Festival de Sintra. As nossas escolhas: Joana Gama, Angélica Salvi, João Barradas e Filho da Mãe

por Comunidade Cultura e Arte,    14 Junho, 2023
Festival de Sintra. As nossas escolhas: Joana Gama, Angélica Salvi, João Barradas e Filho da Mãe
Joana Gama / Fotografia de Estelle Valente – São Luiz Teatro Municipal
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Estas sugestões são da autoria de Bernardo Crastes (BC), Linda Formiga (LF) e Tiago Mendes (TM).

Ao longo dos últimos meses, temos vindo a destacar a 57.ª edição do Festival de Sintra, que decorrerá entre os dias 15 e 25 de Junho. O director artístico do festival, Martim Sousa Tavares, descreve o evento como tendo sido “concebido para as pessoas e para todos aqueles que constituem o território de Sintra: tanto quem vive aqui, como quem nos visita apenas por um dia”. O variado e extenso programa já está disponível para consulta e, agora que estamos na iminência do seu início, deixamos aqui algumas sugestões de eventos para consideração.

Concerto da harpista Angélica Salvi
16 Junho (23:00) – Sala da Música, Palácio Nacional de Queluz

Angélica Salvi apresentará ao público canções que compõem os seus dois álbuns de estúdio: Phantone e o mais recente Habitat. Se a sonoridade da harpa já pode ser encantatória por si só, a música de Salvi eleva-a a outro patamar, através do uso de efeitos e estruturas melódicas que envolvem o ouvinte num mundo etéreo e ocasionalmente imponente. Se antes a sua música pendia ligeiramente para a abstração, agora demonstra uma sensibilidade mais directa e convidativa. Um concerto a não perder, ainda para mais no ambiente nobre da Sala da Música do Palácio Nacional de Queluz. — BC

Joana Gama apresenta-nos “O Livro dos Sons” de Hans Otte
19 Junho (23:00) — Sala dos Cisnes, Palácio Nacional de Sintra

A pianista Joana Gama leva à Sala dos Cisnes do Palácio Nacional de Sintra aquela que é considerada a obra-prima do compositor alemão Hans Otte. “O Livro dos Sons (Das Buch der Klänge)” é uma obra minimalista, escrita entre o final dos anos 70 e o início dos anos 80 do século XX. A partir da repetição, mas também da introspecção, convida-nos a uma viagem imersiva e tranquila; sugestiva, como é característica da música minimalista em que encontramos beleza e propósito. Estamos em crer que o espaço cénico tornará potenciará ainda mais o brilho e a emotividade da interpretação desta obra pelas mãos de Joana Gama. — TM

https://open.spotify.com/episode/4twzPFb0qvw0emxIGUAvht?si=b519b7365601476a

Duelo de pianistas entre Raúl da Costa e Vasco Dantas
20 Junho (21:30) — Palácio de Seteais

Reavivando a tradição que os itinerantes pianistas do século XIX tinham, o Festival de Sintra convida dois dos mais aclamados pianistas contemporâneos portugueses, Raúl da Costa e Vasco Dantas, para um duelo nas teclas. Este confronto de virtuosidade entre dois amigos de longa data promete ser um dos eventos mais emocionantes de todo o festival. O programa ainda não é conhecido, mas isso torna tudo ainda mais entusiasmante. Em entrevista à Comunidade Cultura e Arte, a única coisa que os dois músicos nos conseguiram prometer foi muito “fogo-de-artifício” e uma experiência intimista que aproximará público e artistas de uma forma invulgar. — BC

Caminhada-concerto ao nascer do sol com João Barradas
21 Junho (04:00) — Serra de Sintra, Peninha para Adre Nunes

Será talvez o mais inusitado momento da programação de toda a programação do Festival de Sintra: ao nascer do sol do dia do solstício de verão, num espaço cénico ao ar livre virado a nascente, o acordeonista João Barradas presenteará o público com um momento “certamente mágico”, nas palavras de Martim Sousa Tavares. Antes desse momento, a audiência é convidada a fazer uma caminhada, ainda antes da alvorada, em que o próprio músico participará. “Um programa intimista (…) com uma estética algo minimal”, contou-nos João Barradas sobre o espectáculo a ser preparado. Fica a expectativa de uma experiência musical incomum que permanecerá na memória de quem aceitar o convite para madrugar nesse dia. — TM

Concerto de André Gaio Pereira – “Entre Bach e Paredes”
22 Junho (18:00) — Casa do Gerador, Quinta da Regaleira

O músico André Gaio Pereira propõe-nos um encontro entre a guitarra de Carlos Paredes e o seu próprio violino. Uma fusão de tradições musicais, seguindo uma das grandes linhas de programação propostas por Martim Sousa Tavares no Festival de Sintra: a procura pelo híbrido, pelos limites dos géneros e das possibilidades na música clássica. Um processo de transposição que foi desafiante, segundo o próprio André Gaio Pereira contou em entrevista à Comunidade Cultura e Arte, mas que satisfaz a sua intenção de “repensar, reinventar e reinterpretar a tradição”. Haverá ainda tempo para ouvir Bach, em diálogo com Paredes; um conjunto de pretextos mais do que suficientes para nos aguçar a curiosidade. — TM

Concerto de Jonatan Alvarado – “Voces de Bronce: o Cancioneiro de Carlos Gardel”
22 Junho (21:30) — Sala dos Cisnes, Palácio de Sintra

No mesmo dia em que podemos ouvir temas de Carlos Paredes reinterpretados em violino, Jonatan Alvarado propõe-se a prestar homenagem aos cantores e compositores da Argentina, interpretando temas tal e qual se podiam ouvir nos anos 20 do século passado. Com uma coleção de temas do álbum Voces de Bronce, lançado em Abril de 2023, Jonatan Alvarado presta homenagem não só a Carlos Gardel, artista maior do tango, como aos seus avós e à forma como o tango se foi enleando nas suas vidas. O desafio de Jonatan Alvarado é trazer novamente o tango para a ribalta, fazer com que marque famílias como a sua, e que muitas outras famílias se refiram a “Soledad” — um dos temas mais conhecidos de Gardel — como a “nossa canção”. Jonatan Alvarado será acompanhado por Jessica Denys, Juan Vizán e Sophia Patsi para uma esperada milonga na Sala dos Cisnes do Palácio de Sintra. — LF

Concerto do guitarrista Filho da Mãe
22 Junho (23:00) — Portal dos Guardiões, Quinta da Regaleira

Ainda no mesmo dia, num outro concerto dedicado a música de guitarra, Rui Carvalho apresentará o seu projecto Filho da Mãe no ambiente mágico da Quinta da Regaleira. O concerto será maioritariamente focado no mais recente álbum, Terra Dormente, lançado em 2022, mas encontrando uma linguagem comum com os seus trabalhos anteriores, entre os quais se contam Mergulho (2013) ou Água-Má (2018). O estilo de Rui na guitarra é apaixonante, usando a repetição e a intensidade a seu favor e gerando uma espécie de transe no público que assiste às suas performances. Para quem ainda não conhece o seu trabalho, esta será uma oportunidade única para o fazer. — BC

A Comunidade Cultura e Arte é media partner da 57.ª do Festival de Sintra.

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