O primeiro álbum dos Led Zeppelin faz 50 anos

por José Malta,    9 Janeiro, 2019
O primeiro álbum dos Led Zeppelin faz 50 anos
Led Zeppelin / Fotografia de Everett Collection – Rex Features

A música do ano de 1969 viria a ser inaugurada pelo primeiro trabalho musical de uma banda que prometia vir a ser um dos mais bem-sucedidos grupos de rock de sempre dado os talento dos seus membros que, em conjunto, conseguiam exibir um rock mais arrojado do que o usual.

O grupo formado por quatro músicos já com experiência comprovada e reconhecida, nomeadamente pelo vocalista Robert Plant uma voz poderosa já conhecida de alguns bares na Inglaterra onde costumava cantar e vocalista dos The Band of Joy, uma banda de blues rock que na altura era um projecto ainda pouco alicerçado; Jimmy Page, um dos guitarristas da banda The Yardbirds que se acabaria por desintegrar em 1968, que tivera como colegas nomes sonantes da guitarra eléctrica como Eric Clapton e Jeff Beck, conhecido pela sua habilidade estrondosa ao tocar instrumentos de cortas; John Paul Jones, baixista que já tinha colaborado em concertos de outras bandas renome da época, nos quais exibia versatilidade em tocar outros instrumentos como órgão ou teclados; e ainda John Bonham, baterista dos The Band of Joy, a mesma banda de Robert Plant, conhecido pela forma feroz com a qual manuseava as baquetas na sua bateria, formariam uma das mais ilustres bandas rock de uma época em que a ascensão deste estilo musical era cada vez maior: Os Led Zeppelin. O desejo de Jimmy Page era o de criar uma das maiores bandas rock e com a qualidade dos músicos e a inclusão de novos estilos, este era um projecto que tinha tudo para dar certo.

Capa original de “Led Zeppelin”, editado em 1969

O primeiro álbum, intitulado com o mesmo nome da banda (vulgarmente designado por Led Zeppelin I dado os álbuns seguintes: Led Zeppelin II e III e ainda o álbum sem título associado a Led Zeppelin IV), fora gravado em tempo recorde entre os meses de Setembro e Outubro de 1968 no Olympic Studios em Londres, algo que só seria possível com a aposta da editora e sobretudo também com a ajuda do enorme talento e do trabalho da própria banda. O conteúdo do álbum tem como base um rock mais pesado, na altura ainda pouco explorado, que exibe um estilo mais arrojado ao difundir-se no blues, sendo este um trabalho musical de enorme originalidade que conseguiu conferir sinais de que uma nova era musical poderia estar prestes a chegar nos tempos seguintes. De facto, a chegada dessa nova era verificou-se e em 1969 este poderia ser visto como o primeiro álbum de uma banda em ascensão e que teria boas hipóteses de ganhar alguma supremacia musical nos anos seguintes. Hoje, passados 50 anos, é considerado como o primeiro trabalho de uma das mais aclamadas e influentes bandas de sempre, um conteúdo musical que continua a ser ouvido e apreciado por milhões e que consegue ainda influenciar outros tantos músicos em todo o mundo, deixando um legado cada vez mais vasto com o passar dos anos ao estar presente na célebre lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame.

