Vítor Oliveira. Até sempre mister

por Bernardo Oliveira,    28 Novembro, 2020
Vítor Oliveira. Até sempre mister
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Há pessoas que por se distinguirem dos seus pares alcançam um estatuto tal que, quando se ausentam eternamente do convívio com os comuns mortais, deixam um legado admirável que é para sempre recordado.

“Qual é a equipa que vai subir este ano? É aquela onde está o Vítor Oliveira’’. Foi desta forma que tantas conversas de café se foram construindo ao longo dos últimos anos. Vítor Oliveira teve um sucesso tal nos clubes por onde foi passando que o título já lhe era garantido antes mesmo de o campeonato ter começado. As certezas eram tantas que o próprio até tinha confessado ter-se cansado dessa pressão desmedida. Afinal, ele também era humano como nós.

A sua forma de estar no futebol era distinta. Apesar de quem escreve estas linhas ser apenas um jovem, que não o conheceu senão pelo que foi vendo pela televisão e lendo nos jornais, há sempre individualidades que servem de inspiração, quer na atividade que exercem, quer na postura que apresentam. E era tão fácil, com o sucesso, partir para a via mais fácil, a da arrogância, da sobranceria, de tentar passar por cima de quem se atravessa pelo caminho. Mas a simplicidade e humildade são qualidades que devem distinguir os verdadeiros homens, e fizeram de Vítor Oliveira um Senhor no futebol. As entrevistas que foi concedendo ao longo da carreira, e que podem ser visualizadas numa rápida pesquisa pela internet, mostram uma pessoa com bastante para ensinar, e sem problemas em dar a conhecer as suas formas de trabalhar e a própria opinião sobre a modalidade, com a frontalidade que sempre lhe foi reconhecida.

O desaparecimento de uma das maiores referências do futebol português faz-nos a todos ficar mais pobres. A homenagem chegou por parte de Pedro Proença, presidente da Liga, que pretende imortalizar o falecido técnico dando o seu nome à mensal distinção de melhor técnico da Liga, ficando denominado de Prémio Vítor Oliveira – Treinador do Mês. Desculpe mister, mas nós humanos continuamos com a mania de apenas homenagear grandes homens quando eles já cá não estão.

Se um dos maiores génios do futebol mundial nos decidiu deixar há poucos dias, foi agora a sua vez de se despedir para sempre. O seu trabalho e postura, esses, ficarão escritos e relembrados sempre na História do Futebol português. Que esta sua última subida seja de descanso. Permita-me apenas dizer que ficará para sempre a saudade de o ver no banco. Era aí que a sua presença deveria ser eterna. Até sempre Mister.

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