, quer ajudar a preencher uma lacuna de representatividade de afrodescendentes no audiovisual, como contou o autor Luís Almeida à agência Lusa.

“Novas Narrativas de Caça” é uma série portuguesa de ficção com sete episódios escritos e realizados por afrodescendentes, com histórias onde cabem comédia, drama, romance, distopia, racismo, preconceito, mercantilização do corpo negro, violência policial, identidade e trauma.

Fotografia de Many Takes / Galo Bravo

“A série surge um bocadinho da minha vontade de conhecer e dar a conhecer novos talentos do audiovisual. Cineastas afrodescendentes que estivessem a escrever mais ou menos o tipo de coisas que eu estava a escrever, sobre mais ou menos o que é ser afrodescendente em Portugal”, explicou Luís Almeida, criador do projeto.

Os sete episódios reúnem narrativas independentes assinadas por Gisela Casimiro, Lara Mesquita, Fábio Silva, Diogo Gazella Carvalho, Dércio Tomás Ferreira ou Cláudia Semedo.

“Acho que o talento existe, está por aí. Falta talvez o apoio e se calhar o encaminhar certo para podermos desenvolver as nossas histórias. E, para além disso, acho que havia uma falta de incentivo para procurar estas histórias motivação para ir atrás destas histórias e destes nomes”, disse o produtor e realizador, autor também do documentário “Filhos do Meio”.

O elenco destes sete episódios integra, entre outros, Gonçalo Cabral, Carolina Picoito Pinto, Custódia Gallego, Nuna Binete Undoque, Carla Gomes, Carlos Pereira, Cirila Boussuet, Dinarte Freitas, Isabél Zuaa e Daniel Martinho.

“Também era muito importante para mim trazer esta ideia de que nós importamos e as nossas histórias são tão importantes como… As nossas histórias dentro do nosso universo são tão importantes como histórias em que partilhamos com o resto”, considerou o realizador.

Fotografia de Many Takes / Galo Bravo

Quando questionado sobre as razões para essa falta de representatividade, Luís Almeida fala de questões de desigualdade na sociedade, falta de referências para os jovens que queiram investir em cinema e audiovisual ou falta de apoio das produtoras para desenvolverem talentos e histórias.

“Eu não conhecia nenhum realizador negro a trabalhar em Portugal que estivesse a escrever coisas com as quais eu me conseguisse identificar. E se calhar isso levou a que, durante a minha formação inteira, eu achasse que não havia forma de também ser realizador”, recordou Luís Almeida.

“Novas Narrativas de Caça” existe também para provar que “o caminho faz-se caminhando”: “Estamos aqui todos para tentar mudar isso. Eu acho que existe no ar já uma grande vontade de mudar isso”.

Fotografia de Many Takes / Galo Bravo

Temos já escritoras e escritores muito importantes afrodescendentes, e não só, a escrever e a editar. Temos atrizes com papéis importantes por esse mundo fora a dizer-lhes: ‘Malta, Portugal tem talento, está aqui, vejam. Portanto, eu acho que o ar está a mudar e a vontade é muita para, de facto, mudarmos este paradigma”, exclamou.

“Novas Narrativas de Caça” – um título provocatório para dizer que é hora de dar voz aos leões e não aos caçadores – fica disponível gratuitamente na plataforma de ‘streaming’ RTP Play, mas “há de haver uma janela de oportunidade” para passar num dos canais da RTP, disse.

E feita esta temporada, “ficaram muitas histórias e realizadores de fora”, afirmou. “Acho que há material que sobra para fazer mais uma, duas, três e até expandir para fora de Portugal, na verdade”, revelou Luís Almeida.

“Novas Narrativas de Caça” é uma produção da Many Takes e Galo Bravo, em coprodução com a RTP, e contou com apoio financeiro do programa “Cinema pela Democracia”, promovido pela Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, em parceria com o Instituto do Cinema e do Audiovisual e o Fundo de Fomento Cultural.

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