James Gunn defende filmes da Marvel, depois de críticas de Coppola e Scorsese

por Comunidade Cultura e Arte,    22 Outubro, 2019
James Gunn defende filmes da Marvel, depois de críticas de Coppola e Scorsese
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“Os super-heróis são os novos gangsters, cowboys e aventureiros espaciais”

A polémica está instalada. Vários nomes do cinema mundial declararam guerra aos filmes da Marvel. Martin Scorsese, Francis Ford Copolla ou Ken Loach são contra o facto de o mercado do cinema estar inundado de tantos filmes de super-heróis.

Tudo começou quando Scorsese deu uma entrevista à revista Empire e disse que “O valor de um filme (de super-heróis) é como um parque de diversões (…) os cinemas transformam-se em parques de diversões, é uma experiência diferente. Como disse antes, não é cinema, é outra coisa (…) e não deveríamos ser invadidos por isso. É um grande problema e nós precisamos que os donos dos cinemas se juntem e exibam filmes que são narrativas”, disse Scorsese na semana passada no Festival de Cinema de Londres, que ainda foi mais longe dizendo que tentou ver os filmes da Marvel mas que não conseguiu: “Eu não os vejo. Mas tentei. Isso não é cinema (…) por mais que sejam bem feitos, com os actores a fazerem o melhor que podem sob essas circunstâncias (…) mas isso não é o cinema de seres humanos a tentarem passar experiências psicológicas e emocionais para outro ser humano”, disse o cineasta.

Martin Scorsese e Joe Pesci durante as filmagens de “The Irishman”

Agora, e através do seu instagram pessoal, James Gunn, realizador e argumentista de “Guardians of the Galaxy”, reagiu à recente declaração de Francis Ford Coppola, que disse que os filmes da Marvel são “desprezíveis”, sublinhando ainda que as palavras de  Scorsese estavam certas ao afirmar que “o que a Marvel faz não é cinema de verdade”.

Em resposta, James Gunn disse o seguinte: “Muitos dos nossos avós pensavam que todos os filmes de gangsters eram iguais e chamavam-nos várias vezes de “desprezíveis”. Alguns dos nossos bisavós pensavam a mesma coisa sobre os filmes de cowboys e diziam que John Ford, Sam Peckinpah e Sergio Leone eram exactamente iguais. Lembrei-me do meu tio com quem falei sobre “Star Wars”. E ele disse: “Vi o “2001” [“A Space Odyssey”] e era chato!’. Os super-heróis são os novos gangsters, cowboys e aventureiros espaciais. Alguns filmes de super-heróis são horríveis, outros são lindos. Assim como filmes de cowboys e gangsters. Nem todos são capazes de apreciá-los, nem mesmo alguns génios. E está tudo bem”, disse o realizador.

Jodie Foster / Larry Busacca (Getty Images)

Já em 2018, a actriz e realizadora norte-americana Jodie Foster tinha dito ao site Radio Times que “Ir ao cinema tornou-se algo como ir a um parque de diversões […] A produção de péssimos conteúdos por parte dos estúdios para agradar às massas e aos seus accionistas é como explorar o solo — consegues o melhor retorno no momento, mas também acabas com a terra […] Estes filmes estão a arruinar os hábitos de consumo e a visão da população norte-americana e, no fim das contas, de todo o mundo“, e acrescentou que o CGI não é a razão pela qual faz filmes: “Eu sinto que faço filmes porque há coisas que devo dizer para conseguir descobrir quem sou e qual o meu lugar no mundo e que ao mesmo tempo me permitem evoluir como pessoa”, disse Foster.

E o mentor de “Guardians of the Galaxy” também rebateu os comentários de Jodie no Twitter, dizendo: “Acho que a Jodie Foster olha para os filmes de uma maneira ultrapassada, onde blockbusters não podem ser provocadores. E isso é verdade, mas nem sempre. A sua crença é um bem comum e não totalmente sem fundamento. Eu digo ‘não sem fundamento’ porque a maioria das franquias de filmes não têm alma. E isto é realmente um perigo para o futuro dos filmes. Mas existem algumas excepções.” disse Gunn e acrescentou “Para o cinema sobreviver acho que os filmes precisam de ter uma visão e um coração que eles tradicionalmente não têm. E alguns de nós estão a fazer o seu melhor nessa direcção. Criar filmes blockbusters que são inovadores, humanos e profundos é o que me anima no meu trabalho.
Mas, para ser justo, e em relação às declarações da Foster, ela vê a criação de filmes como algo primariamente pessoal. Para mim, isso pode ser parte do processo, mas gastar milhões de dólares num filme pode ser mais do que isso. É comunicação. Então a minha experiência é meramente desta perspectiva. Mas eu respeito a Foster e tudo o que ela fez pelo universo do cinema, e aprecio a sua maneira diferente de olhar para Hollywood“.

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