Wagner Moura, do Brasil para o mundo: um artista de elite

por Lucas Brandão,    10 Março, 2026
Wagner Moura, do Brasil para o mundo: um artista de elite
Wagner Moura / DR

Quando se pensa em “atores da moda”, surge na proa, entre inúmeros nomes falantes da língua inglesa, um caso sui generis que brilha tanto no seu país como, mais recentemente, no espectro de Hollywood. Falamos de um nome falante da língua portuguesa, fruto da sua origem canarinha, sendo ele Wagner Maniçoba de Moura, nascido no estado da Bahia no ano de 1976, a 27 de junho. Desde a “Tropa de Elite” que o celebrizou ainda na década de 2000, a sua internacionalização culminou na interpretação memorável do traficante de droga Pablo Escobar em “Narcos”, no ano de 2015 e, mais recentemente, em “O Agente Secreto”, que lhe valeu premiações em Cannes e nos Globos de Ouro e uma nomeação para os Óscares de 2026.

Salvador da Bahia foi, então, a cidade que o viu nascer, crescendo primordialmente numa pequena terra no nordeste desse estado baíano, de seu nome Rodelas. Não obstante, foi uma infância algo flutuante, nunca chegando a fixar-se durante muito tempo num só lugar, e, embora a Bahia fosse a sua casa, chegou a viver por algum tempo no Rio de Janeiro. Ainda assim, conservou bastante as ligações às suas origens, dado que sempre considerou o estado da Bahia como a sua casa e se considerou como membro da torcida do Esporte Clube Vitória. Filho de um militar que obrigava a família a ter esse caráter itinerante, a paixão pelas artes foi-se desenvolvendo nesses entretantos, criando laços de amizade com, entre outros, o também futuro ator Lázaro Ramos.

Essa paixão pelas artes foi fermentada por uma (eventual) carreira intermitente na música com a formação da banda Sua Mãe, onde empresta a voz para dar uma roupagem de rock a músicas de cariz brega e popular do cancioneiro brasileiro. A seu lado, o também vocalista e guitarrista Gabriel, o baterista Leco, o baixista Serjão Brito, o outro guitarrista Ede Marcus, o teclista Tangre Paranhos e o intérprete de violão Claudinho David. Às bancas chegaria o primeiro álbum de hits em 2010 e, entretanto, Wagner Moura chegaria até a atuar como vocalista ao lado dos antigos membros dos Legião Urbana numa homenagem gravada pela MTV em 2012. Aos vinte anos de idade, foi tempo de, após frequentar aulas de interpretação nos tempos de liceu, começar a trabalhar num teatro enquanto estudava jornalismo na Universidade Federal da Bahia, uma casa que acolheu, entre outros, Caetano Veloso ou Raul Seixas. Também neste percurso académico conheceria a sua futura parceira de praticamente uma vintena e meia de anos, a fotojornalista Sandra Delgado, com quem viria a juntar-se e a ter três filhos.

E foi precisamente como jornalista que deu os primeiros passos no pequeno ecrã, em especial na TV Bahia, num programa análogo ao “Alta Definição” da SIC, em Portugal, em que cobria a vida dos jet set do seu país, assim como num outro programa de Michelle Marie Magalhães (“Michelle Maria Entrevista”. Porém, a sua meta pessoal seria a representação e continuou a investir neste percurso, indo a vários castings e conseguindo, inicialmente em teatro, alcançar algum sucesso, fazendo parte de uma nova alavancagem do teatro baíano, muito por força do encenador Fernando Guerreiro. Foi com a peça “A Máquina”, da autoria de João Falcão, que, ao lado dos seus conterrâneos (amigos e, posteriormente, compadres) Lázaro Ramos, que muito incentivou Moura aquando da tournée da peça, e Vladimir Brichta, começou a percorrer o país, inclusive os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Os primeiros convites para o cinema foram efetuados para curtas-metragens, numa fase em que o baíano já se familiarizara com o Rio, mas foi em “Woman on Top” (2000), de Fina Torres, que surgiu o primeiro papel de maior relevância no grande ecrã, num trabalho encabeçado pela espanhola Penélope Cruz e Murillo Benicio, compatriota de Moura. A grande curiosidade deste momento foi a necessidade de Wagner ter de aprender a falar inglês, contando com a ajuda de Lázaro Ramos para o efeito. Por volta desta altura, conquistaria logo um Prémio Bahia Aplaude, atribuido no estado da Bahia, na categoria de artista revelação.

