“Uma Longa Viagem com Lídia Jorge”, de João Céu e Silva, apresentado no festival Correntes d’Escritas
O festival literário da Póvoa de Varzim recebeu, na passada quinta-feira, a apresentação do mais recente livro do jornalista e escritor João Céu e Silva.
Esta “biografia dialogada” foi apresentada pelo autor e por Conceição Brandão, investigadora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto com tese de mestrado e doutoramento sobre a obra de Lídia Jorge, no Cine-Teatro Garrett: sala de ensaios.
Em “Uma Longa Viagem com Lídia Jorge” (Contraponto), João Céu e Silva teve como objetivo deixar um bom testemunho da obra e da pessoa.

Durante esta viagem, o leitor poderá aferir como a personalidade da autora moldou a respetiva obra. A sua intenção foi não surgir no livro, apesar de ter descoberto características ao longo da pesquisa e entrevistas. O diálogo deve ser entre o leitor e a escritora.
Conceição Brandão afirmou que este livro é um contributo muito importante para os estudos da autora. É uma conversa profundamente longa entre dois interlocutores, “dois leitores da sociedade portuguesa” num livro que é memória transformada em documento. Esta longa viagem é, segundo a investigadora, composta por duas vertentes: uma viagem geográfica e uma viagem interior.

Lídia Jorge nunca teve na escrita somente um exercício estético; procurou uma forma de compreender o mundo. E isso está bem expresso no livro de João Céu e Silva. Os seus romances não nascem de enredos; a sua prosa assenta em personagens. A autora escreve para perceber quem é “aquela” pessoa. Escrever é impedir que uma vida desapareça sem deixar testemunho. Lídia Jorge pensa, neste livro, em voz alta. O leitor assiste ao próprio pensamento a formar-se e acede à “oficina mental” da autora. Lídia Jorge não escreve para fixar o passado, mas para compreender.
João Céu e Silva contribui, com “Uma Longa Viagem com Lídia Jorge”, para uma aproximação entre leitor e escritora, entre investigador e obra, encurtando a distância que os possa separar.
