Rússia está a aplicar uma nova estratégia de desinformação sobre a guerra na Ucrânia

A Rússia está a aplicar uma nova estratégia de desinformação sobre o conflito na Ucrânia, uma “guerra de trincheiras de informação”, direcionada para minar a confiança do público, revelou hoje um estudo da “EUvsDisinfo”.
De acordo com a informação disponível no ‘site’ da organização, “a Rússia redirecionou os seus esforços da FIMI [Manipulação e Interferência de Informações Estrangeiras] para minar a confiança do público nas instituições estatais da Ucrânia”.
A nova estratégia da Rússia passa por explorar questões como quedas de energia devido a ataques com mísseis em infraestruturas críticas, mobilização militar e corrupção.
“A Rússia começou a intensificar táticas que podem ser descritas como ‘exaustão de informações’, envolvendo manipulação emocional através de conteúdo gerado por inteligência artificial (IA), aumentando a atividade de ‘bots’ nos media sociais”, lê-se na informação disponibilizada.
Os principais instrumentos desta estratégia incluem “espalhar conteúdo sobre supostas violações de mobilização, apelos à resistência armada, à mobilização e manipulação de tópicos relacionados com corrupção”.
“Desacreditar os parceiros ocidentais e ameaças de chantagem nuclear” também estão presentes na nova estratégia da Rússia para promover desinformação, até porque o “objetivo final do FIMI russo é convencer o público de que a resistência da Ucrânia à agressão russa é inútil”.
O estudo desenvolvido analisou ainda quase 600 anúncios direcionados ao público ucraniano, publicados entre março e novembro de 2023, identificando 12 áreas-chave nas quais as narrativas foram promovidas.
“Cinco desses 12 temas representaram aproximadamente 75% do volume total de publicidade”, entre os quais se destacam ‘ocidente’, ‘frente’, ‘mobilização’, ‘corrupção’ e ‘Governo’.
Dentro destes temas, os anúncios promoviam as seguintes narrativas: “a Ucrânia está a sofrer enormes perdas na linha da frente” ou “o Governo decidiu lutar até ao último ucraniano”.
A promoção destas narrativas pretende “influenciar a opinião pública e o comportamento dos ucranianos e evitar a mobilização para as Forças de Defesa da Ucrânia”, refere o estudo.
A EUvsDisinfo é composta por uma equipa de especialistas em desinformação, fazendo parte do serviço diplomático da União Europeia (UE).