Tom de Festa: quando um festival celebra a memória sem deixar o encanto pela descoberta
Há festivais em que os grandes nomes do cartaz são o motivo para ir até eles. Outros distinguem-se pela capacidade de criar um lugar ao qual o público regressa ano após ano, como se reconhecesse o caminho para casa. O Tom de Festa pertence a essa segunda categoria.
Na sua 34.ª edição, de 7 a 11 de julho, o Tom de Festa – Festival de Músicas do Mundo ACERT volta a transformar Tondela num território de encontro entre culturas, gerações e geografias sonoras. Mas este ano há um simbolismo acrescido: celebram-se os 50 anos da ACERT, uma estrutura que, ao longo de cinco décadas, fez da criação artística, da participação comunitária e da descentralização cultural o centro da sua ação
É difícil contar a história do Tom de Festa apenas através dos artistas que passaram pelos seus palcos. O festival construiu-se sobretudo no diálogo com o público, e na aprendizagem mútua sobre músicas de outras latitudes, aproximando tradições, línguas e identidades que raramente encontravam espaço nos grandes circuitos culturais portugueses.

Com mote “Viagem de Regresso”, esta edição do Tom de Festa propõe um exercício de memória. Mais do que uma celebração nostálgica, é um convite para reencontrar artistas que ajudaram a construir a história do festival e, simultaneamente, descobrir novas vozes que continuam a expandir o seu horizonte artístico.
Richard Bona, com o projeto Fusion Experience, The Legendary Tigerman, Expresso Transatlântico, Quinteto Violado, PAUS, Omar com o coletivo Gira Sol Azul, Coimbra Jazz Ensemble e Francisca Urbano são alguns dos nomes que regressam a um palco que conhecem bem, transportando consigo novas criações, mas também a memória de outras edições.
Ao mesmo tempo, o festival mantém intacta a vontade de descobrir novos caminhos musicais. A banda franco-ganense EYAA, a sul-africana Nomfusi e os portugueses Miss Universo representam essa vontade de permanente renovação, que continua a fazer do Tom de Festa um lugar de primeiras escutas e encontros inesperados.
Ao longo de cinco dias, a viagem de regresso faz-se entre geografias tão distintas como os Camarões, Gana, África do Sul, Brasil e Portugal. Mais do que reunir artistas de diferentes origens, o Tom de Festa mantém um objetivo: utilizar a música como linguagem comum, capaz de aproximar culturas, contrariar fronteiras e promover o diálogo através da experiência coletiva.
A celebração dos 50 anos da ACERT estende-se para lá dos concertos. O primeiro dia do festival é dedicado à memória da associação, com exposições, conversas e o lançamento de projetos editoriais, numa programação que procura revisitar cinco décadas de criação artística, intervenção cultural e ligação ao território.
Na sua 34.ª edição, o Tom de Festa permanece fiel ao percurso que tem vindo a construir e, correndo o risco de se tornar previsível, insiste naquilo que nunca quer deixar de ser: um festival de muitas geografias musicais; um espaço de celebração da diversidade na sua plenitude; um festival que olha para o mundo sem perder a ligação à comunidade que o viu nascer, num movimento de acolhimento e curiosidade.
Tom de Festa – Festival de Músicas do Mundo ACERT 2026
Data: 7 a 11 de julho de 2026
Local: Tondela – Novo Ciclo ACERT
Programa completo e bilhetes aqui
Conteúdo patrocinado por ACERT.
