Desinformação é uma pequena parte da “guerra de informação, alerta Conselho Consultivo do Observatório Europeu dos Media Digitais

por Lusa,    24 Março, 2025
Desinformação é uma pequena parte da “guerra de informação, alerta Conselho Consultivo do Observatório Europeu dos Media Digitais
Alina Bargoanu / DR
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A desinformação é uma pequena parte do problema quando existem “ameaças hibridas”, defendeu a representante do Conselho Consultivo do Observatório Europeu dos Media Digitais (EDMO), Alina Bargoanu, na conferência “A Verdade na Era da Desinformação” em Lisboa.

Na conferência que decorre hoje na Universidade Católica, a professora disse estar em causa o que chama de “guerra cognitiva e de informação” pois, além da desinformação, existem “operações de influência, interferência estrangeira nas eleições, crimes cibernéticos, invasão algorítmica, pressão diplomática…”.

Neste sentido, defendeu que “este tipo de influência está a tentar interferir com a cognição humana, a emoção e a atenção, afetando os processos democráticos e as instituições, mas também a saúde individual e pública em países não democráticos”.

Além disso, a professora também levantou a questão: “A estrutura atual das redes de informação é compatível com a democracia?”, dizendo que o problema tecnológico original tem impactos em diversas áreas.

Para a académica, é “importante entender a infraestrutura tecnológica que está a influenciar estas operações, para depois se ir à questão da interferência estrangeira”, salientando o contexto romeno, em que as eleições foram anuladas pelo Tribunal Constitucional devido à aparente interferência estrangeira no TikTok.

No contexto dos países bálticos “a Rússia gasta muita energia e recursos para contaminar o discurso público com um objetivo de fazer o nosso lado do mundo parecer que é instável, porque a União Europeia e a NATO intervieram para fazê-lo instável”, afirmou, por sua vez, a diretora do escritório da Balkan Investigative Reporting Network, Jeta Xharra, que também participou na conferência.

Apesar disso, “localmente, o inimigo que não se espera é um inimigo que trata as mulheres muito mal. A desinformação trata as mulheres pior [do que os homens] e isso pode ser visto nas eleições do Kosovo em fevereiro, onde concorreram três mulheres que foram mais alvo de desinformação do que os outros candidatos”, disse.

“A má notícia dessa grande campanha de desinformação, de violência contra as mulheres, é que isso está a afetar as decisões, porque a maioria das mulheres está a escolher não entrar na vida pública. Então, a política tornou-se um campo só para os mais difíceis, com uma pele muito dura, não um campo para as pessoas normais”, concluiu.

Já a professora da Universidade Católica Shenglan Zhou mencionou que a desinformação na China tem piorado nos últimos anos.

Com o foco em perceber “como a propaganda e a informação mudam a mente das crianças”, Zhou recorreu ao exemplo da Coreia do Norte para dizer que o país está a “usar crianças para produzir notícias falsas e isso é assustador”.

O especialista em ‘fake news’ e professor na universidade de Montreal Simon Thibault mencionou, por sua vez, uma investigação sobre a interferência estrangeira no Canadá, para dizer que outrora o país já foi descrito como um “país resiliente, em relação à desinformação ‘online'”.

A conferência tem como objetivo promover o diálogo, identificar pontos comuns e desenvolver estratégias inovadoras para enfrentar eficazmente a questão da desinformação, ao mesmo tempo que pretende promover a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa.

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