Festival IndieLisboa vai mostrar filme com conversa entre Orson Welles e Dennis Hopper

por Comunidade Cultura e Arte,    14 Julho, 2021
Festival IndieLisboa vai mostrar filme com conversa entre Orson Welles e Dennis Hopper
Hopper/Welles

A secção Director’s Cut, dedicada a filmes sobre o cinema, volta este ano com tesouros há pouco recuperados (Hopper/WellesTrês Dias Sem Deus e The Last Stage) e filmes que agora retrabalham o património cinematográfico. Já na secção Boca do Inferno, são programados filmes desconcertantes que rasgam fronteiras de registo e temas, sem tabus. O IndieLisboa regressa às salas habituais de 21 de Agosto a 6 de Setembro de 2021.

Em grande destaque na secção Director’s Cut encontra-se Hopper/Welles, de Orson Welles, estreado na edição do ano passado do Festival de Veneza, a sua primeira exibição pública depois de 40 anos guardado. Filmada em 1970, esta conversa apanha os realizadores em momentos cruciais das suas carreiras; Welles não trabalhava em Hollywood há mais de uma década, e tinha começado a confirmar-se como um artista ferozmente independente e idiossincrático, já Hopper, acabava de alcançar sucesso inesperado com o hit de contracultura Easy Rider, financiado por um estúdio. Em preto e branco, e iluminado apenas pela lareira e lâmpadas de furacão, este é um registo histórico entre duas figuras magistrais do cinema americano, que aqui conversam sobre cinema, a arte e a vida.

Outra surpresa é Três Dias Sem Deus, a primeira longa-metragem de ficção realizada por uma mulher em Portugal. Bárbara Virgínia, que tinha à data 22 anos, realizou o filme, foi co-responsável pelo argumento e interpretou o papel principal. O filme estreou a 30 de agosto de 1946, no Cinema Ginásio em Lisboa, e viria a integrar a comitiva portuguesa na segunda edição do festival de Cannes, nesse mesmo ano. Aquando da sua primeira projeção, o filme teria cerca de 102 minutos (aproximadamente 2800 metros de película). Desses, foram preservados, apenas, 26 minutos (868 metros) de filme, dos quais se perdeu a banda-sonora. O resultado de uma digitalização e restauro digital desse fragmento é agora apresentado no IndieLisboa, no dia em que se comemoram, exatamente, 75 anos da estreia. Três Dias Sem Deus está integrado na secção Director’s Cut Em Contexto, programada em conjunto com a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema. A anteceder será exibido também o filme Lost and Found de Clara Cúllen, um documentário sobre a avó da realizadora, a primeira mulher argentina cineasta, contemporânea de Bárbara Virgínia.

Destacam-se também outros dois filmes portugueses, A Távola de Rocha, de Samuel Barbosa, uma exploração do processo criativo de Paulo Rocha, que é exibido no IndieLisboa após a sua estreia no Festival de Locarno em Agosto; e Diálogo de Sombras, de Júlio Alves, em estreia mundial, sobre o universo de Pedro Costa a partir da sua exposição em Serralves, Pedro Costa: Companhia, que estabeleceu um diálogo entre o realizador português e as figuras que povoam o seu imaginário.

The Last Stage, de Wanda Jakubowska, é uma das primeiras representações da vida em campos de concentração, filmado logo após a 2ª Guerra Mundial e agora apresentado num restauro digital. Jakubowska esteve ela própria presa no campo de concentração que filmou, ainda antes do seu desmantelamento, filmagens às quais junta uma narração ficcional do que ali viu e experienciou. Um filme que dialoga com À Pas Aveugles de Christophe Cognet, seleccionado na secção Silvestre.

Já There Are Not Thirty-six Ways of Showing a Man Getting on a Horse, de Nicolás Zukerfeld, é um filme divertido que parte de uma investigação à citação atribuída a Raoul Walsh, e consecutiva tentativa de a ilustrar. Da compilação de personagens a cavalgar em filmes de Walsh nasce um filme-ensaio.

Na secção Boca do Inferno rasgam-se fronteiras de registo e temas. Entre as longas-metragens, um clássico do terror italiano que celebra 50 anos; Ecologia del delitto, de Mario Bava, conta a história do falecimento de uma condessa rica, que desencadeia uma guerra pela sua herança e uma sequência de mortes que parece não cessar.  She Dies Tomorrow de Amy Seimetz junta o horror psicológico ao humor absurdo. Neste filme, Amy é uma rapariga que acaba de comprar uma casa, mas está plenamente convencida que vai morrer no dia seguinte. Uma ideia que se torna contagiosa à sua volta.

Em Spree, de Eugene Kotlyarenko, Joe Keery (o simpático rapaz da popular série Stranger Things) é Kurt Kunkle, um condutor obcecado com a ideia de que se não te estás a documentar não existes. Contado na primeira pessoa, é um híbrido entre a comédia e o horror, com uma mensagem de cautela em relação às redes sociais. Das curtas-metragens da secção, em Rendang of Death, de Percolate Galactic, dois amigos lutam pelo último pedaço do melhor rendang de sempre. T’es morte Hélène, de Michiel Blanchart, acompanha Hèlene, que incapaz de se desapegar do amor que ainda a une ao namorado, continua a assombrá-lo depois de morta. E ainda MeTube3: August sings „Una furtiva lagrima“, de Daniel Moshel, o terceiro capítulo de uma série de curtas marcadas pelo humor e pelo amor à ópera. 

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