Ao invés de, como muito habitual nos seus conterrâneos, fazer carreira no caminho das telenovelas, Wagner Moura manteve-se, predominantemente, no grande ecrã, sendo dirigido por realizadores como Walter Salles (“Abril Despedaçado”, em 2001, numa adaptação no Brasil de um livro do albaniano Ismail Kadare), Aluizio Abranches (o shakespeareano “As Três Marias”, de 2002, onde Wagner representa um criminoso esquizofrénico), Carlos Diegues (“Deus É Brasileiro”, de 2003, ao lado do célebre ator António Fagundes, que o convidaria para entrar no mundo da televisão na mítica “Carga Pesada” como filho de um dos protagonistas, Bino) ou Heitor Dhalia (“Nina”, de 2004, baseado em “Crime e Castigo”, do escritor russo Fyodor Dostoyevski).

De igual forma, também participa em “O Homem do Ano” (2003, realizado por José Henrique Fonseca e escrito pelo autor Rubem Fonseca), “Cena Aberta” (2003, numa adaptação de “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector) e “O Caminho das Nuvens” (do mesmo ano, da direção de Vicente Amorim, onde encarna um antigo camionista que, ao lado da sua família paraíbana, se desloca de bicicleta para o Rio de Janeiro em busca de um trabalho onde lhe garantem mil reais mensais, uma quantia irrecusável para a família). Pelo meio, uma participação na série humorística “Sexo Frágil”, onde interpreta personagens masculinas e femininas à imagem dos seus colegas neste trabalho, como Lázaro Ramos, Lúcio Mauro Filho, Bruno Garcia e Zéu Britto, sendo rematado no especial de 2004 “Programa Novo”.

2003 continua a ser fértil para Wagner Moura dado que também participa na adaptação do livro “Estação Carandiru” do médico Drauzio Varella para o cinema em “Carandiru”, sob a direção de Héctor Babenco. Sob a forma de um “docudrama” à maneira do movimento Cinema Novo que caraterizou o cinema brasileiro nos meados do século XX, tendo estreado em Cannes, este filme acolhe o baíano após o mesmo ter gravado um pequeno vídeo (mesmo que, deste, só se compreendesse o áudio) onde recita excertos desse retrato dessa vida presidiária em São Paulo e através do qual convence o realizador a recrutá-lo. Nesta fase, já se havia consolidado como um ator multifacetado, capaz tanto no teatro, como no cinema, como na televisão, em papéis vários que incluíam, entre eles, a comédia, como em “A Lua Me Disse” (2005), novela da autoria do conhecido ator Miguel Falabella e da produtora Maria Carmem Barbosa, sendo dela protagonista ao lado de Adriana Esteves e de Natália Lage.

Com a chegada dos trinta anos, papéis de maior responsabilidade lhe caberiam, como a representação do ex-presidente brasileiro Juscelino Kubitschek na série biográfica deste em 2005, criada por Alcides Nogueira e pela dramaturga Maria Adelaide Amaral. Para o papel, fez um estudo pormenorizado do contexto histórico e procurou incorporar ao máximo o sotaque mineiro deste vulto político. E seria por via do realizador José Padilha – que se tornaria uma zona comum da carreira de Moura – que o seu primeiro grande momento em cinema chegaria com o mítico filme “Tropa de Elite” (2007), vencedor de um Urso de Ouro no Festival de Berlim desse ano.

Moura encarna o impenetrável capitão Roberto Nascimento, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), que, em vésperas da visita do papa João Paulo II ao Brasil, em 1997, encabeça uma “limpeza” junto das favelas de Rio de Janeiro. Trata-se de um filme altamente violento com uma preparação igualmente fortíssima, que implicou treinar em condições atmosféricas muito desfavoráveis e com esforços físicos altamente exigentes, seguindo o plano de treinos do ex-capitão do BOPE Paulo Storani. Moura destaca-se de forma evidente naquele que é um retrato com precisão da brutalidade policial e da violência desse contexto suburbano na cidade do Cristo Redentor. Esse destaque foi conquistado, visto que o papel do ator não estava escalonado, inicialmente, para ser o protagonista, papel esse originalmente pensado para o aspirante André Mathias, interpretado por André Ramiro. Houve muita improvisação no caminho do repensar um filme que já estava avançado na sua gravação e produção.

O sucesso desse filme foi tremendo ao ponto de se tornar num lugar de culto no cinema brasileiro, apesar de uma certa crítica de promoção de comportamentos repressivos e opressivos por parte das forças de segurança, chegando até a acusações de fascismo. Ainda assim, com este filme, o baiano havia-se tornado num ator de verdadeira referência nacional, mas não foi isso que o fez parar. Ao lado do amigo Lázaro Ramos, seria protagonista de um filme em solo (e no Carnaval) baiano, com muito significado social de pertença e de coesão, de seu nome “Ó Pai, Ó”; seguindo-se “Saneamento Básico”, uma comédia de Jorge Furtado que protagonizou ao lado de Fernanda Torres, Camila Pitanga e Bruno Garcia e que reúne um grupo que, procurando obter fundos para melhorar a rede de saneamento da sua vila, decide rodar um filme.

