Sobrecarga nas redações e conteúdos gerados por Inteligência Artificial agravam desafios no combate à desinformação

por Lusa,    28 Janeiro, 2026
Sobrecarga nas redações e conteúdos gerados por Inteligência Artificial agravam desafios no combate à desinformação
Fotografia de Yunming Wang / Unsplash
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A sobrecarga nas redações, a crescente produção de conteúdos gerados por Inteligência Artificial (IA) e a dificuldade em contrariar crenças reforçadas ‘online’ foram hoje apontados como alguns dos desafios no combate à desinformação por jornalistas e responsáveis do setor.

Na conferência “Desinformação e Democracia: Polarização e Narrativas falsas” que decorreu hoje no Instituto Universitário de Lisboa (Iscte-IUL), a diretora executiva do Polígrafo, Salomé Leal, começou por defender que “os jornalistas estão saturados e isso reflete-se no que é publicado”, designadamente devido à falta de tempo na realização dos trabalhos jornalísticos.

Já o ‘fact-checker’ da Lusa, Luís Galrão, referiu que “o aumento da proliferação de conteúdos de Inteligência Artificial (IA) e a sua qualidade” é um dos maiores desafios atuais do combate à desinformação.

Por sua vez, a jornalista do Público, Leonor Alhinho afirmou que a facilidade de encontrar conteúdos nas redes sociais que corroboram aquilo em que se acredita dificulta o trabalho jornalístico e manutenção da credibilidade da profissão.

“Temos muito boas redações em Portugal, no entanto, há uma resistência cada vez maior de dizer ao leitor que está errado”, disse a jornalista, mencionando a técnica de ‘prebunking’.

O ‘prebunking’ é uma estratégia de comunicação proativa e baseada em evidências que prepara os indivíduos para resistir à manipulação antes que enfrentem desinformação.

Contrariamente à desmistificação de desinformação, esta estratégia pretende responder à desinformação após a formação da crença, funcionando a montante, ou seja, antes que o conteúdo se espalhe.

No evento que procurou debater a desinformação enquanto risco global, pela sua capacidade para fomentar a divisão, descredibilizar instituições e destabilizar democracias, Luís Galrão disse ainda que “o jornalismo televisivo está a contribuir para o problema de desinformação, nomeadamente os canais noticiosos que encheram a programação com comentadores e analistas, confundidos com jornalistas”, explicou.

“Alguma comunicação social estendeu a passadeira vermelha à desinformação”, afirmou. 

Nesta matéria, Salomé Leal disse ser necessário que a verificação de factos se adapte ao que as pessoas querem ver e “às vezes o que querem é uma peça com um minuto na televisão”, referiu, exemplificando o programa da TVI “Polígrafo”.

“É improvável que toda a gente se informe através de textos”, rematou.

A vice-presidente do Iscte, Helena Carreiras, abriu a conferência referindo a desinformação enquanto “tema crítico para o futuro da democracia”, num tempo de “erosão das instituições fundadoras da democracia e desenvolvimento das autocracias”.

“A desinformação e a propaganda seguem a par com o desenvolvimento das autocracias”, afirmou.

O evento integrou o projeto Upstream, uma parceria entre o Público e o CIES-Iscte financiado pelo European Media and Information Fund.

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