“As Sete Vidas da Argila”. Teatro Aveirense estreia projecto ligado à memória e ao território

por Comunidade Cultura e Arte,    21 Setembro, 2021
“As Sete Vidas da Argila”. Teatro Aveirense estreia projecto ligado à memória e ao território
“As Sete Vidas da Argila” / Fotografia de Joana Magalhães – Teatro Aveirense
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Projeto “As Sete Vidas da Argila” conta com peça de teatro e documentário. Data marca também o início do ciclo Conversas do Aveirense.

Nos próximos dias 23 a 25 de setembro o Teatro Aveirense apresenta o resultado de um projeto desenvolvido em torno da memória e da identidade de Aveiro. Partindo desse princípio, foi lançado ao dramaturgo e encenador Jorge Louraço Figueira o desafio de abordar a indústria cerâmica da região, estabelecendo uma ponte com a história, legado e marcas sociais deste sector na região.

O resultado do processo, iniciado em 2020, é agora revelado na forma do projeto As Sete Vidas da Argila, um trabalho de intervenção artística em Aveiro constituído por um espetáculo de teatro (“Como Boca-de-Barro Ganhou o seu Apelido”) e um documentário (“Vozes e Retratos das Fábricas de Cerâmica da Ria), com direção artística de Jorge Louraço Figueira e realizado por artistas profissionais e amadores.

“As Sete Vidas da Argila” / DR

A peça “As Sete Vidas da Argila — Como Boca-de-Barro ganhou o seu apelido” começa no dia de aniversário da (ficcional) fábrica de cerâmica mais antiga da região da Ria de Aveiro, fundada ainda no fim do século passado (aliás, do outro). Ouve-se a sirene misturada com os sinos e finalmente chegam as operárias para ajudar nos preparativos para a festa; logo depois os convidados. O anfitrião, porém, está retido nas oficinas, por causa de uma encomenda tardia, com os seus principais auxiliares, entre os quais a imprescindível escolhedora Clorinda Boca-de-Barro. Bom, na verdade, nessa ocasião, Clorinda ainda não se chamava assim, Boca-de-Barro. O que aconteceu depois — e como ganhou Clorinda esse apelido — é o que vamos ver no espetáculo.

Além desta peça, foi realizado um filme que assume as mesmas linhas gerais para rever a história desta comunidade e relatar o desenvolvimento do projeto. Assim, as experiências de quem dá vida às fábricas de cerâmica da região são a matéria-prima do documentário “As Sete Vidas da Argila – Vozes e Retratos das Fábricas de Cerâmica da Ria”, a exibir a 23 de novembro, às 21h30, no Teatro Aveirense. Tendo a criação do espetáculo de teatro sido realizada através de uma pesquisa da região da Ria de Aveiro, acompanhada da gravação de testemunhos, imagens e sons do universo da argila, do barro e da olaria, esses materiais deram origem a uma viagem no tempo com som de Sofia Saldanha e imagens de João Garcia Neto.

O projeto As Sete Vidas da Argila insere-se numa nova linha programática do Teatro Aveirense, intitulada Slow Motion, que anualmente convidará um artista a criar um projeto original em torno de um tema associado à memória e à identidade local, contando com uma forte componente de participação da comunidade. Este projeto procura a preservação, salvaguarda e valorização dos recursos endógenos do território, aproveitando a biografia da cidade como fonte de inspiração para a criação e para as práticas artísticas. A próxima edição deste projeto contará com o fotógrafo Augusto Brázio. 

Conversas do Aveirense estreiam a 25 de Setembro

A apresentação do projeto As Sete Vidas da Argila marca também o início do ciclo Conversas do Aveirense, realizado no âmbito da celebração dos 140 anos do Teatro Aveirense. Tendo como mote “Qual é a cena?”, e voltando a contar com Jorge Louraço Figueira na curadoria, estas mesas-redondas são dedicadas a um tema ou a um criador, explorando a relação entre a programação do Teatro Aveirense e o contexto cultural global, com o objetivo duplo de rever rumos traçados e traçar novos rumos.

Tendo sempre convidados de renome de diferentes áreas, o programa das Conversas do Aveirense pretende fazer correr livremente o fluxo de ideias, abrindo as portas à reflexão sobre as políticas, técnicas e estéticas da criação cénica e artística. Em ano(s) de aniversário, crise pandémica e urgência climática, a pergunta “Qual é a cena?” salta da conversa comum para o centro do debate público. Após cada conversa, o público é convidado a assistir ao espetáculo em cartaz no Aveirense.

A primeira sessão, no dia 25 de setembro às 14h30, parte do espetáculo As Sete Vidas da Argila – Como Boca-de-Barro ganhou o seu apelido e tem como tema Teatro e Memória da Indústria. No seu painel estarão Bruno Martins, Isabel Craveiro, José Alberto Ferreira, Ricardo Correia, Sandra Pinheiro, Sara Barros Leitão, numa sessão moderada pela jornalista Inês Nadais. 

As próximas datas e títulos das sessões são 13 de novembro (Circo), 4 de dezembro (Redes de Cultura: as cidades como centros de criação e difusão), 29 de janeiro, (Realidade como Ficção), 12 de fevereiro (Pop Afro-Portuguesa),5 de março (Intervenção Cultural e Artística) e 2 de abril (A Escrita Cénica de Gonçalo M. Tavares).

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