Também “Romance” (2008) foi um trabalho de renome em que Wagner faz parelha com Letícia Sabatella, fazendo paralelismo com o romance medieval de Tristão e Isolda. Nesta fase, as telenovelas não seriam deixadas de lado, porque “Paraíso Tropical”, escrita por Gilberto Braga, seria protagonizado por Moura (embora como terceira escolha) no papel do vilão Olavo ao lado de Alessandra Negrini e Fábio Assunção, novela essa que também seria fértil em galardões nacionais. No entanto, ao lado de “A Lua Me Disse”, seriam as únicas telenovelas de origem que faria, acabando por recusar vários convites posteriormente e voltando-se praticamente em exclusivo ao cinema e às séries televisivas. Com este ano recheado de êxitos, viria a ser nomeado como homem do ano para a edição brasileira da revista Vogue.

Para o teatro estaria reservada uma nova presença e logo numa adaptação de “Hamlet”, do tão badalado dramaturgo inglês William Shakespeare, trazida ao palco por intermédio de Aderbal Freire Filho, encenador que já o tinha orientado em “Dilúvio em Tempos de Seca”, em 2009. Trata-se de uma representação mais cómica que o habitual e de um desejo antigo do próprio ator de integrar uma adaptação sua, e fê-lo acompanhado de atores como Caio Junqueira e Carla Ribas. 2010 devolveria a “Tropa de Elite” ao grande ecrã e Roberto Nascimento já se havia tornado subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, assumindo a patente de tenente-coronel dentro da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Adensa-se o conflito da personagem entre servir o povo e o Estado, mesmo continuando a ser visto como um herói pelo público. Neste trabalho, onde é co-produtor, já mais robusto em termos de orçamento, foi-lhe permitido, assim como aos demais atores, ter um treino ainda mais detalhado, complementado por aulas de jiu-jitsu promovidas por um dos célebres combatentes irmãos Gracie, no caso Rickson. Moura ganhar-lhe-ia o gosto e continuaria a praticar essa modalidade, chegando a cinturão castanho com a formação do instrutor das celebridades Rigan Machado, acabando por lhe juntar o muay thai. O sucesso de bilheteria seria, mais uma vez, notável para a realidade brasileira, batendo recordes comerciais no país.

Sucesso no país, mas também fora, visto que os convites para Hollywood estariam na calha. O primeiro deles foi em 2013, em “Elysium”, um filme da autoria de Neill Blomkamp, protagonizado por Matt Damon e Jodie Foster. O brasileiro encarna um hacker que facilita e auxilia o trabalho dos protagonistas numa realidade distópica, em 2154, onde o planeta é vítima de ecocídio. Enquanto isso, continua a fazer carreira no seu país, nomeadamente em “Serra Pelada” (2013, que também produz, realizado por Heitor Dhalia), o polémico “Praia do Futuro” (2014), de Karim Aïnouz (com quem já havia trabalhado em “Cidade Baixa”, de 2005, num triângulo amoroso com Alice Braga e Lázaro Ramos), onde protagoniza no papel de um nadador-salvador homossexual do Recife que deixa o seu país pela Alemanha em busca do seu amor. Também em 2014, na antologia “Rio, Eu Te Amo”, volta a ser dirigido por José Padilha no segmento “Inútil Paisagem”, onde faz parte de um casal em crise num voo de asadelta do alto da Pedra Bonita, no Rio de Janeiro.

Enquanto espreitava os primeiros momentos como realizador ao lado da cantora Vanessa da Mata, na canção desta “Te Amo”, eis que surge o segundo grande apogeu da carreira do ator com a série “Narcos” (2015), em que lhe foi proposto e entregue o papel de interpretar o famoso barão da droga colombiano Pablo Escobar. Para trás, ficaria a possibilidade de fazer de Arlindo Barreto (o célebre palhaço Bozo) em “Bingo: O Rei das Manhãs”, filme de Daniel Rezende, a ser assumido pelo amigo Vladimir Brichta. Embora conserve um leve trago a português do Brasil no seu sotaque, a preparação que Moura teve de fazer para este papel foi meticulosa, visto que, para além de ganhar quase 20 quilos (os quais perderia posteriormente com uma dieta vegana), aprendeu espanhol para um papel que lhe valeria a primeira nomeação para um Globo de Ouro, embora o perdesse para Jon Hamm, que encabeçou a série “Mad Men”. Não obstante, foi, talvez até à data, o papel mais exigente na carreira do brasileiro, que lhe exigiu uma interpretação não-verbal bastante pormenorizada e intensa, em muito introvertida perante a habitual extroversão dos seus papéis.