Led Zeppelin / Fotografia de Neal Preston, em 1977

O álbum tem uma duração de aproximadamente 45 minutos e inicia-se com o riff característico da guitarra de Jimmy Page que atrai os restantes instrumentos formando assim a canção Good Times Bad Times, uma entrada em grande que mostra claramente a ambição da banda em tornar-se num dos maiores nomes da música rock, vislumbrando uma harmonia entre os quatro músicos. A voz, a guitarra, o baixo e a bateria estão presentes de modo equitativo nesta canção que introduziu da melhor maneira ao mundo aquilo que eram os Led Zeppelin em termos musicais. Segue-se Baby I’m God Leave You, uma canção com uma tonalidade mais dramática, na qual Jimmy Page introduz a guitarra acústica, havendo também uma maior predominância da voz de Robert Plant. You Shooke Me, canção original de Muddy Waters, traz um compasso mais vagaroso vindo do western onde há uma mistura clássica do blues com o rock dos Led Zeppelin mostrando outra face da banda como por exemplo a habilidade de John Paul Jones em tocar instrumentos de teclas para além do seu baixo. A quarta faixa do álbum, Dazed and Confused, exibe mais uma vez a voz de Robert Plant em grande domínio numa sinfonia onde a guitarra de Jimmy Page combina com o ritmo acelerado da bateria de John Bonham, misturada com uma combinação excêntrica entre agudos e graves. Your Time is Gonna Come inicia-se com as teclas manuseadas por John Paul Jones que predominam ao longo da canção, transformando esta numa agradável melodia que dá continuidade a Black Moutain Side, a única canção instrumental do álbum interpretada pelas cordas da guitarra acústica de Jimmy Page, sendo esta a faixa mais curta do álbum.

Jimmy Page – Led Zeppelin / Fotografia de Richard E. Aaron/Redferns, em 1977

A explosão do verdadeiro rock acelerado, rítmico e sublime que conferiu uma identidade única aos Led Zeppelin no universo da música rock surge em Communication Breakdown que, apesar dos seus dois muitos e meio de duração, oferece o que de melhor há em cada um dos membros da banda, mostrando uma combinação estrondosa de cada um dos instrumentos ao longo de toda a canção. I Can’t Quit You Baby, exibe novamente uma vertente mais ligada ao blues rock que os próprios Led Zeppelin conseguiram, a partir deste estilo, criar o seu estilo musical próprio. A encerrar o álbum, e da melhor maneira possível, How Many More Times mostra mais uma vez o rock blues explosivo numa faixa que supera os oito minutos de duração, num álbum que contou com grandes novidades a nível musical e que rapidamente fez com que os Led Zeppelin lançassem o seu segundo álbum logo em Outubro desse mesmo ano, intitulado por Led Zepellin II, que viria a ter um sucesso maior assim como os seguintes lançados ao longo de dez anos até à trágica morte do baterista John Bonham que ditou o fim da banda, tendo cada membro prosseguindo com caminhos distintos.

O primeiro álbum dos Led Zeppelin celebra assim meio século de existência, mas continua a ter sido como se fosse ontem que cada um de nós o ouviu pela primeira vez quando ainda estava a explorar as vertentes mais remotas do rock que fazem com que a nova música venha também um pouco ao encontro das sua raízes. Há 50 anos este era apenas o primeiro álbum de uma nova banda que poderia vir a ser um nome de referência na música. Hoje é considerado uma obra-prima do rock, um exemplo do melhor que se produziu na música mais contemporânea. Há 50 anos ouvia-se Led Zeppelin em discos vynil que passavam de mão em mão, girando de gira-disco em gira-disco. Hoje, com o avanço da tecnologia de bolso e da indústria musical, recorremos a ferramentas de acesso mais fácil como o Spotify ou o Apple Music, métodos menos apelativos para o estilo musical que o álbum apresenta mas que conseguem ainda assim mantê-lo bem vivo, permitindo que seja ouvido por muitos ao longo dos anos que ainda virão. Em 50 anos o rock mudou, ganhou novas tendências e novos seguidores, gerou novas paixões, trouxe-nos um pouco do mais belo que existe na música em si, mas há álbuns que ficam para sempre como grandes referências continuando a ser ouvidos por amantes da música em todo o mundo. O primeiro álbum dos Led Zeppelin é precisamente um destes exemplos, dado o seu conteúdo apaixonante, que perdura e continuará a perdurar nas playlists dos amantes do rock e das gerações futuras que procuram descobrir o que há de mais encantador neste género musical.

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