A sua notoriedade após “Narcos” tornou-se bastante reforçada e, alguns anos depois do fim deste trabalho, após ter participado num filme de espiões estadounidenses em Cuba na década de 1990 – “Wasp Network” (2019), dirigido pelo francês Olivier Assayas -, foi tempo de se estrear nas lides da realização. Com estreia apontada para o Festival de Berlim, e tendo somente estreado no Brasil já após a famigerada pandemia deflagrada em 2020, Wagner Moura trouxe uma cinebiografia do político e escritor de raça negra perseguido pela ditadura militar Carlos Marighella, protagonizado pelo cantor e ator Seu Jorge. Este trabalho seria o grande vencedor do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 2022 com oito prémios Grande Otelo arrecadados (já havia conquistado três como ator, nos dois filmes de “Tropa de Elite” e em “Serra Pelada”), embora captando alguma crítica proveniente de historiadores, sociólogos e de demais cientistas sociais pela caraterização de Marighella e pelo rigor histórico. Não obstante, a realização que faz capta bem o seu espírito crítico e interventivo sobre a sociedade brasileira e mesmo sobre o próprio resto do mundo.

Nesse entretanto, a carreira internacional do baíano prossegue enquanto faz parte do júri internacional do mítico festival de cinema Sundance, no Utah, Estados Unidos da América, país onde se viria a fixar. No ano de 2020, interpreta a figura do diplomata e representante das Nações Unidas canarinho Sérgio Vieira de Mello no filme da Netflix “Sergio”, ao lado de Ana de Armas. Ainda sob a chancela da Netflix, seria responsável por, em 2021, dirigir dois episódios na terceira temporada de “Narcos: Mexico”, na qual volta a interpretar a figura mítica de Pablo Escobar. No mesmo ano, juntar-se-ia e passaria a ter direito de voto na famosa Academy of Motion Picture Arts and Sciences, organização responsável pela atribuição anual dos Óscares. Ao lado da atriz Elisabeth Moss, é protagonista da série “Shining Girls” (2022), que acompanha a história de uma arquivista de um jornal que é brutalmente atacada e que é ajudada por um jornalista (é Wagner Moura que representa este papel) a descobrir as origens e as culpas deste crime.

Moura emprestaria a sua voz, num filme de animação do “Gato das Botas” de 2022, a um lobo branco que simboliza a morte. A isto, seguiu-se a participação (e um emagrecimento de vinte quilos) em “The Gray Man”, um filme da autoria de Anthony e Joe Russo encabeçado por Ryan Gosling, Chris Evans e Ana de Armas, e uma breve participação na série “Mr. & Mrs. Smith” (2024, de Donald Glover e Francesca Sloane, que se inspira no filme homónimo de 2005). Embora todos eles papéis pequenos, seriam o alimento mediático para o que estaria para vir no ano de 2025, com o convite do realizador Kleber Mendonça Filho para, em solo brasileiro, protagonizar “O Agente Secreto”.

Wagner Moura representa, assim, o papel de um ex-professor e especialista em tecnologia que procura fugir da perseguição da qual é alvo para a sua terra natal e resistir enquanto procura o filho de quem se afastou. Tudo isto em plena ditadura militar no Brasil, no ano de 1977, sendo que marca o regresso do ator pela primeira vez em oito anos a uma produção do seu país. Porém, os prémios que recebeu validaram a repercussão internacional que foi granjeando nos últimos anos: para além do prémio de melhor ator no Festival de Cannes e de muitas outras nomeações e eventuais premiações, o Globo de Ouro nessa mesma categoria. Em ambos, o primeiro brasileiro a conseguir arrecadar tais galardões. O próprio discurso de Moura, aquando da entrega do Globo, capta bem o percurso que fez até então, abrangendo as (imensas) tramas sociais e culturais que ajudou a contar nos trabalhos em que participou e as contendas pessoais que nunca o levaram a descurar o Brasil na chegada a Hollywood.

Seguramente muitos mais (e quiçá melhores) trabalhos virão para dar acrescentos de qualidade à já avultada carreira do artista Wagner Moura, seja em que formato for. Se as tendências preveem que a sua carreira se estenda por Hollywood, também não é falso prever que o seu próprio Brasil também o acolherá no exercício da sua atividade. Quiçá até as próprias novelas serão lugar de acolhimento do(s) seu(s) próprio(s) passo(s). A imprevisibilidade também é aquilo que atrai atenções para o baiano, para além do seu inquestionável talento e da versatilidade que este aporta. No ano em que celebrará as cinco dezenas de anos de vida, o seu estatuto como artista de elite permanece firme à proporção daquilo que a sua virtude poderá dar aos olhos que o acompanham (agora sim) um pouco por todo o mundo, para além dos seus pés de samba.

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